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    Voepass: comandante do voo foi promovido sem experiência, diz PF

    Corporação aponta que Romano foi promovido sem cumprir regra da Voepass e que ascensão rápida teria sido usada para omitir falhas

    Metrópoles
    8 de agosto de 2026 às 11:55
    Voepass: comandante do voo foi promovido sem experiência, diz PF
    Foto: Metrópoles

    O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre a queda do avião da Voepass , que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), aponta que o comandante Danilo Romano chegou ao posto sem cumprir o requisito de experiência estabelecido pela própria empresa.

    Segundo a investigação, o regulamento interno da companhia determinava mil horas de voo em aeronaves ATR para a promoção, mas Romano teria assumido a função sem ter voado anteriormente no modelo .

    Romano havia trabalhado com aeronaves Airbus na Avianca antes de ingressar na Voepass. O comandante Marcelo Mantovani afirmou à PF que ele e outros pilotos promovidos no mesmo período tinham experiência em jatos, mas não no ATR. Segundo Mantovani, a ascensão de Romano contrariou diretamente as normas previstas no Regulamento de Procedimentos Operacionais (RPO) da companhia. Leia também São Paulo Dono da Voepass admite à PF que sabia de panes e alerta da Anac Brasil Funcionários da Voepass citam à PF pressão para manter aviões operando São Paulo Como a Voepass agia para burlar fiscalização, segundo relatório da PF São Paulo “Todos sabiam que a aeronave ia cair”, diz mãe de vítima da Voepass A promoção ocorreu sob a estrutura comandada por Rafael Gimenez Rodrigues, que ocupava o cargo de piloto-chefe e também era identificado nos depoimentos como responsável pela área de treinamento.

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    Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com a PF, Gimenez acumulava, na prática, a definição dos critérios para promoção e habilitação de comandantes. Mantovani atribuiu a ele a responsabilidade pela ascensão antecipada de Romano.

    O comandante Luiz Cláudio de Almeida reforçou a versão. Segundo ele, Romano teria relatado que conseguiu chegar rapidamente ao comando por conta de sua proximidade com integrantes da chefia e de uma relação de “amizade e favores”.

    O próprio relato atribuído a Romano descreve uma promoção acelerada. Conforme Almeida contou à PF, o piloto teria sido questionado sobre a validade do passaporte e, logo depois, convidado a assumir o comando. Como já havia realizado a base, foi encaminhado para o treinamento no simulador de comandante.

    Avião da Voepass em chamas, depois da queda -- Metrópoles
    Avião da Voepass em chamas, depois da queda -- Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para a Polícia Federal, a falta de experiência específica no ATR teve relevância na condução do voo 2283. O relatório afirma que a promoção colocou um profissional inexperiente no comando de uma aeronave comercial e relaciona a ascensão rápida à suposta cooptação de Romano pelos interesses da gestão, especialmente para que falhas do sistema de degelo não fossem registradas. A investigação aponta que a promoção não foi apenas antecipada, mas ocorreu em desacordo com uma exigência objetiva do regulamento interno da Voepass: as mil horas de experiência no ATR. O relatório também registra que a rápida ascensão teria sido utilizada como vantagem para obter a adesão do comandante às práticas de omissão de falhas adotadas dentro da companhia.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/voepass-comandante-do-voo-foi-promovido-sem-experiencia-diz-pf.

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