Vitória ou derrota da AfD no fim de semana preocupa polícia alemã
Com ou sem vitória histórica, a AfD, seus militantes e opositores preocupam a polícia alemã neste fim de semana. No domingo (6), a eleição estadual em Saxônia-Anhalt, no leste do país, pode alçar o partido de extrema direita ao poder, fato inédito no pós-guerra. Autoridades aguardam protestos e não descartam atos violentos em qualquer resultado. Leia mais (09/03/2026 - 16h33)

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Com ou sem vitória histórica, a AfD, seus militantes e opositores preocupam a polícia alemã neste fim de semana. No domingo (6), a eleição estadual em Saxônia-Anhalt, no leste do país, pode alçar o partido de extrema direita ao poder, fato inédito no pós-guerra. Autoridades aguardam protestos e não descartam atos violentos em qualquer resultado.

Concorre para a situação a semana repleta de suspeitas de sabotagem pelo país , em meio a uma disputa diplomática entre Alemanha e Rússia . Nesta quinta-feira (3), uma delas provocou a evacuação do principal terminal do aeroporto de Berlim.
A legenda lidera há meses as pesquisas de intenção de voto, com mais de 40% das preferências, o que projeta a obtenção de uma maioria ou quase maioria das cadeiras do Parlamento, na capital Magdeburgo. Para as autoridades, o problema está justamente nesse cenário de quase sucesso, provável até aqui segundo os levantamentos.
Como os outros partidos se recusam a trabalhar com a AfD nas Casas Legislativas alemãs, o chamado Brandmauer (firewall), a legenda só conseguiria indicar um ministro-presidente, a designação local para governador, se alcançar mais do que a metade das cadeiras.

Se a maioria não for alcançada, o partido, ao que tudo indica, alegará que houve fraude, estratégia importada de populistas de outros países, como o presidente americano, Donald Trump . Tino Chrupalla, colíder da AfD, alegou nos últimos dias que votos de idosos hospedados em casas de repouso enviados pelo correio teriam sido manipulados.
A comissão eleitoral da Saxônia-Anhalt não viu fundamento na denúncia, mas o movimento do partido, segundo a polícia, vislumbra o pior cenário imaginado: protestos de apoiadores e potencial para mobilizar integrantes de grupos neonazistas violentos.
Ulrich Siegmund, principal nome da AfD na eleição e cotado para a vaga de governador, declarou no último fim de semana que respeitaria o resultado das urnas. Pediu aos militantes, porém, que comparecessem aos locais de apuração para fiscalizar as contagens.

"Confiança é bom, mas controle é melhor", declarou o candidato.
Segundo as leis estaduais, comparecer às sessões de votação e apuração é um direito dos eleitores, desde que não provoquem confusão. A convocação também preocupa a polícia.
Nas últimas semanas, campanhas apartidárias buscaram ampliar o conhecimento sobre pontos polêmicos do programa de governo da AfD, como expulsar imigrantes dos serviços de saúde e intervenções de cunho ideológico nos setores de cultura e educação.

Outro aspecto das campanhas foi a tentativa de popularizar o pedido de voto estratégico nos sociais-democratas do SPD e nos Verdes para que as duas siglas consigam superar a cláusula de barreira de 5%. Com mais partidos no Parlamento, mais complicado fica para a AfD alcançar a maioria.
Resultado ou não da campanha, a intenção de votos nos dois partidos cresceu nas últimas semanas, aumentando o volume das críticas vindas de integrantes da AfD.
O cenário inverso também preocupa os agentes de segurança. O perigo, nesse caso, viria da extrema-esquerda, que também tem histórico violento no país. Para completar, uma vitória da AfD mobilizaria uma miríade de movimentos sociais, muitos deles acostumados a realizar contraprotestos em manifestações da extrema direita e durante reuniões do partido.

Ao menos 22 eventos foram registrados na polícia e demandarão o acompanhamento de agentes de segurança —protestos espontâneos, em geral, são vetados no país. Há dez meses em curso, os preparativos para a eleição reúnem todas as forças disponíveis no estado, assim como reforços de outras unidades da federação.
Não bastassem as preocupações diretamente relacionadas ao evento, a Alemanha vive uma semana de suspeitas de sabotagem e um conflito diplomático aberto com a Rússia.
Após duas interferências em instalações de energia na terça-feira (1°), a polícia de Munique investiga uma tentativa de incêndio criminoso em um campo de obras da Rohde & Schwarz. A empresa fabrica radares e equipamentos para detectar drones. Dois suspeitos foram presos, um homem e uma mulher de nacionalidade búlgara.
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Em Berlim, uma mulher se apresentou à Polícia Federal no Aeroporto Willy Brandt afirmando estar carregando substâncias perigosas em sua mala. O terminal principal foi evacuado e as linhas de trem, suspensas. Parte dos voos programados foi afetada.
Também na terça, o governo de Friedrich Merz anunciou medidas de retaliação contra a Rússia, responsabilizada pela presença de drones carregados com explosivos no aeroporto de Leipzig, encontrados por acaso no começo de agosto. O Kremlin nega a acusação.
Observadores e políticos alemães classificam os episódios como ataques híbridos, provavelmente patrocinados pelos serviços de inteligência russos, acostumados a tentar manipular o resultado de pleitos na Europa .
A AfD defende a reaproximação com Moscou e alimenta, com sua retórica, temores de um envolvimento maior da Alemanha na guerra da Ucrânia .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/vitoria-ou-derrota-da-afd-no-fim-de-semana-preocupa-policia-alema.shtml.

Policiais vasculham plantação em torno de instalação de energia alvo de tentativa de sabotagem na cidade de Bergheim, na quarta-feira (2) - Thilo Schmuelgen/Reuters · Thilo Schmuelgen/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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