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    “Você não pode confiar em Zuckerberg com crianças”, diz ex-executivo da Meta

    Ex-diretor de engenharia afirmou que Mark Zuckerberg criou cultura na qual a segurança de crianças e adolescentes ficava em segundo plano diante do crescimento e do engajamento de usuários no Facebook e no Instagram O post “Você não pode confiar em Zuckerberg com crianças”, diz ex-executivo da Meta apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    19 de agosto de 2026 às 21:57
    “Você não pode confiar em Zuckerberg com crianças”, diz ex-executivo da Meta
    Foto: Olhar Digital

    O ex-diretor de engenharia da Meta Arturo Béjar afirmou, nesta quarta-feira (19), que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg , criou uma cultura na qual a segurança de crianças e adolescentes ficava em segundo plano diante do crescimento e do engajamento de usuários no Facebook e no Instagram .

    Béjar fez a acusação durante seu segundo dia de depoimento em julgamento histórico que pode estabelecer novos limites para a responsabilidade das redes sociais pelos efeitos de suas plataformas sobre usuários jovens. O processo é movido por coalizão de 29 estados dos Estados Unidos contra a Meta.

    Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a empresa de ter desenvolvido Facebook e Instagram de maneira a prender jovens nas plataformas, contribuindo para problemas como ansiedade, depressão e até suicídio. Os 29 estados também afirmam que a Meta violou leis federais ao coletar e utilizar de forma indevida dados pessoais de crianças menores de 13 anos.

    “Se Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, afirmou Béjar – Imagem: FotoField/Shutterstock
    “Se Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, afirmou Béjar – Imagem: FotoField/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O julgamento começou na terça-feira (18), em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia (EUA), e deve durar cerca de seis semanas. Zuckerberg está entre as testemunhas esperadas no processo.

    Durante o depoimento, Béjar também relatou uma experiência envolvendo sua própria filha, que tinha 16 anos quando criou uma conta no Instagram em 2021.

    Segundo ele, a adolescente queria usar a plataforma para encontrar um espaço em que mulheres pudessem conversar sobre carros. Com o tempo, porém, ela passou a receber comentários misóginos, inclusive relacionados aos seus seios.

    Mark Zuckerberg com um microfone na mão e falando
    Mark Zuckerberg com um microfone na mão e falando — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Béjar afirmou que acompanhava o impacto que a experiência provocava na filha. “ Fiquei de olho em como isso era angustiante para ela. Ela conseguiu muitos seguidores, ao preço de sofrer danos ”, declarou.

    Durante o interrogatório feito pelo advogado da Meta, Brian Stekloff, Béjar reconheceu que não tinha conhecimento dos riscos que a filha enfrentaria quando a ajudou a criar a conta.

    Em seu depoimento, Béjar também afirmou que a Meta priorizava o engajamento dos usuários — e, consequentemente, o lucro — em detrimento da segurança. Um dos exemplos apresentados por ele foi a ferramenta que incentiva usuários a fazer pausas no uso das plataformas. O recurso é uma das medidas de segurança citadas pela Meta em sua defesa.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Béjar afirmou que a ferramenta era “ projetada para falhar ”, porque não vem ativada como configuração padrão e seus lembretes podem ser facilmente ignorados.

    Ele também disse que a Meta possuía tecnologia capaz de identificar usuários que poderiam ter menos de 13 anos e exigir uma verificação de idade. Segundo o ex-executivo, a ferramenta poderia atingir milhões de usuários.

    Ainda de acordo com Béjar, a empresa teria adotado uma espécie de política de “não pergunte, não conte” sobre a presença de crianças menores de 13 anos nas plataformas, porque manter esses usuários seria financeiramente vantajoso no longo prazo. “ Onde estão as crianças mais novas é onde os usuários estarão no futuro ”, afirmou.

    “Se Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, afirmou Béjar – Imagem: FotoField/Shutterstock
    “Se Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, afirmou Béjar – Imagem: FotoField/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A Meta rejeita as acusações de que tenha desenvolvido Facebook e Instagram com o objetivo de tornar as plataformas viciantes para crianças.

    No primeiro dia do julgamento, o advogado da empresa Paul Schmidt afirmou que não existe ligação comprovada entre o uso de redes sociais e a falta de bem-estar dos adolescentes. A defesa também argumenta que Zuckerberg compartilha o objetivo de melhorar os serviços da companhia, e não de torná-los perigosos.

    O processo pode resultar em penalidades e mudanças no funcionamento do Facebook e do Instagram. Os estados querem, entre outras medidas, eliminar recursos como curtidas e rolagem infinita, estabelecer limites de tempo para usuários mais jovens e reforçar as restrições destinadas a impedir que crianças menores de 13 anos utilizem as plataformas.

    O caso é considerado um dos maiores testes jurídicos já enfrentados pelas redes sociais em relação aos efeitos de seus produtos sobre crianças e adolescentes. A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes nos Estados Unidos.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/19/pro/voce-nao-pode-confiar-em-zuckerberg-com-criancas-diz-ex-executivo-da-meta/.

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    “Se Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, afirmou Béjar – Imagem: FotoField/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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