Venezuela assina contratos de petróleo com os EUA; acordo tem incertezas
Países assinaram oito novos contratos com empresas estrangeiras. Contudo, presidente interina da Venezuela não confirma acordo com os EUA

A Venezuela assinou nessa quarta-feira (2/9) oito acordos com empresas estrangeiras para ampliar a exploração de petróleo e recuperar parte da infraestrutura energética do país. A cerimônia, realizada no Palácio de Miraflores, em Caracas, contou com a presença do secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright.
Entre os contratos está a ampliação das operações da norte-americana Chevron e da italiana Eni em campos petrolíferos venezuelanos. A General Electric também firmou um acordo voltado à recuperação do sistema elétrico do país, que enfrenta frequentes apagões.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, classificou o momento como um “dia histórico” . Os novos contratos, segundo informações divulgadas pelo governo americano, fazem parte de uma estratégia para recuperar a produção de petróleo venezuelana e atrair investimentos privados.

A Chevron anunciou que pretende investir mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos e elevar sua produção no país para cerca de 600 mil barris por dia. Já a Eni assinou com a estatal PDVSA um contrato de 25 anos para desenvolver o campo de Junín 5.
Apesar dos anúncios, permanece a dúvida sobre a efetiva formalização do acordo considerado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o “maior acordo petrolífero da história mundial”.
O entendimento anunciado em agosto prevê a exploração de 17 campos venezuelanos, que juntos concentram cerca de 65 bilhões de barris em reservas comprovadas. A operação deverá envolver a North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa ligada ao empresário venezuelano Alejandro Betancourt. Pelos termos divulgados pela Casa Branca, os Estados Unidos terão 35% de participação na companhia, além do direito de comprar 20% da produção a preço de custo e prioridade sobre a aquisição do restante.

A expectativa era de que a visita de Christopher Wright a Caracas servisse também para formalizar esse acordo. Isso, porém, não aconteceu durante a cerimônia desta quarta-feira.
Questionada sobre a assinatura do novo entendimento, Delcy Rodríguez afirmou que o acordo possui uma parte negociada nos Estados Unidos e outra na Venezuela, mas não confirmou que a sociedade prevista entre os dois países já esteja formalizada. No dia anterior, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, também havia reconhecido que o acordo binacional ainda não havia sido oficialmente firmado pelos governos.
A falta de detalhes sobre o contrato tem provocado questionamentos, inclusive entre parlamentares venezuelanos. A oposição cobra maior transparência sobre os termos do acordo e sobre a participação dos Estados Unidos na exploração das reservas do país.
Washington, por sua vez, sustenta que o projeto poderá atrair mais de US$ 100 bilhões em investimentos, ampliar a produção venezuelana e fortalecer a segurança energética norte-americana. O governo Trump também afirma que a iniciativa poderá contribuir para reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
Na prática, os novos contratos com Chevron e Eni representam avanços concretos na retomada da indústria petrolífera venezuelana. Já o chamado “maior acordo petrolífero da história” continua dependendo de definições e esclarecimentos sobre sua estrutura, seus termos e sua implementação.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/venezuela-assina-contratos-de-petroleo-com-os-eua-acordo-tem-incertezas.

Gabinete presidencial da Venezuela — Foto: Metrópoles
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