Venda de títulos públicos se espalha pelo mundo e vários países têm maior alta em décadas
Uma onda mundial de vendas de títulos públicos se intensificou nesta terça-feira (1º), elevando os custos de financiamento de algumas das maiores economias do mundo aos níveis mais altos em décadas e abalando os investidores.

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Uma onda mundial de vendas de títulos públicos se intensificou nesta terça-feira (1º), elevando os custos de financiamento de algumas das maiores economias do mundo aos níveis mais altos em décadas e abalando os investidores.

À medida que a alta dos preços do petróleo agrava as preocupações com a inflação, os rendimentos dos títulos testam novas máximas , pressionando os orçamentos públicos e elevando as taxas de juros de uma ampla gama de empréstimos a consumidores e empresas.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos, talvez a taxa de juros mais influente do mundo, atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, enquanto o dos títulos de 30 anos continuou oscilando em torno da máxima de duas décadas.
Em outros mercados importantes de títulos, o rendimento dos papéis japoneses de 10 anos superou 3% pela primeira vez desde 1996; o dos títulos britânicos de 10 anos atingiu o maior nível desde meados de 2007; e o dos títulos alemães de 10 anos chegou a patamares vistos pela última vez em 2011.

A elevação dos custos de financiamento dos Estados Unidos desencadeou uma batalha entre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e os investidores em títulos , mas os fatores que impulsionam os rendimentos no país também afetam outros grandes mercados.
Em muitas economias avançadas, o aumento dos déficits orçamentários, os altos níveis de endividamento e a inflação persistente têm deixado apreensivos os investidores que acreditam que os governos são incapazes ou não estão dispostos a tomar medidas para melhorar sua situação fiscal.
A corrida das empresas de tecnologia por empréstimos para construir sistemas de inteligência artificial é outro fator por trás da alta dos rendimentos. As empresas emitiram bilhões de dólares em títulos, inundando os mercados e afastando investidores da dívida pública.

"É um fenômeno global", afirmou Peter Schaffrik, estrategista da RBC Capital Markets em Londres. Um dos fatores mais urgentes e imprevisíveis por trás da alta dos rendimentos é a prolongada guerra no Irã. Com a recente retomada dos ataques entre iranianos e norte-americanos, os preços do petróleo e do gás natural voltaram a subir. O petróleo Brent, referência internacional, registrava nova alta nesta terça, continuando acima de US$ 90 (R$ 468,03) o barril —quase 30% acima dos níveis anteriores à guerra.
O salto nos custos da energia —os preços de combustíveis refinados, como gasolina e diesel, subiram ainda mais rapidamente— aumentou as expectativas de aceleração da inflação, o que poderia levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros de curto prazo sob seu controle. A alta dos combustíveis também impõe custos enormes aos governos da Ásia e da Europa , grandes importadores de energia.
Em alguns casos, os níveis da dívida pública já atingiram patamares alarmantes. A dívida nacional bruta dos EUA superou US$ 40 trilhões (R$ 208,01 trilhões) pela primeira vez no mês passado, o equivalente a mais de 120% do tamanho da economia. Na França , a dívida pública ultrapassou 3,5 trilhões de euros (cerca de R$ 21,06trilhões), ou 117% do tamanho de sua economia. No Japão , o governo mantém gastos elevados apesar de uma dívida pública superior ao dobro do tamanho de sua economia.
Aos olhos dos investidores, muitos políticos não parecem suficientemente preocupados com esses níveis de endividamento. Em vez disso, os investidores veem planos governamentais com pouca probabilidade de reduzir os déficits orçamentários.
Na Europa, a França está no centro do ceticismo dos investidores às vésperas da eleição presidencial do próximo ano, na qual nenhum dos principais candidatos parece apresentar o que o mercado considera um plano confiável para reduzir os crescentes níveis de endividamento.
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A reputação da França como um dos portos seguros financeiros da Europa se deteriorou , e o país rapidamente se transformou no mercado de dívida mais preocupante da região, superando as economias de Itália e Grécia, que estiveram no epicentro de crises anteriores. Neste verão europeu (inverno no Brasil), o rendimento dos títulos públicos franceses superou o dos italianos.
Não está claro como isso será resolvido no curto prazo, mas a pressão do mercado de títulos pode forçar mudanças, afirmou Schaffrik. "É preciso algum tipo de fator disciplinador, e provavelmente será o mercado de títulos", observou.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/venda-de-titulos-publicos-se-espalha-pelo-mundo-e-varios-paises-tem-maior-alta-em-decadas.shtml.

Operador observa painéis com ações e outros investimentos na Bolsa de Nova York - Michael M. Santiago - 05.ago.26/Getty Images via AFP · Michael M. Santiago - 05.ago.26/Getty Images via AFP — Foto: UOL
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