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    USP firma acordo com escola coreana referência que formou diretor de 'Parasita'

    Parceria foi anunciada durante festival no CCSP em São Paulo

    UOL
    8 de agosto de 2026 às 08:00
    USP firma acordo com escola coreana referência que formou diretor de 'Parasita'
    Homem de terno cinza levanta vaso de planta acima da cabeça ao ar livre, com prédios residenciais e céu parcialmente nublado ao fundo. — Foto: UOL

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    Dos K-dramas aos filmes aclamados pela crítica, o sucesso mundial do audiovisual coreano é reconhecido internacionalmente. Quando o assunto é indústria cinematográfica, a Coreia do Sul é, para muitos, uma bússola.

    Cena do filme 'No Other Choice', que foi candidato coreano ao Oscar - Divulgação · Divulgação
    Cena do filme 'No Other Choice', que foi candidato coreano ao Oscar - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O modelo sul-coreano costuma ser usado como um indicador de sucesso, como uma política a ser seguida", afirma a pesquisadora Marina Rossato, da Universidade de Liège, na Bélgica.

    No cinema , um marco importante foi "Parasita", de Bong Joon-ho, o primeiro filme não falado em inglês a ganhar o Oscar de melhor filme, em 2020.

    A Academia Coreana de Artes Cinematográficas —ou Kafa, na sigla em inglês— escola que formou Joon-ho e muitos outros cineastas de renome na Coreia do Sul acaba de firmar um acordo com a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo que prevê projetos de intercâmbio, pesquisa e formação de jovens cineastas. A assinatura do acordo coincidiu com a visita ao Brasil do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung.

    Veja filmes da 15ª Mostra de Cinema Coreano
    Veja filmes da 15ª Mostra de Cinema Coreano — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A parceria foi anunciada durante a abertura da 15ª Mostra de Cinema Coreano no Brasil , realizada no Centro Cultural São Paulo, o CCSP, que neste ano dedica sua programação à Kafa.

    A mostra, organizada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil, exibe gratuitamente até 14 de agosto longas e curtas produzidos por alunos e ex-alunos da escola.

    A escola surgiu num momento de abertura do país. No final dos anos 1980, a Coreia do Sul se preparava para se despedir de uma ditadura e de uma censura ferrenha.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Naquela altura, a política cultural do país seguia uma linha dura. Havia um número mínimo de filmes que uma produtora deveria lançar por ano para poder continuar funcionando. Já para poder atuar como diretor, o cineasta precisava trabalhar por anos como assistente de um diretor sênior. Só depois tinha a chance de estrear seu próprio filme.

    "A Kafa quebrou isso. Jovens talentos entravam, aprendiam na prática e, se fizessem um bom curta-metragem, podiam estrear direto em um longa, sem passar por anos como assistente. Isso atraiu mentes jovens e brilhantes das melhores universidades, que viam o cinema como um espaço de liberdade de expressão", diz Joh Keun-shik, diretor-executivo da Kafa.

    Os novos talentos, por sua vez, começaram a atrair investimento para a indústria do cinema.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Nos anos 1980, filmes com mensagens políticas contrárias ao governo eram totalmente proibidos, e era quase impossível retratar os lados sombrios da sociedade. Os cineastas lutaram continuamente pela liberdade de expressão. Conforme o regime militar acabou e entramos na transição democrática, isso mudou", diz o diretor.

    Ainda que alguns não concordem com a direção para a qual a bússola coreana aponte, não há como negar que a Coreia do Sul escolheu um objetivo e chegou lá.

    Para a pesquisadora Marina Rossato, a estratégia adotada pelo país asiático teve como prioridade o desenvolvimento comercial da indústria. O modelo ajudou a consolidar um mercado doméstico forte e a projetar no exterior o cinema sul-coreano, mas também produziu um ambiente altamente concentrado.

    O modelo, muito calcado na iniciativa privada e num ambiente econômico de alta concentração, acaba privilegiando obras com potencial comercial —o que não é um cenário ideal para o cinema independente

    "O conteúdo é muito concentrado entre produções de Hollywood e blockbusters locais", diz Rossato. Na avaliação da pesquisadora, o sistema oferece pouco espaço para filmes independentes e para a diversidade de obras, uma consequência do peso dos grandes conglomerados privados que dominam a produção e a distribuição.

    Com a pandemia e o avanço do streaming, "os investidores, que são geralmente privados, parassem de investir em novas produções e até segurassem filmes e não os liberassem para a distribuição, com medo de não ter a renda prevista. Isso causou uma grande crise em que o apoio à produção independente foi reduzido ainda mais", diz Rossato.

    O desafio brasileiro é definir qual política audiovisual pretende construir. "Eu não vejo uma discussão sobre os objetivos da política audiovisual no Brasil. Mais do que copiar a Coreia do Sul, "precisamos discutir que cinema queremos desenvolver, qual o papel da diversidade cultural e como transformar o audiovisual em uma política de Estado", afirma.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/usp-firma-acordo-com-escola-coreana-referencia-que-formou-diretor-de-parasita.shtml.

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