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    Viagem do papa à França mostra mundo de pernas para o ar, mas com desejo de reconciliação

    Ao menos no papel, " Leão 14 : o papa do multilateralismo" não parece o mais emocionante dos slogans. Aliás, seria a coisa menos novidadeira do mundo, já que a Santa Sé tem apostado todas as suas fichas na diplomacia há muitas décadas. Leia mais (09/28/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 02:00
    Viagem do papa à França mostra mundo de pernas para o ar, mas com desejo de reconciliação
    Líder religioso vestido de branco acena enquanto sai de catedral gótica com fachada detalhada em pedra. Grupo de pessoas em trajes formais o acompanha sobre tapete vermelho na escadaria. — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    O papa Leão 14 acena a fiéis na catedral de Saint-Étienne em Metz, na França - Benoit Tessier -28.set.26/Reuters · Benoit Tessier -28.set.26/Reuters
    O papa Leão 14 acena a fiéis na catedral de Saint-Étienne em Metz, na França - Benoit Tessier -28.set.26/Reuters · Benoit Tessier -28.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao menos no papel, " Leão 14 : o papa do multilateralismo" não parece o mais emocionante dos slogans. Aliás, seria a coisa menos novidadeira do mundo, já que a Santa Sé tem apostado todas as suas fichas na diplomacia há muitas décadas.

    Mesmo assim, a recente visita do pontífice americano à França mostrou que, num mundo virado de pernas para o ar por formas ressurgentes e virulentas de nacionalismo, os desejos de reconciliação ainda não desapareceram de todo.

    Não foi por acaso que o "tour" aparentemente triunfal de Leão por um dos países mais laicos da Europa terminou em Metz, na encruzilhada entre França, Alemanha e Luxemburgo. Ali, o papa e os cardeais franceses decidiram homenagear um dos moradores ilustres da cidade, o franco-luxemburguês Jean-Baptiste Robert Schuman (1886–1968).

    A visita do papa Leão 14 à França
    A visita do papa Leão 14 à França — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Schuman era membro do pequeno grupo de estadistas ligados à chamada democracia cristã que, menos de uma década depois da Segunda Guerra Mundial , lançaram as bases da integração econômica de seu continente —e da futura União Europeia .

    Pensando justamente nos escombros pós-nazistas de seus vizinhos alemães, Schuman declarou que a integração faria que "qualquer guerra entre França e Alemanha se tornasse não só meramente impensável, mas materialmente impossível". Por enquanto, ele mostrou estar correto, e Leão 14 buscou retomar esse espírito ao falar de paz.

    Em Metz, o papa alertou que as relações internacionais estão se tornando "cada vez mais bárbaras", que "o valor de manter a própria palavra está sendo deixado de lado" e que "as pessoas se vangloriam das mentiras e do engano". "A Europa pode quebrar esse ciclo por meio do respeito em relação aos outros que aprendeu a cultivar e preservar", arrematou o pontífice.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Leão aproveitou ainda a presença de outros líderes religiosos —judeus, cristãos e muçulmanos franceses— para dizer que "o discurso religioso deve conclamar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras". "De fato, invocar o nome de Deus para justificar a violência ou a opressão equivale a profanar esse nome", afirmou.

    É inevitável pensar nas rusgas do papa com o governo Trump diante dessa condenação da retórica de "guerra santa" adotada pelo republicano e do atual vale-tudo pós-diplomático americano. Mas a fala cabe igualmente para a visão do papado sobre o conflito na Ucrânia ou sobre o morticínio em Gaza.

    A surpreendente presença de 800 mil pessoas nas ruas de Paris para ouvir Leão sugere que a mensagem, que há menos de 20 anos poderia soar óbvia ou banal, agora tem uma ressonância insuspeita mesmo para quem não faz parte da atual minoria católica da França (hoje correspondente a cerca de um quarto da população, enquanto pouco mais da metade dos franceses afirma não ter religião).

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A exemplo do que se vê em outros países europeus, o declínio pronunciado e de longo prazo nos números de batismos, casamentos religiosos e participação regular na missa tem sofrido uma levíssima mudança de curso nos últimos anos. Desde 2016, os batismos de adultos franceses que resolveram seguir a fé triplicaram, chegando a 13 mil neste ano.

    "Vocês são os santos da França", disse o papa ao saudar os convertidos e demais fiéis, mas sem negar a fragilidade dessa renascença, comparando-a a uma "pequena chama que o Espírito Santo acendeu na escuridão da noite, a semente pequenina que luta para crescer em meio aos espinhos".

    Ao mesmo tempo, a visita também evidenciou as tensões permanentes entre a doutrina da Igreja, mesmo quando anunciada por uma figura supostamente "woke" (diriam os trumpistas) como Leão, e uma sociedade tão secularizada quanto a francesa.

    Em visita a Lourdes, o grande santuário dedicado à Virgem Maria no sul da França, famoso pelos relatos de curas milagrosas desde o século 19, o papa fez questão de reunir diante de si os enfermos que visitam o local para condenar a aprovação do suicídio assistido em casos de doença incurável, recentemente aprovado na França.

    "É precisamente em nome da dignidade alienável da pessoa humana que devemos rejeitar a tentação de causar a morte sob o disfarce da falsa compaixão", declarou o papa.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/viagem-do-papa-a-franca-mostra-mundo-de-pernas-para-o-ar-mas-com-desejo-de-reconciliacao.shtml.

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    O papa Leão 14 acena a fiéis na catedral de Saint-Étienne em Metz, na França - Benoit Tessier -28.set.26/Reuters · Benoit Tessier -28.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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