Viadutos de acesso à zona leste devem ser demolidos após correção de tombamento no centro histórico de SP
Dois viadutos entre os distritos centrais Sé e Brás que servem de ligação com a zona leste de São Paulo estão marcados para desaparecer da paisagem paulistana. A substituição das estruturas por uma via semaforizada está prevista na concessão do parque Dom Pedro 2º e os impactos da obra no trânsito passam por análise técnica do consórcio que irá administrar o espaço. Leia mais (08/30/2026 - 12h00)

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Os viadutos Antônio Nakashima e 25 de Março na região central de São Paulo - Rafaela Araújo / Folhapress

Dois viadutos entre os distritos centrais Sé e Brás que servem de ligação com a zona leste de São Paulo estão marcados para desaparecer da paisagem paulistana. A substituição das estruturas por uma via semaforizada está prevista na concessão do parque Dom Pedro 2º e os impactos da obra no trânsito passam por análise técnica do consórcio que irá administrar o espaço.
Um passo importante para viabilizar as demolições ocorreu no início de agosto, quando o Conpresp (conselho de preservação do patrimônio) atendeu ao pedido da gestão do prefeito Ricardo Nunes ( MDB ) para que uma dessas passagens fosse excluída do decreto de tombamento do centro histórico da capital. O viaduto 25 de Março estava há quase duas décadas equivocadamente listado entre as construções históricas do centro, o que impediria a sua demolição.
Descoberto justamente durante estudos para a concessão do parque, o erro no tombamento resulta de uma confusão envolvendo uma via homônima. A estrutura que deveria estar na relação de bens tombados é um pequeno túnel com parede de pedra na rua 25 de Março, que permite a passagem sob a avenida Rangel Pestana.

Ao superar esse equívoco, a prefeitura abriu caminho para a retirada das estruturas viárias conforme previsto no plano de requalificação urbana do parque. Mas isso também acende um alerta para os efeitos no trânsito de veículos no acesso à região mais populosa do município.
Além do 25 de Março, a concessão também requer a demolição de um viaduto paralelo, o Antônio Nakashima, que recebe o tráfego no sentido inverso —do bairro para o centro.
Sem os viadutos, a conexão será feita por uma via de mão-dupla semaforizada em nível (ou seja, sem viaduto). Uma ponte sobre o rio Tamanduateí fará a junção de um trecho interrompido da avenida Rangel Pestana.

No sentido bairro, essa via se conecta à avenida Celso Garcia. É um caminho alternativo à Radial Leste –principal ligação com a zona leste– no acesso a bairros como Brás, Belém e Tatuapé.
O eixo Pestana-Garcia é também um corredor de ônibus e tem potencial para passar por um processo de verticalização com a construção de prédios residenciais. Esse efeito é previsto pelo Plano Diretor , que oferece estímulos para o adensamento populacional das áreas com transporte público.
Prejuízos locais ao trânsito podem ocorrer. A tendência, porém, é de impacto mínimo no contexto de uma cidade já congestionada e com motoristas cada vez mais habituados a buscar rotas alternativas por meio do uso de aplicativos de navegação por satélite, segundo o diretor do FGV Cidades, Ciro Biderman.

Outro ponto de debate é o que será feito com a ampliação da área livre no parque. Uma das possibilidades de exploração do espaço é a realização de eventos. O uso de espaços públicos para apresentações musicais e outras formas de entretenimento tem levantado discussões sobre a função desses locais e os transtornos provocados devido ao barulho.
Biderman avalia que a requalificação prevista no Dom Pedro traz mais benefícios do que prejuízos à cidade, especialmente por oferecer um espaço de lazer em condições de ser utilizado pela população. Degradado, o local é atualmente pouco frequentado.
"Será um parque com o seu uso típico, para fazer piquenique, ficar na beira do espelho d'água. Espero que consigam mantê-lo relativamente limpo. Falta muito parque em São Paulo. Há um grave problema de [ausência] de espaços públicos", diz o especialista em urbanismo da FGV.

Resultado de uma parceria público-privada que prevê investimentos de R$ 717 milhões, a reforma do parque será conduzida pelo consórcio Novo Dom Pedro. Na liderança do empreendimento está o grupo RZK, o mesmo que foi vencedor da concorrência para a construção do centro administrativo da gestão do governo de Tarcísio de Freitas ( Republicanos ).
A concessionária afirma que a intervenção prevista para o parque não está relacionada exclusivamente à abertura de áreas para eventos, que são apenas um dos usos previstos de um projeto mais amplo.
Reorganização do sistema viário e redução de barreiras urbanas são necessárias, segundo o consórcio, para facilitar a circulação de pedestres e ciclistas entre o terminal de ônibus e a estação de metrô que existe na área. Além disso, as intervenções irão facilitar o embarque em uma futura parada de BRT (sistema rápido de ônibus) que está em construção.

Sobre os impactos no trânsito, a empresa informou desenvolver neste momento estudos técnicos previstos no contrato e que esse trabalho será submetido aos órgãos públicos responsáveis. A concessionária reforçou que a demolição dos viadutos Antônio Nakashima e 25 de Março não é uma decisão sua, mas uma solução urbanística estabelecida no projeto da prefeitura.
A gestão Nunes confirmou aguardar estudos incumbidos à concessionária para avaliar medidas relacionadas ao trânsito na região. A administração também destacou que a correção feita pelo Conpresp era necessária porque a documentação técnica original do tombamento do centro histórico indicava que a proteção deveria recair sobre o viaduto da avenida Rangel Pestana.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/viadutos-de-acesso-a-zona-leste-devem-ser-demolidos-apos-correcao-de-tombamento-no-centro-historico-de-sp.shtml.

Os viadutos Antônio Nakashima e 25 de Março na região central de São Paulo - Rafaela Araújo / Folhapress · Rafaela Araújo / — Foto: Folha de S.Paulo
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