Brasil

    Wasabi fresco realça sabor e não queima a língua, diferente da pasta verde vendida no mercado

    Poucos restaurantes no Brasil oferecem o wasabi que, no Japão , acompanha preparos como sushis e sashimis. Diferentemente da pasta verde encontrada em muitos supermercados, as propriedades do ingrediente vão além da ardência presente. Leia mais (08/20/2026 - 15h26)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 18:26
    Wasabi fresco realça sabor e não queima a língua, diferente da pasta verde vendida no mercado
    Nigiri com fatia de atum rosada e marmorizada sobre arroz branco, com uma pequena porção de wasabi verde no topo, servido em superfície de madeira. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Poucos restaurantes no Brasil oferecem o wasabi que, no Japão , acompanha preparos como sushis e sashimis. Diferentemente da pasta verde encontrada em muitos supermercados, as propriedades do ingrediente vão além da ardência presente.

    Sushi de atum bluefin espanhol com wasabi fresco ralado por cima, do Satori Omakase - Divulgação · Divulgação
    Sushi de atum bluefin espanhol com wasabi fresco ralado por cima, do Satori Omakase - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando ralada e fresca , ela corta a gordura, realça o dulçor do peixe e limpa o paladar. Mas quem oferece a iguaria precisa comprá-la, em geral, de fornecedores do Japão —há apenas um brasileiro em escala comercial.

    O cultivo é difícil de ser feito em larga escala. Demanda ambiente com temperatura controlada, água limpa e gelada e oferta regular de nutrientes específicos. Com todos os fatores ajustados, o resultado vem dois anos depois da semente ser plantada.

    O wasabi usado no Japão é extraído do rizoma (caule que cresce debaixo da terra) da planta Eutrema japonicum, que mede cerca de 20 centímetros e pesa 50 gramas. Já a pasta usada em muitos restaurantes é feita de uma mistura de raiz-forte, mostarda e corantes. Wasabi e raiz-forte são plantas diferentes, mas parentes botânicos, explica Telma Shimizu, chef do Aizomê e embaixadora para difusão da cultura e culinária nipônica no Brasil.

    Confira imagens de wasabi fresco
    Confira imagens de wasabi fresco — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Enquanto o wasabi tem sabor mais complexo, fresco e leve adocicado, a raiz-forte é mais rústica e menos complexa", diz a chef. "Mas wasabi industrializado não deve ser condenado, existem pastas japonesas de alta qualidade que ajudaram a popularizar esse condimento", completa.

    No Satori Omakase , em Pinheiros, região oeste de São Paulo, o wasabi vem de Shizuoka, no centro do país asiático. A região tem rios abastecidos pelo degelo das montanhas em volta, o que favorece o cultivo da planta. O chef Allan Beckmann, 28, recebe o produto inteiro toda semana.

    Ele afirma que o preço pago pelo quilo tem variado entre R$ 3.500 e R$ 5.000. Porém, o consumidor final pode gastar até R$ 10 mil pela mesma quantidade.

    A produção de wasabi no Japão durante a pandemia
    A produção de wasabi no Japão durante a pandemia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    "Sushis e outros preparos, como o yakitori (espeto), já são servidos com a medida correta de wasabi", diz Beckmann. "No caso dos sashimis, podemos servir à parte, mas se o cliente quiser mais, também oferecemos."

    Além de adicionar sabor herbal e leve adocicado às peças de sushi, sua picância é sentida no nariz em vez da língua, sem deixar sensação de ardência prolongada, como a pimenta. O wasabi também exerce função bactericida na comida, em especial nos preparos com peixe cru.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora o clima seja desfavorável para cultivar wasabi no Brasil, o engenheiro agrônomo Vinícius Shizuo Abuno, 30, consegue produzir entre 20 e 25 quilos da raiz por mês, em Pilar do Sul (SP), vendidos em uma faixa de R$ 2.000 a R$ 4.000. Para isso, testou métodos de manejo e construiu uma estufa com água corrente e gelada.

    "A planta não consegue crescer e pode morrer se ficar em ambiente acima de 14°C", afirma ele.

    Hoje, a fazenda de Pilar do Sul é a única no país a cultivar em grande quantidade. E, por causa do sistema controlado, cerca de 15 restaurantes recebem sua produção de wasabi fresco em todas as semanas do ano.

    imagem para compartilhamento e chamadas do produto receitaí
    imagem para compartilhamento e chamadas do produto receitaí — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Shizuo diz que o wasabi precisa ser ralado na frente do cliente porque, assim, seus compostos aromáticos, que são extremamente voláteis, atingem seu pico.

    "Ajuda a cortar a gordura de peixes como atum toro e destaca o dulçor natural dos ingredientes", conta Tsuyoshi Murakami, chef do restaurante de mesmo nome nos Jardins , que usa a versão nacional. Também combina com a salinidade do shoyu que deixa o conjunto mais equilibrado."

    Além de preparos com peixe cru, o wasabi acompanha pratos quentes, como carnes grelhadas, frutos do mar, udon e preparos à base de tofu, diz Murakami. "Usamos em molhos, manteigas e purês para dar complexidade."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/comida/2026/08/wasabi-fresco-realca-sabor-e-nao-queima-a-lingua-diferente-da-pasta-verde-vendida-no-mercado.shtml.

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    Sushi de atum bluefin espanhol com wasabi fresco ralado por cima, do Satori Omakase - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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