Vancouver e Calgary combinam arte urbana e natureza no oeste canadense
Não fosse quase no Alasca (ou quase em Vladivostok), Vancouver seria uma opção natural do viajante brasileiro que decide conhecer o Canadá. A cidade à beira do Pacífico, com cerca de 40% de população imigrante, talvez peque por não lembrar em nada o Canadá estilo pequena-Europa de Quebec ou de Montreal. Leia mais (08/21/2026 - 08h00)

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Não fosse quase no Alasca (ou quase em Vladivostok), Vancouver seria uma opção natural do viajante brasileiro que decide conhecer o Canadá. A cidade à beira do Pacífico, com cerca de 40% de população imigrante, talvez peque por não lembrar em nada o Canadá estilo pequena-Europa de Quebec ou de Montreal.

Vancouver está mais para as capitais "high-tech" do sudeste asiático, seja no "skyline" dos arranha-céus, seja nos recortes litorâneos, e, aqui e ali, na irrupção do tabuleiro de uma ponte impressionante ou da passagem ordinária de um monotrilho.
Mas Vancouver, por outro lado, não se presta muito bem à locação de mais um remake de "Blade Runner". Não há ali o frenesi de uma Hong Kong, por exemplo. Se comparada a Tóquio, a cidade estaria talvez mais para Yanaka, o antigo bairro dos izakayas (tradicionais botecos japoneses) e dos cemitérios xintoístas, do que para Ginza, com suas marcas internacionais e luminosos.
Esse espírito mais relaxado está bastante expresso no Stanley Park, um parque a poucas quadras do centro em que praias, trilhas, farol e a visão da impressionante Lions Gate Bridge se sucedem numa caminhada de menos de duas horas.

Como se isso já não fosse suficiente, numa das pontas do parque fica o sensacional conjunto de esculturas A-Maze-Ing Laughter, de Yue Minjun, espécie de antidepressivo a que todo o cidadão do século 21 deveria ter acesso pelo menos uma vez ao dia. As peças de tamanho natural de pessoas sorridentes certamente injetam positividade ao mais empedernido dos passantes.
Calgary, a grande cidade de Alberta , que também se destaca por sua Chinatown e por seus restaurantes de muitas especialidades asiáticas, tem, assim como Vancouver, seu quinhão de land art.
No centro está a interessantíssima "Wonderland", do espanhol Jaume Plensa, uma enorme escultura vazada de uma cabeça humana, sucesso naquele conjunto de quarteirões que vale percorrer num walking tour.

Aqui, o touro é mais do que um símbolo estéril do mercado financeiro, já que Outlaw (1997-2004), que dá nome à estátua, de fato existiu. Trata-se do animal mais lendário de uma cidade que tem o rodeio como seu esporte número um. Em 71 corridas, permitiu-se apenas duas vezes ser montado por oito segundos – o tempo mínimo a estabelecer o sucesso do peão.
Ainda que menor, Calgary tem também sua própria "Tower", como a CN Tower, atração maior de Toronto, com seus 553,3 metros. Curiosamente, a de Calgary é oito anos mais antiga, concluída em 1968, mas bem menor, com seus 191 metros de altura. E assim como aquela, tem restaurante giratório, exposições didáticas e visão de 360 graus —aqui com o plus nada desprezível das Montanhas Rochosas a noroeste.
Assim como se emula Toronto na Tower —ou, fazendo justiça cronológica, Toronto ali é emulada—, o centro de Calgary também evoca Montreal. As famosas e intermináveis ruas subterrâneas da metrópole do Quebec se tornam passagens aéreas, passarelas que se conectam por quarteirões e mais quarteirões de galerias e lojas. O "+15" (de 15 pés, ou cinco metros, altura média das passarelas em relação ao solo) é o mais longo sistema do tipo para caminhantes do mundo, com cerca de 16 km de galerias cobertas conectadas por 86 passarelas.

No verão, isso tudo pode parecer um tanto ocioso. Seja como for, a qualquer hora, saber que o Island Park está a poucos passos, ali mesmo na Downtown, com o venerável rio Bow que vem das Rochosas a correr limpo —e piscoso— por todo o parque, é um delicioso lenitivo, mais um que as províncias do oeste canadense têm a oferecer.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2026/08/vancouver-e-calgary-combinam-arte-urbana-e-natureza-no-oeste-canadense.shtml.

Peace Bridge, em Calgary, que cruza o rio Bow e permite a passagem de pedestres e ciclistas - Divulgação/Pixabay · Divulgação/Pixabay — Foto: Folha de S.Paulo
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