Brasil

    Vendas de imóveis crescem 5,3% no segundo trimestre, apesar de juros altos, aponta Cbic

    As vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período de 2025, mesmo com a taxa básica de juros em 14% ao ano, segundo levantamento da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e da Brain Inteligência Estratégica divulgado nesta segunda-feira (24). Leia mais (08/24/2026 - 12h37)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 15:37
    Vendas de imóveis crescem 5,3% no segundo trimestre, apesar de juros altos, aponta Cbic
    Área urbana com parque arborizado em primeiro plano e prédios residenciais e comerciais ao fundo sob céu claro. Caminhos e vegetação densa ocupam o parque, enquanto a cidade se estende até o horizonte. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    As vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período de 2025, mesmo com a taxa básica de juros em 14% ao ano, segundo levantamento da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e da Brain Inteligência Estratégica divulgado nesta segunda-feira (24).

    Parque Belém na avenida Celso Garcia, zona leste de São Paulo - Folhapress · Folhapress
    Parque Belém na avenida Celso Garcia, zona leste de São Paulo - Folhapress · Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram comercializadas 113.676 unidades residenciais em 221 cidades pesquisadas. No primeiro semestre, as vendas somaram 226.536 unidades, alta de 5,4% na comparação anual.

    Juros altos não interromperam a demanda por moradia, mas a recuperação é desigual: o Minha Casa, Minha Vida amplia sua participação em vendas e lançamentos, enquanto imóveis para a classe média perdem espaço.

    Os lançamentos totalizaram 107.161 unidades no segundo trimestre, queda de 1,3% em um ano, mas alta de 2,6% em relação aos três primeiros meses de 2026. Para os especialistas, o ritmo sinaliza que as incorporadoras continuam ativas.

    Veja aéreas comuns de empreendimentos Minha Casa, Minha Vida
    Veja aéreas comuns de empreendimentos Minha Casa, Minha Vida — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Sul teve a maior queda nos lançamentos: 17.353 unidades, recuo de 25,1% em um ano e de 11,7% ante o primeiro trimestre. Segundo Celso Petrucci, conselheiro da Cbic e economista-chefe do Secovi-SP, a menor oferta do Minha Casa, Minha Vida expõe a região ao crédito caro e à demanda por imóveis mais caros.

    A diferença entre vendas e lançamentos ajudou a reduzir o estoque. A oferta disponível terminou junho em 355.290 unidades, recuo de 2,1% ante o trimestre anterior. O prazo estimado para a venda de todo o estoque caiu de 9,9 meses no primeiro trimestre para 9,5 meses.

    O levantamento, que mapeou as condições de mercado em 221 cidades espalhadas pelo país, aponta que a demanda reprimida e as linhas de crédito habitacional continuam dando sustentação a um dos principais motores do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.

    7 fatos para saber antes de comprar a casa própria
    7 fatos para saber antes de comprar a casa própria — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o crédito imobiliário deve fechar 2026 com cerca de R$ 411 bilhões em concessões, acima do esperado.

    O principal motor das vendas é a habitação popular. No segundo trimestre, 62.129 das 107.161 unidades lançadas estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida (58% do total), a maior participação da série histórica do levantamento, iniciada em 2019.

    "Se continuar essa taxa de juros a dois dígitos, acredito que vamos chegar a 64% do Minha Casa, Minha Vida", afirmou Petrucci durante a apresentação dos indicadores imobiliários.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram 58.392 unidades vendidas do programa, ante 55.284 dos segmentos de médio e alto padrão.

    A concentração ajuda a explicar por que o número de imóveis comercializados cresce mesmo em um ambiente de juros elevados. O programa oferece condições subsidiadas para quem financia e recursos do FGTS , reduzindo a exposição direta do comprador à Selic.

    Ao mesmo tempo, o efeito da concentração em imóveis mais baratos aparece nos indicadores financeiros. O VGL (Valor Geral de Lançamentos) caiu 23,1% no segundo trimestre, para R$ 62,4 bilhões, ante R$ 81,7 bilhões um ano antes. O VGV (Valor Geral de Vendas) recuou 5,5%, para R$ 66 bilhões.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A força do programa se concentra principalmente nas regiões Norte, Sudeste e Nordeste. No Norte, o Minha Casa, Minha Vida lidera com 68% dos lançamentos (1.864 unidades) e 67% das vendas (2.463 unidades) do trimestre. No Sudeste, que responde pela maior fatia absoluta de mercado, o Minha Casa teve participação de 66% nos lançamentos (39.273 unidades) e de 58% nas vendas (33.159 unidades).

    Essa disparidade também se reflete nos estoques, com a participação do programa na oferta final disponível, variando de 51% no Norte e 48% no Sudeste até apenas 17% no Sul.

    O avanço das vendas ocorre paralelamente a uma mudança na estrutura de financiamento do setor.

    No primeiro semestre, os financiamentos do SBPE (com recursos vindos da poupança) para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% sobre um ano antes. O crédito para construção, contratado por empresas, mais que dobrou, para R$ 26,5 bilhões, alta de 107%. Já o financiamento para aquisição por pessoas físicas avançou 12%, para R$ 67,2 bilhões.

    O resultado é relevante porque o SBPE é uma das principais fontes de crédito para os segmentos de renda média e alta, justamente os mais expostos ao encarecimento do financiamento.

    A expansão ocorre enquanto o sistema passa por uma transição para reduzir a dependência da poupança. O novo modelo de funding, que entra em vigor integralmente a partir de 2027, amplia o papel de instrumentos como LCIs e recursos captados no mercado.

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    O problema é que a taxa básica elevada encarece as fontes alternativas de recursos. Bancos já discutem com o Banco Central uma revisão do teto de 12% ao ano para financiamentos enquadrados no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), sob o argumento de que o custo de captação pode tornar algumas operações pouco atrativas.

    "Nós somos a melhor operação que um banco pode ter para pessoa física. Nós somos o menor índice de inadimplência que o banco tem. Nós somos a melhor carteira, com a menor inadimplência e a melhor garantia, que é a garantia imobiliária", diz Petrucci.

    O levantamento mostra que o interesse futuro pela compra de imóveis permanece elevado. A intenção de compra alcançou 52% dos entrevistados, o maior nível da série histórica e três pontos percentuais acima de um ano antes.

    Entre os que pretendem comprar, 31% dizem que devem fechar o negócio em até um ano e 37% entre um e dois anos.

    O tipo de imóvel mais cobiçado é o apartamento (40%), seguido de perto por casas de rua (38%) e por casas em condomínio fechado (17%), segundo levantamento da Brain.

    Sair do aluguel é o principal motivo, citado por 37% dos interessados. Mudanças familiares, como sair da casa dos pais, casamento ou separação, respondem por 27%. Outros 20% mencionam a busca por mais espaço ou a necessidade de melhorias na moradia.

    A intenção elevada ajuda a explicar a redução dos estoques. No Minha Casa, Minha Vida, o prazo estimado de venda da oferta disponível é ainda menor: 7,6 meses.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/vendas-de-imoveis-crescem-53-no-segundo-trimestre-apesar-de-juros-altos-aponta-cbic.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    Parque Belém na avenida Celso Garcia, zona leste de São Paulo - Folhapress · Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)