Voto útil, Sudeste e evangélicos: as apostas de Flávio para a última semana
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Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, participa de ato de campanha em Juiz de Fora (MG), cidade onde seu pai, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado durante a corrida presidencial de 2018. Foto: Pilar Olivares/Reuters
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega à última semana antes do primeiro turno tentando reunir votos ainda divididos entre candidaturas de direita. A campanha combina agendas no Sudeste, apoio de lideranças regionais e um pedido direto de voto útil aos eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
O movimento ocorre após o senador se aproximar numericamente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de votos da última semana. No Datafolha divulgado nesta quinta-feira (24), Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio . Cury tem 5%; Caiado, 4%; Renan, 3%; e Zema, 1%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O PL considera essas candidaturas a principal reserva de votos disponível antes da eleição. Em uma simulação de segundo turno contra Lula, Flávio recebe 43% dos votos desses eleitores. Lula fica com 30%. Outros 26% indicam voto branco, nulo ou nenhum.
A ofensiva já aparece nas redes sociais e em discursos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Publicações pedem que eleitores da direita abandonem outros candidatos e votem em Flávio ainda no primeiro turno e o pedido do senador para que os eleitores da direita não “desperdicem seus votos”.
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Depois de passar pelo Nordeste, Flávio reforça a presença no Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas Gerais. A meta é ampliar sua vantagem entre os paulistas e tentar terminar o primeiro turno à frente de Lula entre os mineiros. No Nordeste, a campanha busca apenas reduzir a vantagem histórica do PT.
Minas recebeu atenção especial nos últimos dias, com agendas ao lado de Nikolas Ferreira (PL). Nesta sexta-feira (25), Flávio vai ao Rio de Janeiro. Depois, participa de um rodeio em Jaguariúna, no interior paulista, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
São Paulo é estratégico por ser o maior colégio eleitoral do país. O estado também permite a associação com Tarcísio, tratado durante parte da pré-campanha como alternativa presidencial da direita e com forte aceitação entre o eleitorado do estado.

Na quarta-feira (23), Flávio reuniu em São Paulo governadores, senadores e candidatos de diferentes estados. O grupo gravou vídeos e fez transmissões para os eleitorados locais. Participaram Tarcísio, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Tereza Cristina (PP), Sergio Moro (PL) e outras lideranças.
A ideia é adaptar a campanha nacional a cada estado. O pedido de voto passa a vir acompanhado de figuras conhecidas localmente. Os vídeos serão usados até o primeiro turno.
O objetivo é criar uma rede de apoio cruzado. Candidatos locais ajudam a levar Flávio a seus eleitorados. Ele tenta transferir a mobilização bolsonarista para as disputas estaduais.

O Senado ocupa espaço importante nesse discurso. Flávio afirma que precisará de uma bancada numerosa para aprovar sua agenda no Congresso. Isso inclui eventuais confrontos com o Supremo Tribunal Federal.
O eleitor evangélico continua no centro da reta final. Flávio intensificou referências religiosas nos discursos. Associou sua candidatura a ideias como “propósito” e preparação divina. Também ampliou encontros com pastores e lideranças do segmento.
O desafio é transformar preferência em comparecimento. Como há poucos indecisos na pesquisa estimulada, mobilizar quem já tende a votar em Flávio pode ser tão importante quanto conquistar novos eleitores.

A abstenção é um fator capaz de alterar o resultado eleitoral. Em uma disputa apertada, a identificação com um candidato precisa se converter em presença nas urnas.
A última frente é defensiva: evitar crises. Com a aproximação de Lula nas pesquisas, aliados avaliam que Flávio precisa preservar a trajetória da candidatura. A campanha orientou apoiadores a ter cautela em entrevistas e declarações improvisadas sobre temas sensíveis.
A expectativa é de que o candidato mantenha o foco no desgaste do governo e no antipetismo. Ao mesmo tempo, precisa evitar um episódio capaz de alterar o ciclo de notícias.

O debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, também faz parte dessa estratégia. Flávio indicou que só participará se Lula comparecer.
Com Lula quatro pontos à frente no Datafolha e os demais candidatos ainda somando uma parcela relevante do eleitorado, a disputa não será apenas pelos indecisos, mas na busca por eleitores de direita que já escolheram um campo, mas ainda não optaram por Flávio Bolsonaro.
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