Política

    Vorcaro temia pagar Barci por Pix: “Não é bom”

    Relatório da Polícia Federal reproduz conversa em que fundador do Banco Master questiona funcionário sobre pagamento ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes

    Poder360
    1 de setembro de 2026 às 20:00
    Vorcaro temia pagar Barci por Pix: “Não é bom”
    Viviane Barci e Daniel Vorcaro — Foto: Poder360

    Relatório da Polícia Federal reproduz conversa em que fundador do Banco Master questiona funcionário sobre pagamento ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes

    O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, demonstrou preocupação com o uso do Pix para realizar pagamentos ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes .

    Em 1º de outubro de 2025, Alberto Felix, responsável por operações financeiras de Vorcaro, informou ao banqueiro que havia realizado pagamentos pendentes. Na conversa, que faz parte da investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master, não é citado o valor do pagamento. Mas, entre eles, estava um repasse ao escritório Barci de Moraes.

    Na imagem, a advogada Viviane Barci de Moraes (à esq.) e Daniel Vorcaro (à dir.), fundador do Master
    Na imagem, a advogada Viviane Barci de Moraes (à esq.) e Daniel Vorcaro (à dir.), fundador do Master — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Vorcaro questionou imediatamente a forma de pagamento:

    “ Mas nao faz barci pix ne? ”, questionou.

    Felix respondeu que havia feito a transferência por Pix, para os mesmos dados bancários usados para uma TED –modalidade de transferência de valores que caiu em desuso depois da chegada do Pix.

    Imagem da matéria
    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    “ Fez, nao pode? Foi pix para os mesmos dados da ted ”, respondeu.

    A grafia original das conversas foi mantida, inclusive com eventuais erros de português, para preservar a fidelidade aos dados da investigação.

    A conversa consta do relatório produzido pela Polícia Federal a partir do celular apreendido do banqueiro. Na legenda da imagem que reproduz o diálogo, a PF registra que Vorcaro orientou Felix a não fazer pagamentos ao escritório Barci de Moraes por Pix.

    O relatório não esclarece por que Vorcaro considerava o Pix inadequado. O diálogo apenas registra a reação de Vorcaro ao saber que o pagamento havia sido feito por esse meio.

    O episódio foi registrado durante a relação financeira entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.

    A preocupação com a forma de pagamento aparece no relatório depois de outros registros sobre o desejo de manter restrito o acesso ao contrato com o escritório. Em 14 de julho de 2025, Vorcaro orientou um funcionário para que ninguém tivesse acesso ao documento.

    O contrato com o escritório Barci de Moraes era tratado diretamente por Vorcaro e seus funcionários.

    O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o escritório Barci de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

    As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master. Eis a íntegra do documento (PDF – 5 MB)

    A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

    O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

    Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.

    A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo” , porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.

    O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação .

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/vorcaro-temia-pagar-barci-por-pix-nao-e-bom/.

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    Na imagem, a advogada Viviane Barci de Moraes (à esq.) e Daniel Vorcaro (à dir.), fundador do Master — Foto: Poder360

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