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    Warner e Paramount dão à luz Skydance em Hollywood que se entrega a Trump

    Fusão enfim se concretiza após meses de entraves na Justiça

    UOL
    6 de outubro de 2026 às 21:00
    Warner e Paramount dão à luz Skydance em Hollywood que se entrega a Trump
    Foto: UOL

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    'Back of Hollywood', obra de Edward Ruscha - Reprodução

    'Back of Hollywood', obra de Edward Ruscha - Reprodução · Reprodução
    'Back of Hollywood', obra de Edward Ruscha - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nem Paramount nem Warner Bros. Discovery . Agora que a fusão bilionária entre as empresas enfim se concretizou, nesta terça, o estúdio de David Ellison —que absorve agora a dona dos heróis da DC , de " Looney Tunes ", do bruxo Harry Potter e de tantos outros— anunciou que a companhia será batizada de Skydance.

    O nome vem da produtora original de Ellison, criada em 2006 e que controla a Paramount desde o ano passado. Essa "dança dos céus", em tradução literal, reflete a ambição do CEO, que promete lançar 30 filmes nos próximos dois anos e mais 32 nos três anos seguintes.

    É um número alto na comparação com o que chegou aos cinemas no ano passado, quando a Warner lançou 11 filmes e a Paramount —dona de sagas como " Star Trek ", " Missão: Impossível " e " O Poderoso Chefão "— nove.

    Pintura 'Hollywood', de Thomas Hart Benton, de 1937-38 - Reprodução · Reprodução
    Pintura 'Hollywood', de Thomas Hart Benton, de 1937-38 - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Apesar de esses estúdios estarem entre os mais tradicionais do ramo, a pesquisadora americana Amanda Lotz diz que o número de produções anuais pode diminuir, já que as ondas de demissões que marcaram as empresas nos últimos anos devem continuar.

    A meta difícil de ser atingida, porém, não é a única preocupação de quem critica o acordo de US$ 110 bilhões, cerca de R$ 548 bilhões, desde o anúncio em fevereiro, quando Ellison superou a Netflix na disputa por um estúdio assolado por grandes dívidas.

    O cenário da união entre a Warner e o serviço de streaming, anunciada no fim de 2025, causou preocupações pelo que poderia representar para as salas de exibição e para a concentração de mercado. Agora, há quem diga que o elo entre a Paramount e Donald Trump deve subordinar parte de Hollywood aos desejos do presidente e reduzir a liberdade criativa.

    Veja alguns dos títulos da HBO e da Warner Channel
    Veja alguns dos títulos da HBO e da Warner Channel — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Não à toa, há quase um ano, o americano decidiu suprir a carência de "masculinidade clássica" e exigir a volta de " A Hora do Rush ". O resultado foi o anúncio do quarto longa da saga de ação, a ser dirigido por Brett Ratner . Em janeiro, após anos afastado da indústria por acusações de crimes sexuais, o diretor lançou um documentário sobre a primeira-dama, Melania Trump .

    Por trás dessa relação está o pai do chefe da Paramount, Larry Ellison , um dos fundadores da big tech Oracle , apoiador de campanhas do republicano e membro de seu conselho de ciência e tecnologia. Chamado por detratores de "presidente das sombras", ele é hoje um dos conselheiros mais próximos a Trump e acompanhou de perto as negociações entre a Paramount e a Warner.

    É que a fusão precisou passar pela Justiça americana, que aprovou, na semana passada, após meses de impasse , um acordo com uma coalizão entre 12 estados, liderados pela Califórnia. A terra dos estúdios havia tentado bloquear a fusão, afirmando que isso causaria demissões em massa —Ellison diz que cortes operacionais estão por vir, frente a uma dívida conjunta de US$ 80 bilhões— e impactaria negativamente os custos de produção.

    Conheça clássicos e blockbusters produzidos pelaParamount
    Conheça clássicos e blockbusters produzidos pelaParamount — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A conclusão foi que o processo não trará riscos à concorrência —mesmo que grupos como o Cinema United , maior entidade de exibidores americanos, apontem que a Skydance dominará 40% do calendário de estreias. No Brasil, o Cade , o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, entendeu que o mercado de distribuição nacional é capaz de lidar com a fusão, sem restrições.

    Os trâmites com a Justiça americana resultaram num acerto que, fora a meta de lançamentos —que estipula ainda uma janela exclusiva nos cinemas de 45 dias—, prevê obrigações milionárias com grupos como o sindicato de roteiristas e atores americanos e a criação de um conselho para garantir a isenção da CNN , emissora que pertencia à Warner, e da CBS News , da Paramount —hoje dirigida pela jornalista conservadora Bari Weiss, nomeada por Ellison.

    A Skydance terá seis meses para nomear os cinco membros desse time, que poderá ter no máximo duas pessoas de um mesmo partido. Na prática, porém, o órgão não poderá impedir contratações ou demissões de diretores. Veículos como o jornal The Washington Post sugerem ainda que esse conselho será apenas simbólico.

    Em 2015, 'South Park' já satirizava Donald Trump
    Em 2015, 'South Park' já satirizava Donald Trump — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A CNN e a CBS vêm de meses de atritos com Trump, que as acusa de divulgar informações falsas e tentar manipular a opinião pública. Recentemente, inclusive, a CNN processou o governo por violar a Primeira Emenda, que garante a livre expressão, após seus profissionais terem sido vetados na Casa Branca . Apesar de ter vencido o caso, a emissora segue impedida de cobrir eventos específicos.

    A aquisição também recebeu o aval da Comissão Federal de Comunicações americana, a FCC, que regula a mídia no território do país. Para a aprovação, o órgão exigiu que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, entre outros países estrangeiros que participaram como investidores, não opinem sobre linhas editoriais, produções audiovisuais e o quadro de executivos.

    Em 2025, a FCC também aprovou a união entre a Paramount e a Skydance original, transação avaliada em US$ 8 bilhões. Antes de obter a aprovação, o estúdio também pôs fim a uma ação milionária em que era alvo de Trump. Ele acusava a CBS de ter favorecido a adversária Kamala Harris durante as eleições.

    Veja cenas do filme 'Digger', com Tom Cruise
    Veja cenas do filme 'Digger', com Tom Cruise — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na mesma época, sob o pretexto de cortes financeiros, a rede cancelou uma de suas principais atrações — The Late Show with Stephen Colbert , talk show líder de audiência no país, que costumava satirizar o político. Pouco antes, a Paramount adiou a 27ª temporada de " South Park ", que retratou Trump como um amante de Satanás.

    Com o anúncio de que os chefes da Paramount Pictures, Dana Goldberg e Josh Greenstein, serão os responsáveis por coordenar os estúdios —ainda que a ideia seja manter duas estruturas de produção—, longas de teor crítico, como o premiado " Uma Batalha Após a Outra ", que denuncia as atuais políticas de imigração, e o recém-lançado " Digger ", ambos feitos pela Warner, podem sumir da lista de grandes estreias.

    O último, dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu , retrata um magnata egoísta que provoca um apocalipse ambiental. O longa de US$ 150 milhões naufragou nas bilheterias e tem sido descrito como um fim simbólico para a Warner, um dos poucos estúdios que, mesmo entre fracassos recentes, insistia em lançar obras originais num mercado saturado de continuações.

    Veja imagens do ator Mark Ruffalo
    Veja imagens do ator Mark Ruffalo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Editor da revista Screen Daily, Jeremy Kay diz temer o impacto da fusão sobre filmes independentes, que costumam ser ainda mais provocativos. Segundo o acordo, 20% dos lançamentos anuais da Skydance devem ser blockbusters, e a empresa só precisa se preocupar com 4 longas independentes ao ano.

    Enquanto isso, as séries da HBO Max , que pertencia à Warner, continuam sendo aclamadas por narrativas que abordam temas espinhosos. Há dois meses, por exemplo, uma atração com o personagem Lanterna Verde pôs o herói numa guerra étnica entre humanos e alienígenas. Já a premiada " The Pitt " dedicou um episódio da última temporada a denunciar abusos do ICE , o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

    Ainda não há uma data para a junção entre a plataforma e o Paramount+, mas o teor das produções pode ser alterado no futuro, embora David Ellison tenha prometido manter a essência da HBO. Com a integração entre dois catálogos digitais extensos, é esperado, também, que o valor das assinaturas aumente pelo mundo.

    Letreiro de Hollywood visto de trás em colina escura contra céu com gradiente do amarelo ao vermelho intenso no pôr do sol.
    Letreiro de Hollywood visto de trás em colina escura contra céu com gradiente do amarelo ao vermelho intenso no pôr do sol. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Do lado da Paramount, o estúdio tem sido criticado por títulos como " Ebenezer ", filme previsto para novembro com o polêmico Johnny Depp , longe de Hollywood desde os embates com a ex-mulher, a atriz Amber Heard. Apesar do sucesso nas bilheterias, "Pânico 7", por sua vez, esteve no centro de polêmicas após Melissa Barrera , a estrela de capítulos anteriores, ter sido demitida por defender a Palestina.

    Ela e Mark Ruffalo estão entre os principais artistas que têm sido punidos por criticar as ações de Israel em Gaza. Há pouco tempo, Ruffalo liderou um movimento oposto à fusão dos estúdios e foi acusado por Larry Ellison, pai do CEO da Paramount, de antissemitismo . Em agosto, o ator divulgou um vídeo que cita "tecnologias assustadoras" da Oracle, a big tech do empresário, e que teriam ligações com militares israelenses.

    "Nunca foi apenas uma fusão. Era uma luta contra bilionários oligarcas corruptos que atropelam os interesses dos outros", escreveu o artista na semana passada. "Ainda estamos nessa luta."

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/warner-e-paramount-dao-a-luz-skydance-em-hollywood-que-se-entrega-a-trump.shtml.

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