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    Violência doméstica é maior entre mulheres com deficiência, diz pesquisa

    Agressões são praticadas por companheiros em 65% dos casos; vulnerabilidade e falta de acesso à informação são considerados fatores determinantes

    CNN Brasil
    21 de setembro de 2026 às 14:35
    Violência doméstica é maior entre mulheres com deficiência, diz pesquisa
    Foto: CNN Brasil

    Mulheres com deficiência são mais atingidas por violência doméstica ou familiar praticada por homens do que aquelas sem deficiência no Brasil. É o que apontam os dados do DataSenado divulgados no Mapa Nacional da Violência de Gênero nesta segunda-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

    Segundo o levantamento, a violência já atingiu 38% das mulheres com deficiência, ultrapassando 4,4 milhões –– taxa superior aos 28% registrados entre aquelas sem deficiência.

    Entre as que vivenciaram violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, 69% afirmam que a situação já ocorria há mais de um ano , 15 pontos percentuais a mais à registrada entre a população feminina no geral, de 54%.

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    Violência contra a mulher, imagem ilustrativa • undefined · • undefined — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O levantamento integra a 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal. Os dados passam a integrar o Mapa, plataforma desenvolvida pelo OMV em parceria com o Instituto Natura e a Gênero e Número.

    A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas telefônicas com 21.641 brasileiras de 16 anos ou mais. Dentre elas, 2.828 se autodeclararam mulheres com deficiência (13% da amostra), estimando 11,7 milhões de mulheres com deficiência no país.

    Nos relatos de violência doméstica ou familiar , as violências sexual e patrimonial são as mais frequentes para aquelas com deficiência.

    Advogada aponta legados e desafios persistentes da Lei Maria da Penha
    Advogada aponta legados e desafios persistentes da Lei Maria da Penha — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A sexual foi mencionada por 39% das vítimas com deficiência , contra 28% das vítimas sem deficiência, enquanto a patrimonial atingiu 46% e 39% , respectivamente. Já as violências psicológica, moral e física aparecem em proporções semelhantes nesses dois grupos.

    Os agressores eram maridos ou companheiros dessas mulheres no momento da agressão mais grave relatada em 65% dos casos.

    A idade das vítimas também chama atenção no levantamento: 36% delas tinham até 19 anos enquanto 24% tinham entre 20 e 29 anos.

    20 anos depois, o desafio da Lei Maria da Penha é outro
    20 anos depois, o desafio da Lei Maria da Penha é outro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, afirma que essa diferença reflete uma maior vulnerabilidade no ambiente doméstico entre as mulheres com deficiência.

    Mecanismos de controle sobre o corpo e o patrimônio cometidos por homens podem ser confundidos com práticas de cuidado, especialmente entre pessoas que têm a autonomia comprometida, dificultando o reconhecimento da violência.

    Os números apontam a necessidade de campanhas de conscientização e políticas públicas inclusivas e abrangentes, que deem conta do cenário macro de violência contra mulheres no Brasil, mas que olhem também para as necessidades específicas dos grupos mais vulneráveis, como as mulheres com deficiência.

    A violência urbana diminuiu. A doméstica, não
    A violência urbana diminuiu. A doméstica, não — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As mulheres com deficiência apontam o ambiente familiar como o local de maior desrespeito com mais frequência, diferentemente da população feminina em geral (29% contra 21%).

    A vulnerabilidade econômica também aparece como um fator determinante entre as mulheres com deficiência:

    A pesquisa apontou menor acesso a informações sobre direitos e aos mecanismos de proteção entre esse grupo.

    20 anos depois, o desafio da Lei Maria da Penha é outro
    20 anos depois, o desafio da Lei Maria da Penha é outro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Das mulheres entrevistadas, 18% afirmam não ter nenhum conhecimento sobre a Lei Maria da Penha , o dobro do registrado entre as mulheres sem deficiência (9%).

    Além disso, 23% das mulheres com deficiência afirmaram não ter nenhum conhecimento sobre medidas protetivas , contra 15% das mulheres sem deficiência.

    A falta de informação reflete em nível baixo de busca por ajuda e proteção: 83% das mulheres com deficiências que sofreram violência não denunciaram o caso e apenas 16% recorreram ao Ligue 180.

    Advogada aponta legados e desafios persistentes da Lei Maria da Penha
    Advogada aponta legados e desafios persistentes da Lei Maria da Penha — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Embora 44% tenham solicitado uma medida protetiva de urgência, em 19% desses casos houve descumprimento da ordem por parte do agressor.

    Entre os principais motivos apontados por elas para não denunciar estão o medo do agressor (17%) e a descrença na punição (16%).

    Incorporar a deficiência como dimensão de análise permite compreender não só como a violência atinge essas mulheres, mas também as barreiras que elas enfrentam para reconhecer a agressão, acessar informações, buscar ajuda e obter proteção. É esse cruzamento que transforma o dado em instrumento para políticas públicas mais inclusivas e efetivas

    A violência urbana diminuiu. A doméstica, não
    A violência urbana diminuiu. A doméstica, não — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/violencia-domestica-e-maior-entre-mulheres-com-deficiencia-diz-pesquisa/.

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