Witkoff e Kushner levam plano de paz dos EUA a Kiev após reunião com Putin
Kremlin classificou encontro entre os enviados de Trump e o presidente russo como construtivo

O enviado dos EUA Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, desembarcarão em Kiev no domingo (6) para se reunir com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, após três horas de conversas com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, enquanto Washington renova seus esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia.
O Kremlin divulgou um vídeo de Witkoff e Kushner se reunindo com Putin no Kremlin na tarde de sábado (5).
O assessor do Kremlin Yuri Ushakov posteriormente descreveu as conversas como “úteis e construtivas” e disse que os representantes americanos haviam “se preparado seriamente para esta viagem”. Segundo ele, a equipe dos EUA demonstrou interesse em encerrar as hostilidades o mais rapidamente possível e apresentou “toda uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo”.

Ushakov afirmou que Witkoff e Kushner prometeram utilizar, durante as conversas com Zelensky no domingo, “as observações e avaliações que receberam pessoalmente do presidente da Rússia”.
A CNN procurou a Casa Branca e o Departamento de Estado em busca de detalhes sobre a reunião de sábado.
Witkoff e Kushner fizeram várias viagens a Moscou durante a guerra. Agora, a expectativa é que eles viajem a Kiev no domingo, pela primeira vez.

Putin disse que ordenou uma interrupção de três dias nos ataques russos contra Kiev para coincidir com a visita da delegação americana à Ucrânia, mas ressaltou que os dois lados não haviam concordado com um cessar-fogo mais amplo.
Zelensky disse que havia conversado com Witkoff e Kushner no sábado e que a Ucrânia estava pronta para suspender os ataques contra Moscou até segunda-feira.
“De agora até o fim de sábado, assim como no domingo e na segunda-feira (7), a Ucrânia está pronta para se abster de ataques contra Moscou, e esperamos que os russos façam o mesmo em relação a Kiev”, disse Zelensky em uma publicação no X.

Zelensky também afirmou: “Estamos aguardando Steve Witkoff e Jared Kushner e estamos prontos para uma conversa substantiva”.
No início da reunião de sábado, Putin reconheceu a dificuldade das negociações e pediu à delegação americana que transmitisse seus agradecimentos a Trump.
“A situação que precisamos resolver hoje, é claro, não é simples. Mas, antes de começarmos a fazer isso, quero pedir que transmitam meus melhores votos e uma palavra de gratidão ao presidente dos Estados Unidos, sr. Trump”, disse Putin.

Witkoff também adotou um tom amistoso, dizendo a Putin que “quando nos aposentarmos, teremos todas essas histórias incríveis e memórias incríveis, e as suas estarão no topo de tudo isso”.
Ushakov e Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano russo e enviado especial do Kremlin, também participaram das conversas. Após o fim do encontro, Dmitriev classificou a reunião como uma “importante visita de promoção da paz” em uma publicação no X.
Zelensky disse no início do sábado que mísseis russos haviam atingido dois aeroportos próximos a Kiev, incluindo Boryspil, que operava voos internacionais antes da guerra.

“Evidentemente, esses ataques russos a aeroportos são uma reação às discussões e preparativos referentes à possibilidade de o lado americano usar uma aeronave para chegar à Ucrânia”, disse Zelensky.
Desde o início da guerra, os líderes estrangeiros em visita têm viajado para Kyiv geralmente de trem, a partir da Polônia. Não está claro se os relatos de ataques russos alterarão os planos da delegação dos EUA.
A visita dos EUA a Kyiv ocorre em meio a ataques quase constantes de mísseis e drones russos contra a capital ucraniana, incluindo um impacto direto na sexta-feira na sede do Serviço de Segurança da Ucrânia, o SBU.
Zelensky disse que uma escassez grave de interceptadores de defesa aérea deixou a Ucrânia vulnerável a ataques de mísseis balísticos.
Trump descreveu Witkoff e Kushner como “grandes negociadores” na Casa Branca na sexta-feira.
“Eles estão trazendo consigo uma proposta para acabar com a guerra”, disse Trump, acrescentando que “pode haver uma boa chance de fazermos isso”.
“Ontem o próprio Trump disse que não se fala em novas ideias. Essa foi uma declaração do presidente dos EUA”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, quando questionado se os mediadores dos EUA estavam levando novas propostas para acabar com a guerra.
‘Realidades no terreno’ Autoridades russas indicaram que a posição de Moscou permanece inalterada.
“A administração dos EUA deve levar em consideração as realidades no terreno na questão do acordo ucraniano, onde a situação está mudando não a favor de Kyiv”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, à mídia estatal russa TASS.
Uma série de importantes cidades industriais na região oriental de Donetsk está sob crescente ameaça, à medida que as forças russas avançaram gradualmente nos últimos meses.
Ataques russos continuaram em outras partes da Ucrânia durante a noite de sexta-feira para sábado, incluindo ataques com mísseis contra portos do Mar Negro e uma fábrica na região central de Dnipropetrovsk.
Antes da visita dos mediadores dos EUA, Zelensky disse na sexta-feira:
“Nosso objetivo é ter uma visita e negociações com o lado americano que sejam o mais construtivas e substantivas possível. Precisamos buscar opções realistas sobre como pôr fim a esta guerra.”
Por que Donetsk é ponto de discórdia para encerrar guerra na Ucrânia?
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/witkoff-e-kushner-levam-plano-de-paz-dos-eua-a-kiev-apos-reuniao-com-putin/.

Jared Kushner e Steve Witkoff • 12 de abril de 2026Jacquelyn Martin/Pool via REUTERS · • 12 de abril de 2026Jacquelyn Martin/Pool via REUTERS — Foto: CNN Brasil
Compartilhe
Espalhe essa notícia

