Brasil

    Vacina contra HPV passa a ser indicada a crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual

    Ministério da Saúde atualizou diretriz após aumento dos registros de estupro de vulnerável

    UOL
    16 de setembro de 2026 às 02:00
    Vacina contra HPV passa a ser indicada a crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual
    Profissional de saúde com jaleco branco e óculos aplica vacina no braço de paciente. Ao fundo, cartaz informativo sobre HPV em ambiente clínico. — Foto: UOL

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    O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o HPV para meninas e meninos a partir dos 2 anos de idade que tenham sido vítimas de violência sexual . Até então, a vacina era oferecida para crianças vítimas de abuso com 9 anos ou mais.

    Vacinação contra HPV em Belo Horizonte - Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS · Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS
    Vacinação contra HPV em Belo Horizonte - Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS · Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS — Foto: UOL · Fonte: UOL

    De acordo com nota técnica da pasta, a medida foi tomada devido ao aumento dos casos de estupro e estupro de vulnerável nos últimos anos, com alta expressiva entre crianças menores de 9 anos. "Dados das secretarias estaduais de Segurança Pública corroboram esse cenário, indicando aumento progressivo dos casos, especialmente entre meninas negras e em situação de vulnerabilidade social", diz trecho do documento.

    A nota técnica cita números do Atlas da Violência 2026, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), segundo o qual os casos de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845 em 2024. Na faixa etária de 5 a 14 anos, saltaram de 6.594 para 29.135.

    Com a nova recomendação, crianças a partir dos 2 anos vítimas de violência sexual poderão receber uma dose da vacina quadrivalente, após avaliação do serviço de referência ou do profissional de saúde responsável pelo atendimento da vítima.

    Projeto leva kits de autocoleta para prevenção do HPV a mulheres no Amazonas
    Projeto leva kits de autocoleta para prevenção do HPV a mulheres no Amazonas — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O HPV (papilomavírus humano) é uma família de mais de 200 tipos de vírus. A infecção costuma desaparecer sozinha, mas a permanência prolongada de alguns tipos, chamados de alto risco, pode provocar alterações nas células e causar câncer .

    Entre os mais de 200 tipos de HPV, 12 são considerados de alto risco e estão associados a seis tipos de câncer: colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. No SUS , a vacina quadrivalente protege contra quatro tipos do vírus, 6, 11, 16 e 18, sendo os dois primeiros de baixo risco (associados principalmente a verrugas genitais), e os dois últimos, de alto risco.

    A vacina não é capaz de evitar ou reverter eventual infecção por HPV decorrente de estupro. O imunizante, contudo, ainda poderá proteger a vítima contra os outros tipos do vírus aos quais não tenha sido exposta.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), isso é relevante especialmente diante do risco de recorrência da violência sexual, uma vez que os abusos contra crianças costumam ser cometidos por pessoas próximas, como familiares, conhecidos e vizinhos, e podem se repetir.

    A aplicação da vacina antes dos 9 anos não substitui a vacinação de rotina , indicada dos 9 aos 14 anos em esquema de dose única. Isso ocorre porque ainda não se sabe por quanto tempo permanece a proteção obtida tão cedo. Por isso, quem receber a vacina antes dos 9 anos deverá seguir o calendário normalmente ao chegar a essa idade.

    O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já prevê vacinação contra HPV a partir dos 2 anos para pessoas com papilomatose respiratória recorrente, doença que provoca lesões nas vias respiratórias. A nota do ministério cita essa experiência como parte da justificativa para estabelecer 2 anos como idade mínima, embora não apresente dados específicos sobre essa população.

    A principal evidência citada na nota ténica para a vacinação de crianças pequenas é um estudo realizado na Colômbia, no México e no Panamá com 74 meninas de 4 a 6 anos. Elas receberam duas doses de uma vacina bivalente contra os tipos 16 e 18 do vírus e foram acompanhadas por 36 meses.

    O estudo encontrou resposta imunológica elevada e sustentada e não identificou evento adverso grave relacionado à vacinação. Os autores ressaltaram, porém, que o número de participantes era pequeno e que seriam necessárias pesquisas adicionais. Além disso, a eficácia clínica da vacina em crianças de 2 e 3 anos não foi avaliada.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/vacina-contra-hpv-passa-a-ser-indicada-a-criancas-a-partir-de-2-anos-vitimas-de-violencia-sexual.shtml.

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    Vacinação contra HPV em Belo Horizonte - Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS · Rodrigo Nunes - 9.mar.15/Divulgação MS — Foto: UOL

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