Brasil

    Vacinação na gravidez amplia proteção do bebê nos primeiros meses de vida

    A vacinação materna deixou de ser uma estratégia voltada apenas à saúde da gestante para se tornar uma importante ferramenta de prevenção de doenças nos primeiros meses de vida do bebê . Esse conceito vem ganhando força à medida que novas evidências científicas demonstram que, ao receber determinadas vacinas durante o pré-natal, a mulher produz anticorpos que atravessam a placenta e ajudam a proteger a criança justamente no período em que seu sistema imunológico ainda é imaturo. Leia mais (08/26/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 13:00
    Vacinação na gravidez amplia proteção do bebê nos primeiros meses de vida
    Mãos femininas com anel apoiam barriga de mulher grávida vista de perfil, contra fundo neutro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A vacinação materna deixou de ser uma estratégia voltada apenas à saúde da gestante para se tornar uma importante ferramenta de prevenção de doenças nos primeiros meses de vida do bebê . Esse conceito vem ganhando força à medida que novas evidências científicas demonstram que, ao receber determinadas vacinas durante o pré-natal, a mulher produz anticorpos que atravessam a placenta e ajudam a proteger a criança justamente no período em que seu sistema imunológico ainda é imaturo.

    Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters · Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters
    Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters · Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa proteção é especialmente importante porque os recém-nascidos ainda não podem receber algumas vacinas previstas no calendário infantil ou levam algum tempo para desenvolver sua própria resposta imunológica. Nesse intervalo, os anticorpos maternos funcionam como uma espécie de "escudo temporário" contra doenças que podem ser potencialmente graves. Depois do parto, o aleitamento materno também contribui para esse processo ao fornecer anticorpos importantes para a defesa do bebê.

    Atualmente, as gestantes devem receber as vacinas dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche; influenza (gripe); Covid-19; e, mais recentemente, contra o vírus sincicial respiratório (VSR) , importante causador de bronquiolite em bebês. A vacina contra hepatite B também é indicada para mulheres que ainda não se vacinaram ou não completaram o esquema vacinal. Todas elas estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

    No caso da vacina da gripe, o bebê só poderá recebê-la a partir dos seis meses. "Além de reduzir o risco de complicações para a mãe, estudos mostram que a imunização durante a gestação diminui em cerca de 63% os casos de gripe em lactentes nos primeiros meses de vida", afirma a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, do Einstein Hospital Israelita.

    Amamentar traz benefícios para o coração da mãe, aponta estudo
    Amamentar traz benefícios para o coração da mãe, aponta estudo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A dTpa protege contra a coqueluche, doença que pode ser muito grave em crianças pequenas. Em 2024, o Brasil registrou quase 8 mil casos da doença e 28 mortes de menores de 1 ano. Como a vacinação infantil começa aos dois meses, a imunização da gestante é a principal forma de oferecer proteção ao recém-nascido nesse período de maior vulnerabilidade.

    Apesar dos benefícios já bem estabelecidos e do avanço das recomendações, aumentar a cobertura vacinal entre gestantes ainda é um desafio no país. A adesão varia bastante conforme o imunizante. "Enquanto a vacina contra o VSR teve uma aceitação elevada desde sua incorporação às recomendações em 2025, a cobertura contra Covid-19 permanece em torno de 50% entre as gestantes", observa Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    A hesitação vacinal envolve o receio de efeitos adversos e a falsa percepção de que determinadas doenças deixaram de representar risco porque, em tese, não existem mais. Além disso, a circulação de informações incorretas sobre a vacinação nas redes sociais e os reflexos da pandemia de Covid-19 também contribuíram para aumentar a desconfiança em relação às vacinas.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outro fator que influencia é a recomendação feita durante o pré-natal . "Quando a orientação parte do obstetra ou de outro profissional de saúde, as chances de a gestante aceitar a vacinação aumentam expressivamente", afirma a médica do Einstein. Por isso, ela defende que o tema seja discutido já na primeira consulta, para ser possível organizar um cronograma vacinal adequado a cada gestação.

    Segundo Cunha, quando há uma recomendação ativa do médico, a adesão à vacinação pode chegar a 90%. Sem essa orientação, apenas uma pequena parcela das gestantes procura espontaneamente os imunizantes. "As vacinas recomendadas para uso durante a gestação apresentam perfil de segurança bem estabelecido e não estão associadas ao aumento de desfechos negativos para a mãe ou para o bebê", assegura Ana Paula Beck.

    Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/vacinacao-na-gravidez-amplia-protecao-do-bebe-nos-primeiros-meses-de-vida.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters · Regis Duvignau - 26.mar.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)