Vacina personalizada com mRNA reduz volta de melanoma em estudo
Estudo de fase 3 da Merck e Moderna indica que combinação com imunoterapia prolonga tempo sem recidiva e metástase após cirurgia

Uma vacina personalizada contra o câncer, desenvolvida a partir das características do próprio tumor, apresentou resultados positivos em pacientes com melanoma após cirurgia. O tratamento, feito com uma tecnologia baseada em mRNA e combinado a uma imunoterapia já usada na prática clínica, aumentou o tempo em que os pacientes permanecem sem sinais da doença e sem metástases.
Os dados são de um estudo de fase 3 conduzido pelas farmacêuticas Merck e Moderna com pessoas que tiveram o melanoma completamente retirado, mas ainda apresentavam risco de o câncer voltar.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira (19/8), as empresas informaram que a combinação do imunizante experimental com o pembrolizumabe, conhecido como Keytruda, foi superior ao uso do imunoterápico isolado.

Diferente das vacinas tradicionais, voltadas para prevenir infecções, esse tipo de tratamento é feito sob medida para cada paciente. A partir de uma amostra do tumor, os pesquisadores identificam mutações específicas e produzem uma molécula de mRNA capaz de ensinar o sistema imunológico a reconhecer essas alterações.
A ideia é que o organismo passe a identificar e atacar células cancerosas que carregam essas mesmas características. Já o pembrolizumabe atua liberando a resposta imune, bloqueando mecanismos que o tumor usa para escapar da vigilância do corpo.
“Os resultados representam um marco para o tratamento adjuvante do melanoma. O intismeran, combinado ao pembrolizumabe, pode reduzir o risco de recorrência ou morte em pacientes após a cirurgia”, afirmou a oncologista Georgina Long, principal autora do estudo, em comunicado. 9 imagens Fechar modal. 1 de 9 Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação

Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados

Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
A pesquisa incluiu pacientes com melanoma em estágios IIB a IV que não haviam recebido tratamento sistêmico antes da cirurgia. Em uma análise interina, o grupo que recebeu a combinação apresentou melhora tanto na sobrevida livre de recorrência quanto na sobrevida livre de metástase à distância.

Esses indicadores mostram por quanto tempo o paciente fica sem o câncer voltar e sem ele se espalhar para outras partes do corpo. O estudo ainda está em andamento e também vai analisar outros resultados, como a sobrevida dos pacientes ao longo do tempo.
De acordo com as empresas, não foram identificados novos problemas de segurança, e os efeitos observados foram semelhantes aos já conhecidos para os tratamentos.
Apesar dos resultados, os dados completos ainda serão apresentados em congresso científico e analisados por autoridades regulatórias, o que significa que o tratamento ainda não está disponível na prática clínica.

“Ao tratar o câncer após a cirurgia, o objetivo é aumentar as chances de cura. Esses resultados reforçam a proposta de terapias personalizadas”, disse Dean Li, presidente dos laboratórios de pesquisa da Merck. A tecnologia também está sendo estudada em outros tipos de câncer , como pulmão, bexiga e rim, além de tumores em fases iniciais de investigação.
O que os pesquisadores observam até agora é que usar o próprio perfil genético do tumor para orientar o tratamento pode ajudar o sistema imune a agir de forma mais direcionada, reduzindo as chances de o câncer voltar após a cirurgia.



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/vacina-personalizada-com-mrna-reduz-volta-de-melanoma-em-estudo.

Elen Sher/Unsplash — Foto: Metrópoles
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