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    Útero com malformação pode passar anos sem sintomas e afetar gravidez

    Útero unicorno e bicorno são malformações congênitas que podem aumentar o risco de aborto e parto prematuro

    Metrópoles
    12 de agosto de 2026 às 05:00
    Útero com malformação pode passar anos sem sintomas e afetar gravidez
    Foto: Metrópoles

    Uma mulher pode passar boa parte da vida sem saber que nasceu com um útero de formato diferente. A descoberta, muitas vezes, acontece por acaso durante um ultrassom ou somente quando surgem dificuldades reprodutivas ou complicações na gravidez. Entre as chamadas malformações uterinas congênitas estão o útero unicorno e o bicorno.

    As alterações surgem ainda durante o desenvolvimento embrionário. Na formação do sistema reprodutor feminino, duas estruturas chamadas ductos de Müller precisam se desenvolver e se unir adequadamente. Quando alguma etapa não ocorre por completo, o útero pode adquirir formatos diferentes.

    “É importante reforçar que a mulher já nasce com essa alteração. Ela não desenvolve um útero bicorno ou unicorno ao longo da vida”, explica Grazielly Teles, ginecologista especialista em endometriose e saúde integral da mulher, em Campinas e Atibaia (SP). Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia ( Febrasgo ), as malformações uterinas atingem cerca de 3% a 5% da população geral. A frequência exata é difícil de determinar justamente porque muitas mulheres não apresentam sintomas.

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    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No útero unicorno, um dos ductos de Müller não se desenvolve adequadamente. Na prática, forma-se predominantemente apenas um lado do órgão, que tende a ser menor e assimétrico. Algumas mulheres também apresentam uma pequena estrutura do outro lado, chamada corno rudimentar.

    No bicorno, os dois lados se desenvolvem, mas não se unem completamente. A parte superior do útero fica dividida em duas porções, formando dois “cornos” e adquirindo uma aparência frequentemente comparada à de um coração.

    Nem sempre há sinais de que algo está diferente. “ Muitas mulheres são completamente assintomáticas e podem passar anos sem saber que possuem uma malformação uterina. Algumas descobrem por acaso durante um ultrassom ou outro exame ginecológico ”, acrescenta a médica.

    Foto colorida de mão feminina em frente uma colagem de figura que simboliza o útero - Metrópoles.
    Foto colorida de mão feminina em frente uma colagem de figura que simboliza o útero - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Sim. Ter útero unicorno ou bicorno não significa automaticamente infertilidade. Muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente, embora a anatomia uterina possa influenciar tanto a vida reprodutiva quanto a evolução da gestação.

    “Tanto o útero unicorno quanto o útero bicorno podem dificultar a gravidez, seja em relação à dificuldade para engravidar ou durante a própria gestação. Em ambas as condições, isso pode ocorrer. E mais: muitas mulheres, na verdade, a grande maioria, engravidam naturalmente mesmo com essas condições”, afirma Tatiana Berlinsky, ginecologista do Instituto Gilberto Kocerginsky, de Curitiba (PR). O que é importante saber Útero unicorno: apenas um lado do útero se desenvolve adequadamente; Útero bicorno: os dois lados se formam, mas não se unem completamente; Sintomas: muitas mulheres não apresentam sinais; Fertilidade: a malformação não significa infertilidade e uma gravidez natural é possível; Gestação: pode haver maior risco de aborto e parto prematuro; Diagnóstico: ultrassom pode levantar a suspeita, enquanto ultrassonografia 3D e ressonância ajudam a detalhar a anatomia; Tratamento: cirurgia não é indicada para todas as pacientes. Com dois “cornos” no bicorno e apenas um lado desenvolvido no unicorno, alterações podem ser descobertas somente na vida adulta A Febrasgo também destaca que as anormalidades uterinas não necessariamente dificultam a concepção e a implantação. O maior impacto pode aparecer ao longo da gravidez, dependendo do tipo de malformação e da anatomia de cada paciente.

    Embora muitas mulheres consigam engravidar, a gestação merece acompanhamento mais próximo. O espaço e o formato da cavidade uterina podem interferir no desenvolvimento da gravidez.

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    “São gestações em que o risco de aborto espontâneo e de parto prematuro também é maior. Esses eventos são mais frequentes e prevalentes nesse tipo de paciente, exigindo o acompanhamento por um especialista em pré-natal e um obstetra especializado em gestação de alto risco, até o fim da gravidez”, afirma Tatiana. Nem toda malformação precisa de cirurgia O primeiro passo para definir a conduta é saber exatamente qual alteração a mulher apresenta. O ultrassom ginecológico pode levantar a suspeita, enquanto a ultrassonografia tridimensional e a ressonância magnética ajudam a visualizar melhor a cavidade e o contorno externo do útero.

    Um cuidado particularmente importante é não confundir útero bicorno com útero septado . No bicorno, existe uma alteração também no formato externo do órgão. No septado, o contorno externo pode ser próximo do normal, mas uma parede de tecido divide parcial ou completamente a cavidade.

    A diferença muda a indicação de tratamento. De acordo com a Febrasgo, mulheres com útero unicorno normalmente não são candidatas à correção cirúrgica. No bicorno, a cirurgia para unificar os cornos fica reservada a casos selecionados, principalmente quando há abortamentos recorrentes sem outra causa identificada. Já a retirada do septo uterino por histeroscopia pode ser indicada em situações específicas.

    Com dois “cornos” no bicorno e apenas um lado desenvolvido no unicorno, alterações podem ser descobertas somente na vida adulta
    Com dois “cornos” no bicorno e apenas um lado desenvolvido no unicorno, alterações podem ser descobertas somente na vida adulta — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Por isso, descobrir uma malformação não significa precisar de cirurgia nem recorrer automaticamente à reprodução assistida. O diagnóstico correto permite avaliar a anatomia, o histórico reprodutivo e os planos da mulher para definir o acompanhamento mais adequado — inclusive antes de uma futura gravidez.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/utero-com-malformacao-pode-passar-anos-sem-sintomas-e-afetar-gravidez.

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