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    "Xerecada suprema" rendia R$ 1,5 mil por dia para cafetina na Asa Norte

    Por trás das luzes suaves e dos óleos perfumados, o endereço prometia alívio para as tensões do poder, até a PCDF derrubar o véu da tentação

    Metrópoles
    16 de setembro de 2026 às 05:48
    "Xerecada suprema" rendia R$ 1,5 mil por dia para cafetina na Asa Norte
    Foto: Metrópoles

    A promessa estampada na fachada falava em alívio do estresse e equilíbrio do corpo. Mas, ao descer as escadas que levavam ao subsolo da comercial da quadra 410 Norte, o perfume que pairava no ar denunciava outro tipo de cura. Na tarde dessa segunda-feira (14/9), agentes da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) colocaram fim a uma das engrenagens mais quentes e lucrativas da capital: um verdadeiro templo da carne disfarçado de clínica de massoterapia.

    O negócio do desejo rendia alto. Com anúncios carregados de sensualidade e o apelo irresistível do serviço batizado de “xerecada suprema” , o local garantia um fluxo contínuo de clientes e um faturamento diário que batia a marca de R$ 1,5 mil direto no bolso da cafetina responsável . O segredo do sucesso do endereço estratégico, a poucos minutos da Esplanada dos Ministérios, residia na ilusão do sigilo absoluto.

    Para o mundo exterior, puritanismo; para os iniciados, pura luxúria. O empreendimento mantinha uma dupla face no ambiente virtual para captar frequentadores e tentar enganar os olhos atentos da fiscalização. Na rede, uma das páginas exibia a imagem casta de um centro de saúde corporal focado estritamente no relaxamento, enquanto a outra fervilhava com fotos explícitas de nudez e mais de 20 “terapeutas” prontas para o deleite.

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    Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ambos os caminhos terminavam no mesmo número de telefone e no mesmo destino sob o solo da quadra 410. Para preservar a intimidade de sua seleta clientela e manter a vizinhança alheia aos sussurros do subsolo, a rota de entrada era minuciosamente calculada. Em horário comercial, a discrição era garantida por uma escada lateral.

    Ao cair da noite e durante os fins de semana, o acesso ao covil da sedução se dava misteriosamente pela portaria dos fundos, com a passagem liberada apenas após a confirmação via interfone. No interior climatizado e envolto em penumbra, a sedução tinha tabela fixa e o dinheiro circulava sem trégua. O encontro completo saía entre R$ 250 e R$ 300, mas a matemática do prazer era maquiada na hora de efetuar o pagamento por QR Code ou máquinas de cartão. Na farsa fiscal do estabelecimento, a fatura declarada como “terapia” ou “massagem” custava entre R$ 170 e R$ 200. A quantia restante, lançada sob o codinome sutil de “aditivo especial”, correspondia abertamente à tão cobiçada “xerecada suprema”.

    Da soma total arrecadada em cada sessão de volúpia, uma fatia fixa de R$ 120 alimentava sem falta as contas da administradora da casa. Após a confirmação da transação, os frequentadores eram conduzidos a uma sala de espera privativa para escolher, entre as jovens da casa, quem os guiaria ao ápice nos quartos reservados.

    fachada de casa de massagem
    fachada de casa de massagem — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A festa dos sentidos ruiu quando os investigadores invadiram o endereço subterrâneo. Entre câmaras de ar condicionado, lubrificantes e preservativos já usados, a perícia recolheu aparelhos celulares, a contabilidade do pecado anotada em cadernos, as máquinas de cartão e o circuito interno de gravação. A investigação revelou ainda que as chaves Pix utilizadas para abastecer o caixa do bordel estavam diretamente vinculadas aos parentes da gerência. A investida na 410 Norte marca o segundo duro golpe da 2ª DP contra a exploração sexual disfarçada na região em poucos meses, deixando os frequentadores da noitada brasiliense órfãos do seu refúgio mais ardente.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/xerecada-suprema-rendia-r-15-mil-por-dia-para-cafetina-na-asa-norte.

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