Vocalista do Cansei de Ser Sexy pinta o fervo da noite em mostra em São Paulo
Numa viagem de Nova York para Woodstock para visitar seu namorado da época, Luísa Matsushita teve uma epifania e decidiu que queria ser pintora. Naquele ano de 2013, ela viajava pelo mundo como vocalista do Cansei de Ser Sexy , banda que fundou e um dos grupos brasileiros de maior sucesso no exterior nas últimas duas décadas. Leia mais (08/18/2026 - 13h00)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Detalhe de 'Fila do Baile' (2026), pintura de Luísa Matsushita - Erika Mayumi / Divulgação

Numa viagem de Nova York para Woodstock para visitar seu namorado da época, Luísa Matsushita teve uma epifania e decidiu que queria ser pintora. Naquele ano de 2013, ela viajava pelo mundo como vocalista do Cansei de Ser Sexy , banda que fundou e um dos grupos brasileiros de maior sucesso no exterior nas últimas duas décadas.
Ela passou a pintar entre os shows. Em paralelo, uma amiga que trabalhava numa galeria de São Paulo vendia seus quadros. Corta para dez anos mais tarde. Matsushita trocou o microfone pelos pincéis —desde 2023, dedica-se totalmente às artes visuais , produzindo de oito a nove horas por dia em seu ateliê paulistano, como uma operária das tintas. A banda está em pausa, sem compromissos marcados.
Sua produção artística recente pode ser vista até 27 de setembro, numa mostra que inaugura as pequenas salas expositivas do Teatro Cultura Artística . Em seu projeto para a casa de espetáculos no centro de São Paulo, o arquiteto Rino Levi havia previsto que o segundo andar também funcionasse como galeria de arte, o que finalmente vai acontecer. A exposição é organizada pela Aberto, iniciativa que leva mostras de artes visuais a casas-ícone da arquitetura.

As telas de Matsushita são tão coloridas quanto a estética visual do Cansei de Ser Sexy, mas a paleta da pintora é amena, enquanto a da banda era berrante. A artista conta que "dá uma sujada" nas cores para que as telas "pareçam ter cem anos" quando saem do estúdio. De fato, a sensação é a de composições com certa tranquilidade e ordem, algo distante do caos festivo de seu grupo de eletrorock.
Seus quadros são abstratos, com formas predominantemente curvas organizadas pela gravidade e que, segundo ela, não devem estar flutuando. Autodidata, admiradora de Cícero Dias e Eleonore Koch , Matsushita cria com base na intuição —para a exposição, pintou óleos em torno da vida noturna da rua Augusta dos anos 2000 , um lugar e uma época que definiram o som do Cansei de Ser Sexy e também muitas de suas escolhas de vida.
Daí vem o título da exposição —"Tudo o que Sei, Eu Aprendi à Noite"— e de quadros como "Fila do Baile", "Antes da Noite", "Frevinho", em homenagem ao restaurante de beirutes na rua Augusta, e "Rua Augusta", a composição mais caótica de todas, exibida no térreo. A artista afirma buscar captar visualmente a expectativa pela ferveção e os momentos com potencial, mas não a pista de dança em si.

As obras no espaço expositivo do Cultura Artística podem ocupar tanto o grande hall do segundo andar —que se estende como uma galeria com as cadeiras esculturais de Giancarlo Palanti e os sofás de Rino Levi — quanto duas pequenas salas ao fundo deste piso. Nelas, o espectador vê os trabalhos bem de perto, num ambiente intimista que nada tem a ver com o cubo branco das galerias de arte tradicionais.
Além destes espaços, Matsushita ocupa o andar térreo com uma grande intervenção no hall de entrada. Ela pôs duas grandes cortinas cobrindo as paredes e instalou sofás coloridos, transformando um ambiente estéril num local de "modernismo acolhedor", como ela diz. O resultado lembra uma sala de estar confortável.
Ao prestar atenção, o espectador identifica nas cortinas uma inscrição, no limite da abstração, que diz "você veio". A artista não se leva a sério. "Sabe quem vê Jesus Cristo na torrada? É para essa pessoa que eu fiz assim", afirma.

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.



Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/vocalista-do-cansei-de-ser-sexy-pinta-o-fervo-da-noite-em-mostra-em-sao-paulo.shtml.

Detalhe de 'Fila do Baile' (2026), pintura de Luísa Matsushita - Erika Mayumi / Divulgação · Erika Mayumi / — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

