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    Voto de cabresto: MPT recebe denúncia de "sequestro" de títulos eleitorais

    Ministério Público do Trabalho também está em alerta para evitar que empresas tentem impedir trabalhadores de votar nas eleições

    Metrópoles
    21 de setembro de 2026 às 05:07
    Voto de cabresto: MPT recebe denúncia de "sequestro" de títulos eleitorais
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    O Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) recebeu denúncia de uma nova forma de assédio eleitoral: o “sequestro” dos dados eleitorias de empregados. A prática é uma versão moderna do antigo voto de cabresto.

    A procuradora do trabalho Geny Helena Marques tomou conhecimento da prática durante reuniões com entidades sindicais, para conscientizar os trabalhadores e criar parcerias no combate contra o assédio eleitoral.

    “Em um desses eventos, tomei conhecimento que empresas estariam – foi usado esse termo – sequestrando o título eleitoral dos trabalhadores e das sua família para verificar a zona e a seção eleitoral onde votavam”, afirmou.

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    Com base nas informações eleitorais dos empregados e de suas famílias, a empresa faria o computo do número de votos de cada seção e zona eleitoral teria, para verificar se batia com o candidato apoiado.

    Segundo a procuradora, haveria a ameaça de demissão em massa se o candidato apoiado não alcançasse os votos esperados após a contagem das urnas.

    O voto é secreto. Mas o atual sistema eleitoral permite o mapeamento do desempenho dos canditados por estado, cidade e zona eleitoral.

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    “Isso é o voto de cabresto. Literalmente. É herança de coronelismo e não podemos nem vamos normalizar”, alertou a procuradora.

    No dia 29 de agosto, o Ministério Público enviou recomendações preventivas para empresas de segurança e asseio e conservação. Segundo os ofícios, as empresas não podem adotar esse tipo de prática.

    “Solicitei se possuíam esses dados e para quê possuíam. E, se não fosse uma justificativa plausível para a atividade, que esses dados fossem eliminados”, completou.

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    Segundo definiçao do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto de cabresto era aquele em que o eleitor escolhia um candidato por determinação de um chefe político ou cabo eleitoral. Frequentemente, o cidadão nem sabia em quem votava. Por isso, nasceu a denominação “eleitor de cabresto”.

    O “eleitor de cabresto” era aquela pessoa que votava não de acordo com a sua consciência ou preferência política, mas com base nas instruções e ordens dadas por um “cabo eleitoral” ou “chefe político” local. Eram transportados para os “currais eleitorais”, onde recebiam alimentos. E saíam na hora de votar na seção eleitoral.

    O MPT fará plantão presencial nos dias de votação. Segundo a procuradora, em eleições passadas, houve denúncia de empresas que teriam impedido a saída dos colaboradores para votar pelo fato de terem posições políticas diferentes daquelas mantidas pelos patrões.

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    Empresas de vigilância, limpeza, conservação e supermercados funcionam aos domingos. “Eu coloco o seu turno exatamente no período de votação e te impeço de votar. Porque o seu voto é contrário ao candidato que eu quero. Isso aconteceu. E a gente está preparado para que não aconteça novamente”, afirmou.

    As denúncias são ferramentas fundamentais no combate contra o assédio eleitoral. Trabalhadores podem apresentar as queixas para as entidades sindicais e ao MPT, presencialmente ou pelo link . No caso do Ministério Público do Trabalho, a denúncia pode ser feita abertamente, de forma anônima ou sob sigilo.

    “Qual é a dificuldade da denúncia anônima? Se a denúncia vier faltando algum dado que seja indispensável, importante para a investigação, a gente não consegue entrar em contato com o trabalhador. Na denúncia sigilosa, a gente mantém as informações sobre sigilo, o trabalhador não é identificado, como na anônima, mas a gente pode entrar em contato”, explicou.

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    Voto de cabresto: MPT recebe denúncia de “sequestro” de títulos eleitorais - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O trabalhador deve reunir e apresentar o maior número de possível de provas na denúncia, como prints de WhatsApp e publicações de redes sociais, por exemplo. Nos casos de mensagens com visualização ou escuta única, o empregador pode tirar foto ou gravar com outro aparelho antes que elas sejam apagadas.

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    Voto de cabresto: MPT recebe denúncia de “sequestro” de títulos eleitorais - imagem 2 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/voto-de-cabresto-mpt-recebe-denuncia-de-sequestro-de-titulos-eleitorais.

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