Vai ver o zepelim!
Quando o dirigível Conde Zeppelin cruzou o céu do Rio de Janeiro em 1930, Manuel Bandeira estava se afogando num poço de amargura. Na tentativa de melhorar o humor do amigo, Mário de Andrade escreveu: "Vai ver o zepelim, Manu!". Leia mais (09/11/2026 - 10h00)

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Jornalista carioca radicada nos EUA, edita livros de economia e escreve crônicas sobre o cotidiano, literatura e História
Quando o dirigível Conde Zeppelin cruzou o céu do Rio de Janeiro em 1930, Manuel Bandeira estava se afogando num poço de amargura. Na tentativa de melhorar o humor do amigo, Mário de Andrade escreveu: "Vai ver o zepelim, Manu!".
Esta história está no livro de cartas dos dois escritores modernistas, esgotado há anos, e no recém-lançado "A Trinca do Curvelo" (Ed. Todavia), que li na semana passada, durante minhas férias no Rio. A autora Elvia Bezerra mostra como uma rua do bairro carioca de Santa Teresa marcou a vida e a obra de Bandeira.

Inspirada pelo livro, convidei uma amiga que andava tão desanimada quanto o poeta: "Vamos ver o zepelim?".
Mas, em vez de admirar um dirigível futurista, fomos andar de bonde retrô.
Subimos à tarde as ladeiras de Santa Teresa e terminamos a noite no samba . O programa foi tão bom que virou uma espécie de ritual nos dias seguintes, só trocando o samba por chorinho, mesas de bar e longas caminhadas.
Quando deixei o Rio, ela já era outra. E eu também.
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De volta em casa, terminei o livro, mas segui obcecada com a passagem do zepelim pelo Brasil. Mergulhei nos arquivos do jornal e liguei para minha amiga para falar sobre curiosidades que encontrei em notícias de quase cem anos atrás.
Ela, porém, veio com uma novidade maior. "Juntei minhas economias e estou indo para o Nordeste", me disse.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/vai-ver-o-zepelim.shtml.

Foto: Folha de S.Paulo
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