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    Wolff e a matemática da filosofia

    Cássio Leite Vieira é um excelente jornalista científico que conheço há mais tempo do que gostaria de confessar: foi a primeira pessoa que me entrevistou, tem mais de três décadas, para uma matéria na revista Superinteressante. Ficamos amigos e, mesmo radicado no exterior, volta e meia ele me escreve com dicas interessantes sobre ciência . Uma das mais recentes trata de um personagem muito interessante, que eu tinha que ter conhecido antes. Leia mais (10/06/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 02:00
    Wolff e a matemática da filosofia
    Homem de meia-idade com peruca branca encaracolada, vestido com casaca marrom e colete branco bordado, olhando para a direita sobre fundo escuro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, ganhador do Prêmio Louis D., do Institut de France

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    Retrato de Christian Wolff - Wikimedia Commons · Wikimedia Commons
    Retrato de Christian Wolff - Wikimedia Commons · Wikimedia Commons — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cássio Leite Vieira é um excelente jornalista científico que conheço há mais tempo do que gostaria de confessar: foi a primeira pessoa que me entrevistou, tem mais de três décadas, para uma matéria na revista Superinteressante. Ficamos amigos e, mesmo radicado no exterior, volta e meia ele me escreve com dicas interessantes sobre ciência . Uma das mais recentes trata de um personagem muito interessante, que eu tinha que ter conhecido antes.

    Christian Wolff nasceu em 1679 numa família luterana de Breslau (hoje, a cidade polonesa de Wroclaw), que então era a capital da Silésia, região germânica que foi palco de intensas disputas entre católicos e luteranos. No colégio, aprendeu sobre o trabalho do matemático e filósofo francês René Descartes, que influenciou profundamente o seu desenvolvimento intelectual.

    Wolff via na matemática o caminho para acabar de vez com todas as disputas. "Eu estava ansioso para aprender o método matemático para transformar a teologia num domínio preciso e livre de toda a controvérsia", escreveu na sua autobiografia. Esse foi o ponto de partida do seu sistema filosófico, o wolffianismo, baseado em três princípios: usar sempre termos claramente definidos; argumentar estritamente de acordo com a análise conceitual e a inferência dedutiva; nunca usar como premissa um argumento que não tenha sido solidamente comprovado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seu primeiro trabalho foi a tese "Filosofia prática universal, escrita de acordo com o método matemático", que completou em 1703 e o habilitou como professor universitário. Uma cópia chegou ao conhecimento de Gottfried Leibniz, dando início a uma amizade que durou até a morte deste. Com a ajuda de Leibniz, conseguiu seu primeiro emprego como professor, na Universidade de Halle, onde lecionou matemática, filosofia e física.

    Nesse período escreveu inúmeros livros didáticos de matemática e filosofia, que tiveram um sucesso impressionante de público. O livro de lógica teve uma impressão inicial de 8.000 cópias –como termo comparativo, a primeira edição da "Crítica da Razão Pura", de Immanuel Kant, não passava de mil cópias– e alcançou 14 edições. E o livro sobre metafísica chegou a 12 edições.

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    Na sequência, Wolff recebeu inúmeras ofertas de emprego, inclusive na Academia de Ciências de S. Petersburgo, que declinou. E foi eleito para as principais sociedades acadêmicas do seu tempo, incluindo as de Londres , Paris , Berlim e S. Petersburgo.

    Um aspecto muito curioso é que o seu pensamento se tornou particularmente popular entre as mulheres, a ponto de terem sido publicadas apresentações específicas de suas ideias para o público feminino. Também sabemos que influenciou diversos protagonistas da independência dos Estados Unidos, como George Washington e Thomas Jefferson.

    Com o sucesso, também vieram os dissabores: invejas no meio acadêmico e controvérsias em torno de suas ideias que fizeram com que chegasse a ser banido da Prússia, em 1723. O que, aliás, só contribuiu para torná-lo ainda mais famoso em toda a Europa como mártir da razão e do iluminismo. Em 1740, o rei Frederico, o Grande, o convidou de volta para Halle, o que Wolff aceitou.

    Mas a essa altura a popularidade do wolffianismo já estava em declínio, por várias razões. A evolução da filosofia alemã. A ascensão das ideias de Kant. E a pecha de mero popularizador das ideias de Leibniz que perseguiu Wolff no final da sua vida. Quando morreu, em 1754, suas obras já praticamente não eram citadas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2026/10/wolff-e-a-matematica-da-filosofia.shtml.

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    Retrato de Christian Wolff - Wikimedia Commons · Wikimedia Commons — Foto: Folha de S.Paulo

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