Vidro mais fino que cabelo: como funciona a tela dobrável do iPhone Duo
A tela flexível é resultado de uma combinação de materiais ultrafinos, novas formulações de vidro, plástico resistente e adesivos especiais O post Vidro mais fino que cabelo: como funciona a tela dobrável do iPhone Duo apareceu primeiro em Olhar Digital .

A tela do novo iPhone Duo , primeiro smartphone dobrável da Apple , é um dos exemplos mais sofisticados da combinação entre ciência dos materiais e microengenharia. O aparelho, apresentado pela empresa na quarta-feira (9), tem tela de vidro de 7,6 polegadas, capaz de se dobrar inúmeras vezes sem quebrar.
A Apple não foi a primeira empresa a lançar um celular dobrável. Google , Samsung e Motorola já possuem aparelhos com telas flexíveis. Durante a apresentação do Duo, porém, o novo CEO da Apple, John Ternus, afirmou que o dispositivo “vai redesenhar a experiência de usar um telefone dobrável”.
O segredo para produzir uma tela capaz de ser dobrada milhares de vezes sem se partir não está em uma única descoberta ou tecnologia.

O resultado depende da combinação de diferentes materiais e técnicas, que permitem tornar o display suficientemente flexível para suportar repetidos movimentos e, ao mesmo tempo, resistente a quedas e outros impactos.
“A espessura de um material determina sua rigidez à flexão”, explicou John A. Rogers, professor de ciência e engenharia de materiais da Northwestern University, ao Times . “Se você tornar algo muito fino, fica mais fácil dobrá-lo.”
Rogers compara a diferença entre o vidro rígido e o vidro flexível à existente entre madeira e papel. “Se você pensar em um pedaço de madeira, ele não é muito dobrável”, afirmou. “Mas uma folha de papel, que também é madeira, é flexível porque é muito mais fina. O mesmo se aplica ao vidro.”

Reduzir a espessura, porém, não é a única estratégia. Químicos também descobriram que diferentes formulações de vidro podem aumentar sua flexibilidade.
O vidro convencional é produzido a partir de dióxido de silício, obtido da areia derretida. Outra possibilidade envolve o trióxido de boro, utilizado principalmente em vidros de laboratório que sofrem pouca expansão e contração quando são aquecidos ou resfriados.
A estrutura atômica desse material é amorfa, em vez de rígida e cristalina. Testes em laboratório mostraram que, quando produzido em uma camada fina, ele pode ser dobrado com mais facilidade que o vidro convencional.

O vidro ultrafino é apenas uma das partes responsáveis pela flexibilidade de uma tela dobrável.
Outra camada extremamente fina é produzida com um plástico altamente transparente e muito resistente. O material é desenvolvido para suportar centenas de milhares de ciclos de dobra sem ficar turvo ou sofrer deformações.
Além disso, as diversas camadas que formam a tela precisam ser unidas de uma maneira que permita que todo o conjunto acompanhe o movimento de dobra.

Para isso, a indústria utiliza os chamados adesivos opticamente transparentes . Eles são viscosos e elásticos, funcionando de maneira semelhante a um gel.
Os adesivos mantêm as diferentes camadas firmemente unidas, mas, quando a tela é dobrada, permitem que elas deslizem umas sobre as outras sob tensão.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/11/reviews/vidro-mais-fino-que-cabelo-como-funciona-a-tela-dobravel-do-iphone-duo/.

Saiba como funciona a tela do iPhone Duo – Imagem: Divulgação/Apple — Foto: Olhar Digital
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