Vínculos com o crime superam caso Master e corrupção em ataques nas eleições do governo do RJ
Supostos vínculos com o crime organizado são as principais armas de ataque entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro . O tema supera o uso de suspeitas de corrupção que dominaram as artilharias das duas últimas eleições , incluindo o caso Master, um dos motivos da desistência do ex-governador Cláudio Castro ( PL ) em se candidatar ao Senado. Leia mais (08/28/2026 - 04h00)

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Supostos vínculos com o crime organizado são as principais armas de ataque entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro . O tema supera o uso de suspeitas de corrupção que dominaram as artilharias das duas últimas eleições , incluindo o caso Master, um dos motivos da desistência do ex-governador Cláudio Castro ( PL ) em se candidatar ao Senado.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes ( PSD ), tem explorado a antiga aliança entre o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), e seu antecessor, Rodrigo Bacellar (União) —que está preso sob acusação de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho , a maior facção do estado.
O candidato do PL, por sua vez, levanta suspeitas contra o ex-prefeito por conseguir fazer campanha, ao lado do presidente Lula, em favelas controladas por facções criminosas. A estratégia repete a adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o petista em 2022.
As acusações chegaram até ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). O deputado Carlos Jordy (PL), aliado de Ruas que disputa o Senado, pediu a impugnação do registro de candidatura de Paes alegando suposto vínculo do ex-prefeito com o crime organizado.

Jordy usa como argumento a aliança do ex-prefeito com a deputada Lucinha (PSD), ré sob acusação de atuar como "braço político" de um grupo miliciano, e com João Drumond, candidato a deputado estadual pelo PRD e neto do bicheiro Luizinho Drumond.
A defesa do candidato do PSD classificou a manifestação como "temerária, vergonhosa e lamentável" e pede punição ao deputado por litigância de má-fé.
As acusações mútuas de vínculo com o crime organizado são consequências dos desdobramentos da Operação Unha e Carne, que apura a relação de políticos com esses grupos. Além de Bacellar, foram presos no curso das investigações o juiz federal Macário Júdice e o então deputado estadual Thiago Rangel (Avante), que depois renunciou ao mandato.

O ex-deputado Márcio Canella (União) foi alvo de busca e apreensão.
As investigações adicionaram contornos políticos à crise de segurança pública que atinge o país e, principalmente, o Rio de Janeiro.
O vínculo com o crime organizado tem sido também um foco de atuação do Ministério Público Eleitoral este ano. O entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que ampliou a possibilidade de indeferimento do registro de candidatura de nomes acusados de participação em grupos armados teve como origem casos do Rio de Janeiro .

Nesse cenário, a ligação com o crime superou o tema da corrupção, que mobilizou as duas últimas campanhas para o governo, na esteira dos escândalos da gestão Sérgio Cabral (de 2007 a 2014) e as sucessivas investigações contra ex-governadores a partir de 2016.
Nem mesmo os casos que levaram Castro a desistir de sua candidatura ao Senado têm sido tão mobilizados como o crime organizado. O ex-governador é alvo de investigações por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, e o empresário Ricardo Magro, da Refit.
No vídeo inaugural de uma série publicada em seu perfil nas redes sociais, Paes afirma que o grupo político de Castro se associou a criminosos. Em seguida, diz que Ruas é representante do ex-governador nessa eleição.

"Um grupo político que não foi apenas omisso e incompetente na segurança pública, mas que também se associou ao crime organizado. Ou seja, quem devia te proteger, protegeu os criminosos e se associou ao poder paralelo. Apesar disso tudo, eles querem retomar o poder na figura do atual presidente da Alerj, candidato escolhido a dedo por Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar", afirmou o ex-prefeito, no vídeo.
Ruas tem repetido o mantra de que "não escolhe chefe, mas sim a missão", para se afastar de Castro. Já disse que desaprova a gestão do ex-governador de seu partido e que não quer ele em seu palanque.
Esta semana, o deputado iniciou um contra-ataque no tema, repetindo o questionamento feito por Bolsonaro em 2022 sobre como Lula e Paes conseguiram fazer campanha dentro do Complexo do Alemão.

"Naquela mesma comunidade onde o estado chegou com mais de 2.400 homens para entrar, foram recebidos com drones atirando granadas, tiros de fuzil e de [metralhadora] .50. Como eles entraram lá? Tem que pergunta para o Lula e o Eduardo Paes como eles entraram no Complexo do Alemão para fazer campanha lá", disse Ruas, em entrevista à TV Record.
Paes criticou a fala do adversário e respondeu que nunca deixou de entrar em favelas, apesar dos riscos. Também afirmou que o deputado já fez campanha em comunidades controladas por facções criminosas de São Gonçalo, base eleitoral do presidente da Alerj.
O ex-governador Anthony Garotinho ( Republicanos ), terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, tem feito ataques à dupla com a mesma temática. Afirma que o eleitor não pode se limitar a escolher o candidato ligado ao Comando Vermelho, se referindo a Ruas e sua antiga aliança com Bacellar, ou à milícia, recorrendo ao vínculo entre Paes e Lucinha.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/vinculos-com-o-crime-superam-caso-master-e-corrupcao-em-ataques-nas-eleicoes-do-governo-do-rj.shtml.

À esq., o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), e à dir., o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), principais candidatos ao Governo do Rio de Janeiro - Mauro Pimentel e Tita Barros/AFP e Reuters · Mauro Pimentel e Tita Barros/AFP e Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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