Veja candidatos de SP com boa votação, mas barrados por quociente eleitoral
Oito candidatos ficaram entre os mais votados, mas não levaram uma das 70 vagas. PT foi o partido mais prejudicado pelo sistema proporcional

Oito candidatos a deputado federal estão entre os mais votados de São Paulo , mas ficaram de fora da lista de eleitos após a apuração das eleições neste domingo (4/10). A divergência acontece por causa da legislação eleitoral, que usa o chamado sistema proporcional para distribuir as cadeiras entre os partidos.
Entre os mais prejudicados pelo sistema proporcional, está a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV —, que obteve 2.834.542 votos. Rui Falcão (49º mais votado), Paulo Teixeira (51º mais votado), Reis (66º mais votado) e Moises Selerges (67º mais votado), todos do PT , não estão entre os 70 eleitos.
Por outro lado, o Partido Liberal ( PL ) foi o mais beneficiado pelo cálculo. Com 6.431.217 e direito a 19 vagas, o partido conseguiu eleger Eduardo Cury , Wesley Cezar Lelinho e Gil Diniz , mesmo que eles tenham recebido menos votos que os adversários. Cury, por exemplo, obteve 66.860 votos, cerca de 40 mil a menos que o petista Rui Falcão (que teve 106.471 votos).

No sistema proporcional, o eleitor escolhe um candidato, mas seu voto também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação . Segundo o Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ), as vagas são distribuídas aos partidos de acordo com o número total de votos que o partido recebe.
Um dos episódios da série Na Boca da Urna, do Metrópoles, explica com detalhes o funcionamento das eleições proporcionais. Veja a seguir:
“Vou dar aqui o exemplo do PSDB, que tem a sigla 45. Quando eu coloco os dígitos 4 e 5, eu estou falando: ‘Eu voto no partido PSDB’. Quando eu coloco o restante dos números do candidato, quero dizer que, dentro do PSDB, prefiro que aquele candidato seja eleito. Mas estou votando no partido”, explicou o advogado eleitoralista Paulo Mello ao Metrópoles .

O sistema depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário .
Para calcular o quociente eleitoral, é preciso dividir o número total de votos válidos no estado pelo número de vagas em disputa. O estado de São Paulo registrou 23.674.188 votos válidos em 2026 e tem direito a 70 cadeiras na Câmara. Com isso, o quociente eleitoral é de 338.203.
Para ser eleito, além de o partido atingir esse quociente, o candidato precisa receber uma votação nominal mínima de, pelo menos, 10% do valor do quociente eleitoral. Nas eleições de 2026, esse número é de 33.820.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/candidatos-boa-votacao-quociente.

Marina Ramos/Câmara dos Deputados — Foto: Metrópoles
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