Vorcaro e Sicário acessaram documentos sigilosos de DP em Juiz de Fora
Esquema seria liderado por policial federal aposentado. PF aponta que sistema de invasão conseguia acessar documentos até mesmo da Interpol

O relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) indica que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário , acessaram investigações sigilosas de uma delegacia de polícia em Juiz de Fora, Minas Gerais.
A informação consta no inquérito da Corte sobre o caso, que teve sigilo derrubado na quinta-feira (10/9).
A suspeita é de que o esquema criminoso era viabilizado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, preso durante a investigação. Ele é descrito como a figura que garantiria que outros policiais suspeitos de envolvimento no caso cumprissem as ordens de Vorcaro em Belo Horizonte.

“Não obstante, a evidência acima comprova que a organização criminosa conseguiu realizar, indevidamente, pesquisas no sistema ePol, que é de acesso exclusivo de policiais federais. Diante da gravidade de tal acesso, foi determinada a imediata realização de auditoria nos sistemas da PF, diligência que se encontra em curso e revelou, até agora, que o acesso indevido partiu da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora/MG”, diz o documento. A imagem obtida pela investigação mostra a tela do sistema eletrônico da polícia e inquéritos com o nome de Daniel Vorcaro. As informações são confidenciais e, em tese, não poderiam ser acessadas pelo banqueiro e seus aliados.
Luiz Phillipi Mourão e Marilson Roseno da Silva integravam “A Turma”, um dos grupos liderados pelo dono do Master que atuavam de forma articulada para acessar dados protegidos e pressionar pessoas de interesse do banqueiro . A investigação classificou como uma espécie de milícia privada de Vorcaro.
Luiz Phillipe Machado Mourão, é conhecido como "Felipe Mourão" e Sicário

Sicário fazia parte de milícia privada de Vorcaro
Ministro do STF André Mendonça derrubou sigilo de investigação
A PF aponta os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

Segundo o documento, o nível de sofisticação e de espionagem em órgãos policiais alcançado pela Turma era tão grande que chegavam a ter acesso a organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
“No dia 24/10/2025, às 16:31:50, Felipe Mourão reencaminhou um print de tela com o logotipo da Interpol e mensagens com as seguintes frases ‘o que está em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa’ e na sequência ‘Estamos aguardando o relatório principal do FBI’, ‘A interpol está limpa’”, diz trecho do documento.
Sicário morreu em 6 de março. A Polícia Federal relatou que ele tentou suicídio na Superintendência Regional da PF depois de ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Após dois dias internado, foi declarado morto.

O ministro André Mendonça, do STF, atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou, na noite dessa quinta-feira (10/9), o sigilo de parte da investigação sobre o Caso Master. O magistrado é o relator do caso e, por isso, ele tem o poder de retirar o sigilo do processo.
Segundo Fachin, a medida é necessária devido à inclusão na pauta do plenário da análise do relatório feito pela Polícia Federal que apontou suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do banco Master. A votação está marcada para a próxima terça-feira (15/9).



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/vorcaro-e-sicario-acessaram-documentos-sigilosos-de-dp-em-juiz-de-fora.

Reprodução/Internet — Foto: Metrópoles
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