Brasil

    Uso malicioso da IA e guerra nuclear podem levar à extinção da humanidade até 2100, diz relatório

    O uso malicioso da inteligência artificial (IA), inclusive para desenvolver armas biológicas, e a possibilidade de uma guerra nuclear estão entre as ameaças que podem levar à extinção da humanidade até o ano de 2100, segundo uma avaliação global publicada pela revista médica The Lancet . Leia mais (10/12/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de outubro de 2026 às 07:00
    Uso malicioso da IA e guerra nuclear podem levar à extinção da humanidade até 2100, diz relatório
    Mão metálica robótica tocando teclas de teclado preto em primeiro plano. Ao fundo, letras grandes e iluminadas formam 'AI' com texto 'Artificial Intelligence' desfocado abaixo, em tons de azul. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O uso malicioso da inteligência artificial (IA), inclusive para desenvolver armas biológicas, e a possibilidade de uma guerra nuclear estão entre as ameaças que podem levar à extinção da humanidade até o ano de 2100, segundo uma avaliação global publicada pela revista médica The Lancet .

    Ilustração com as palavras "AI Artificial Intelligence" (IA Inteligência Artificial), um teclado e uma mão robótica - 23.set.26/Reuters · 23.set.26/Reuters
    Ilustração com as palavras "AI Artificial Intelligence" (IA Inteligência Artificial), um teclado e uma mão robótica - 23.set.26/Reuters · 23.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O levantamento identificou 17 grandes ameaças à saúde humana nos próximos 75 anos, incluindo mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana, desnutrição infantil e redução da ajuda internacional. Segundo os especialistas, esses riscos estão interligados e precisam ser enfrentados de maneira conjunta.

    A análise foi elaborada pela Comissão Lancet sobre Ameaças Globais à Saúde no Século 21, formada por 35 especialistas. As conclusões foram apresentadas durante a Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha, neste domingo (11).

    O relatório afirma que uma guerra nuclear poderia provocar uma fome em escala global caso partículas lançadas na atmosfera bloqueassem parte da luz solar, prejudicando a produção de alimentos. Outro cenário envolve o desenvolvimento de armas biológicas com o uso malicioso da IA.

    Protestos pedem pausa na corrida da IA
    Protestos pedem pausa na corrida da IA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um editorial da Lancet publicado junto com o estudo alerta para a dimensão das possíveis consequências desses eventos. "A escala dos danos, caso se concretizem, infligiria um apocalipse à humanidade", afirma o texto.

    Para classificar as ameaças, os pesquisadores estimaram quantos anos de vida saudável poderiam ser perdidos em decorrência de doenças, incapacidades e mortes prematuras. A medida utilizada é conhecida como anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês).

    Entre as ameaças classificadas como catastróficas, com potencial de provocar mais de 1 bilhão de DALYs acumulados, estão a poluição do ar, a resistência antimicrobiana, o colapso climático, os conflitos convencionais, a obesidade e os problemas de saúde mental.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não estamos partindo do princípio de 'olha, queremos assustar vocês porque temos X ameaças à humanidade'", disse ao jornal britânico The Guardian Ibrahim Abubakar, membro da comissão e professor de epidemiologia de doenças infecciosas da UCL (University College London).

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    "Estamos partindo da premissa de que, se você é um formulador de políticas hoje, seja no nível multilateral global ou no nível nacional, essas são as ameaças potenciais que você pode enfrentar, e essa é a magnitude com que, se você agir, poderá realmente fazer a diferença."

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, "as decisões tomadas pelos líderes hoje moldarão a saúde e o bem-estar da próxima geração".

    Os autores defendem que os governos invistam em inovação tecnológica, fortaleçam os sistemas de saúde e ampliem a capacidade de antecipar e prevenir crises. A avaliação deverá ser atualizada anualmente, com a revisão das ameaças identificadas e a inclusão de novos riscos.

    "Iniciamos esse processo há três anos, pensando que havia três grandes ameaças: conflitos, mudanças climáticas e pandemias", disse Murray ao Guardian.

    "Há um número muito maior de ameaças com as quais precisamos nos preocupar, e os governos realmente precisam dedicar recursos financeiros e humanos à tarefa de antecipação, prevenção e preparação para esse conjunto mais diversificado de ameaças."

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/uso-malicioso-da-ia-e-guerra-nuclear-podem-levar-a-extincao-da-humanidade-ate-2100-diz-relatorio.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Ilustração com as palavras "AI Artificial Intelligence" (IA Inteligência Artificial), um teclado e uma mão robótica - 23.set.26/Reuters · 23.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)