Brasil

    Vitória de Flávio seria derrota para grandes denominações

    O Brasil pode eleger, no dia 25, Flávio Bolsonaro ( PL ), o primeiro presidente evangélico escolhido pelo voto direto. No entanto, as lideranças das grandes denominações, com centenas ou milhares de templos pelo país, saem derrotadas desta eleição. Leia mais (10/05/2026 - 20h49)

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 23:49
    Vitória de Flávio seria derrota para grandes denominações
    Homem e mulher abraçados, ele veste camiseta branca com texto preto e ela camiseta verde com estampa da bandeira do Brasil. Fundo escuro com pessoas e câmera fotográfica visível. — Foto: Folha de S.Paulo

    Antropólogo e historiador, autor de 'Crentes' (Record) e 'Povo de Deus' (Geração), pesquisa cristianismo, mundo popular, mídias digitais e esportes de combate

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Veja imagens da votação pelo Brasil
    Veja imagens da votação pelo Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Brasil pode eleger, no dia 25, Flávio Bolsonaro ( PL ), o primeiro presidente evangélico escolhido pelo voto direto. No entanto, as lideranças das grandes denominações, com centenas ou milhares de templos pelo país, saem derrotadas desta eleição.

    Esses pastores estiveram entre as primeiras resistências abertas a Flávio. Quando seu nome foi lançado, em dezembro, Silas Malafaia disse que "o amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas". Marco Feliciano, pastor e deputado federal, cobrou da família Bolsonaro "reciprocidade" com os evangélicos, "em vez de uma relação de via única".

    Durante a maior parte do ano, as grandes igrejas mantiveram distância segura do candidato. Não queriam romper com o provável nome da direita no segundo turno, mas temiam ser contaminadas por novas revelações do caso Master, o escândalo do banco de Daniel Vorcaro , ao qual áudios divulgados em maio ligaram Flávio.

    Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro em marcha por anistia para os golpistas de janeiro de 2023 - Evaristo Sá - 7.out.25/AFP · Evaristo Sá - 7.out.25/AFP
    Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro em marcha por anistia para os golpistas de janeiro de 2023 - Evaristo Sá - 7.out.25/AFP · Evaristo Sá - 7.out.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os grandes nomes só entraram no barco em setembro. Primeiro, reagindo ao embate no Supremo Tribunal Federal entre o pastor presbiteriano André Mendonça e Alexandre de Moraes . Depois, ao confirmar que Flávio seria mesmo o nome da direita no segundo turno, resistia aos ataques e ganhava engajamento popular. O apoio cresceu à medida que a vitória parecia próxima. Chegaram à reta final; Flávio conquistou parte desses votos sem a atuação dos pastores.

    O eleitor evangélico, aliás, dá sinais de que rejeita ser tratado como massa de manobra. Na pesquisa Iser/Quaest deste ano, 83% dos entrevistados se disseram contra a indicação de voto por pastores e padres. Esse fiel não precisa acatar a lista de candidatos do líder; já conversa com políticos e influenciadores pelas redes sociais.

    Em sua maioria, esse eleitor se identifica como de direita e é conservador nos costumes. Vê a religião como um marcador social que aproxima os fiéis e sabe que eles somam 47 milhões de brasileiros, segundo o Censo de 2022.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Membros parecem ter desertado eleitoralmente de suas igrejas. O colunista Demétrio Vecchioli , do Metrópoles, cravou que a "onda bolsonarista impõe derrota histórica às grandes igrejas evangélicas", que não conseguiram eleger seus candidatos no Legislativo.

    Em resumo, os grandes pastores, que funcionavam como porteiros entre o político e o fiel, terão menos influência. Cedem lugar a uma nova geração de políticos evangélicos, como Nikolas Ferreira, Michelle Bolsonaro e o próprio Flávio Bolsonaro, que dispensam intermediários para falar com esse público.

    Eles pertencem a igrejas menores, estão menos submetidos à tutela de um pastor e transitam bem por um degradê teológico que vai do pentecostalismo clássico a denominações tradicionais, como a presbiteriana, passando pelas igrejas de estilo jovem, que se apresentam como "churches".

    Os grandes pastores não perderam toda a relevância política. Perderam o monopólio sobre esse eleitor.

    Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliano-spyer/2026/10/vitoria-de-flavio-seria-derrota-para-grandes-denominacoes.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Veja imagens da votação pelo Brasil — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)