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    Volkswagen aposta em plano de reestruturação para enfrentar crise

    A Volkswagen conquistou o apoio de seus sindicatos para realizar a mais ampla reestruturação nos 89 anos de história da montadora alemã. Mas os maiores desafios para a empresa e seu CEO, Oliver Blume, ainda estão por vir.

    UOL
    7 de setembro de 2026 às 08:00
    Volkswagen aposta em plano de reestruturação para enfrentar crise
    Vários carros estacionados em fila em frente a prédio branco com logo e nome da Volkswagen. Árvores verdes alinham-se entre os veículos e a fachada da fábrica. — Foto: UOL

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    A Volkswagen conquistou o apoio de seus sindicatos para realizar a mais ampla reestruturação nos 89 anos de história da montadora alemã. Mas os maiores desafios para a empresa e seu CEO, Oliver Blume, ainda estão por vir.

    Carros estacionados em frente à sede da Volkswagen na Alemanha - Jens Schluter - 9.jul.26/AFP · Jens Schluter - 9.jul.26/AFP
    Carros estacionados em frente à sede da Volkswagen na Alemanha - Jens Schluter - 9.jul.26/AFP · Jens Schluter - 9.jul.26/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Após surpreender os investidores nesta semana com um acordo para eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho , Blume precisa colocar seu plano em prática, reduzindo custos que, segundo suas estimativas, são 30% superiores aos dos concorrentes e cortando a capacidade de produção em mais de 500 mil veículos por ano.

    O acordo trabalhista "dá algum fôlego à Volkswagen, mas, no fundo, o problema está apenas sendo adiado", afirmou Matthias Schmidt, analista do setor automobilístico na Alemanha.

    A Volkswagen precisa enfrentar uma série de desafios, da crescente concorrência chinesa às tarifas dos Estados Unidos , que corroeram suas margens de lucro e ameaçaram sua sobrevivência.

    Montadoras fazem promoções no início do segundo semestre; veja preços
    Montadoras fazem promoções no início do segundo semestre; veja preços — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O acordo alimentou a esperança de que a icônica empresa alemã —e, de modo mais amplo, o combalido setor industrial do país— possa superar esses obstáculos. Ao mesmo tempo, ressalta o sofrimento que empresas e funcionários provavelmente enfrentarão à medida que os negócios se tornarem mais enxutos e menos complexos.

    As ações da Volkswagen subiram quase 6% na sexta-feira (4), o maior ganho diário em quase nove meses. Mesmo assim, a empresa perdeu cerca de um quarto de seu valor neste ano.

    O plano elevaria para cerca de 100 mil o total de postos de trabalho eliminados até 2030, o equivalente a 15% da força de trabalho global da empresa. Também reduziria pela metade o número de modelos da Volkswagen e diminuiria a produção para 9 milhões de carros por ano, ante a meta de 12 milhões estabelecida antes da pandemia de COVID-19. Muitos detalhes, incluindo o destino de quatro fábricas alemãs, ainda não foram definidos.

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    A empresa afirmou que essas unidades, localizadas em Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm, não têm um futuro claro após 2030. Ainda assim, pode haver maneiras de evitar o fechamento, possivelmente convertendo as fábricas para uso pela indústria de defesa, enquanto a Alemanha amplia seus gastos para conter a ameaça militar da Rússia.

    Blume disse que já há negociações em andamento com empresas do setor. É improvável, porém, que essas medidas compensem o declínio da Volkswagen.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "As pessoas se esquecem do tamanho da indústria automobilística", afirmou Harald Hendrikse, diretor administrativo do Citi Research. "A possibilidade de salvar todos esses empregos e toda essa capacidade com a indústria de defesa é zero."

    Entre outras opções, estão vender no mercado europeu carros desenvolvidos na China ou compartilhar a capacidade de produção na Europa com parceiros chineses.

    Depois de décadas de crescimento na China, o maior mercado automobilístico do mundo, as vendas da Volkswagen no país despencaram à medida que as empresas chinesas avançaram rapidamente na transição para os carros elétricos. A companhia também enfrenta forte concorrência de rivais chinesas em seu mercado doméstico.

    Nos Estados Unidos, o governo praticamente proibiu os carros fabricados por empresas chinesas por meio de tarifas muito elevadas e outras restrições, mas, ainda assim, a Volkswagen tem enfrentado dificuldades nesse mercado.

    A "rápida ascensão da China realmente pegou as montadoras estrangeiras de surpresa, sobretudo as alemãs", afirmou Jacob Gunter, especialista em China do Mercator Institute for China Studies.

    As importações mais baratas da China vêm intensificando os apelos por medidas mais duras para combater o que as empresas consideram concorrência desleal. Incentivadas por subsídios governamentais, as montadoras chinesas começaram a se concentrar em veículos elétricos anos atrás e fizeram investimentos que lhes permitiram aproveitar a forte demanda por esses modelos. Cerca de 1 em cada 5 veículos novos vendidos na Europa é elétrico.

    Na Alemanha, mais da metade das empresas apoia medidas mais rigorosas da União Europeia para enfrentar as "distorções da concorrência", mesmo que isso implique preços mais altos, tarifas ou retaliação chinesa, segundo uma pesquisa publicada nesta semana pela Câmara Alemã de Comércio e Indústria.

    Se o atual ambiente regulatório permanecer inalterado, as montadoras chinesas poderão triplicar sua participação no mercado automobilístico europeu, chegando a até 30% em 2035, afirmou Hendrikse, analista do Citi. Uma postura mais agressiva em relação a Pequim poderia desacelerar o avanço da China, ainda que modestamente. Estender aos veículos híbridos as tarifas impostas aos carros elétricos chineses poderia limitar a participação de mercado da China a cerca de 25%, estimou.

    "Isso dá mais tempo à Volkswagen para lidar com essas fábricas", disse. "Se não protegermos o mercado europeu e sua capacidade de gerar lucros, essas empresas simplesmente deixarão de existir."

    Na tentativa de melhorar a competitividade europeia e enfrentar a China, o acordo da Volkswagen poderia servir de modelo para outras empresas. Os investidores duvidavam que a companhia conseguisse chegar a um acordo trabalhista, o que alimentou especulações de que a equipe de gestão poderia tentar contornar o conselho de supervisão e recorrer diretamente aos acionistas por meio de uma assembleia extraordinária.

    Os trabalhadores da Volkswagen, assim como nas montadoras alemãs Mercedes-Benz e BMW, ocupam metade das 20 cadeiras do conselho de supervisão. Os acionistas têm as outras 10. Na Volkswagen, porém, duas dessas cadeiras são ocupadas pelo estado da Baixa Saxônia, que detém 20% das ações com direito a voto da empresa.

    "O debate no mercado nunca foi sobre se a Volkswagen enfrentava desafios", escreveram analistas do Deutsche Bank em uma nota divulgada na sexta. "A questão era se esses desafios poderiam, de forma realista, ser enfrentados dentro da complexa estrutura de governança da Volkswagen. O acordo da noite passada não encerra esse debate, mas oferece a evidência mais forte até agora de que a resposta pode ser sim."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/volkswagen-aposta-em-plano-de-reestruturacao-para-enfrentar-crise.shtml.

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