Brasil

    Vícios podem agravar sofrimento mental e vulnerabilidade ao suicídio

    Álcool e outras drogas podem ampliar impulsividade e sofrimento psíquico. Especialistas explicam como perceber os sinais de alerta

    Metrópoles
    12 de setembro de 2026 às 05:00
    Vícios podem agravar sofrimento mental e vulnerabilidade ao suicídio
    Foto: Metrópoles

    *Aviso: esta matéria aborda temas como depressão e suicídio. Se você enfrenta problemas ou conhece alguém que está nessa situação, veja ao final do texto onde buscar apoio.

    O consumo de álcool e outras drogas pode aumentar a vulnerabilidade a comportamentos suicidas, principalmente quando ocorre junto à depressão, à desesperança, à impulsividade ou a outros transtornos mentais.

    A relação, porém, não é de causa e efeito: o suicídio é um fenômeno multifatorial, influenciado por diferentes condições individuais, sociais e psicológicas.

    Magnific
    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundo a psicóloga Lucineide Guimarães, de São Paulo, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia dos Esquemas, algumas pessoas recorrem às substâncias como forma de aliviar emoções difíceis . O efeito é temporário e pode favorecer um ciclo de consumo, culpa e novo sofrimento.

    “A frustração de não conseguir lidar com um sofrimento emocional, de não conseguir encontrar respostas para um vazio, gera uma sensação de vergonha, impotência e fracasso. Essas pessoas acabam utilizando substâncias que produzem um alívio imediato”, explica. Leia também Saúde Saúde mental: irritação e esquecimento podem indicar sofrimento emocional Brasil SUS amplia atendimento on-line para pessoas com vício em apostas Saúde Beber álcool remodela genes do cérebro ligados ao vício, aponta estudo Saúde Canetas para diabetes podem ajudar a combater vícios, indica estudo Quando o consumo vira um problema Nem todo consumo exagerado caracteriza dependência . Os sinais de alerta aparecem quando a relação com a substância começa a provocar perda de controle e prejuízos na rotina, no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos.

    Entre os critérios avaliados estão tentativas frustradas de diminuir ou interromper o consumo , necessidade de quantidades maiores, desejo intenso de usar a substância, abandono de atividades importantes e manutenção do comportamento apesar das consequências.

    Foto colorida de mulher sentada em um sofá, numa sala, encarando uma garrafa de bebida - Metrópoles.
    Foto colorida de mulher sentada em um sofá, numa sala, encarando uma garrafa de bebida - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Também começam a aparecer problemas no trabalho, nos estudos e em outras áreas da vida. A pessoa passa a deixar responsabilidades na mão de outras pessoas. Surgem problemas interpessoais com o parceiro, com os filhos, com os amigos”, afirma Lucineide.

    Para o psiquiatra Danillo Bastos, também de São Paulo, a motivação por trás do consumo também merece atenção. Usar álcool ou outras drogas repetidamente para esquecer problemas ou aliviar sofrimento pode indicar uma relação problemática , mesmo antes de grandes prejuízos aparecerem.

    “Se você toma duas latinhas de cerveja com a intenção de esquecer seus problemas, isso já acende um sinal amarelo para mim. Não pela quantidade consumida, mas pela intenção por trás do consumo”, explica. Por que a vulnerabilidade pode aumentar Bastos ressalta que intoxicação, abstinência e recaídas são períodos de maior vulnerabilidade. O uso de substâncias pode aumentar a impulsividade, comprometer o julgamento e agravar transtornos psiquiátricos preexistentes.

    Imagem da matéria
    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O cenário exige atenção especial quando há depressão. A desesperança pode dificultar a percepção de alternativas para enfrentar uma crise , enquanto a impulsividade reduz o tempo dedicado à avaliação das consequências de uma ação.

    “Quando somamos esse sentimento de desesperança ao aumento da impulsividade provocado pelo uso de substâncias, temos uma combinação especialmente preocupante”, afirma o psiquiatra.

    Isolamento crescente, abandono de atividades, mudanças marcantes de comportamento, falas recorrentes sobre falta de sentido na vida e atitudes que lembram uma despedida podem indicar sofrimento intenso.

    O uso problemático de álcool e outras drogas pode agravar o sofrimento psíquico e aumentar a vulnerabilidade a comportamentos suicidas
    O uso problemático de álcool e outras drogas pode agravar o sofrimento psíquico e aumentar a vulnerabilidade a comportamentos suicidas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Nem sempre alguém em sofrimento vai dizer diretamente que quer morrer ou tirar a própria vida. Muitas vezes, ela começa a demonstrar que a vida perdeu o sentido, passa a se desculpar excessivamente por coisas que fez, apresenta comportamentos que lembram uma despedida ou adota um padrão de isolamento cada vez maior”, diz o psiquiatra. A abordagem de familiares e amigos deve evitar julgamentos. Lucineide recomenda demonstrar preocupação e abrir espaço para que a pessoa consiga falar sobre o que está vivendo.

    “Aqui, o mais importante não é apenas a pergunta, mas quem vai fazê-la, quem vai abordar essa pessoa. É fundamental que a abordagem aconteça sem preconceitos e sem julgamentos ”, orienta.

    Quando existem sinais de risco, perguntar diretamente se a pessoa pensa em suicídio não incentiva a prática e pode abrir espaço para uma conversa. Diante de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de urgência.

    Dependência e sofrimento mental também devem ser avaliados em conjunto. O tratamento pode incluir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, medicamentos quando indicados e fortalecimento da rede de apoio.

    No SUS, a assistência pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) . Em emergências, o SAMU atende pelo 192, enquanto o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.

    *Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. Você pode ligar ou conversar pelo chat dos seguintes serviços:

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/vicios-podem-agravar-sofrimento-mental-e-vulnerabilidade-ao-suicidio.

    Imagem 1
    1 / 4

    Magnific — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)