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    Usina alvo da Carbono Oculto foi de foragido e hoje está em fundo secreto

    Segundo decisão da Justiça que autorizou operação, empresa faz parte de engrenagem para ocultar patrimônio de criminosos após o fim da REAG

    Metrópoles
    24 de setembro de 2026 às 14:56
    Usina alvo da Carbono Oculto foi de foragido e hoje está em fundo secreto
    Foto: Metrópoles

    A Usina Itajobi, alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira (24/9), foi adquirida pelo grupo liderado por Mohamad Hussein Murad, conhecido como “Primo”, mas que se apresentou, a partir de 2023, na região de Catanduva, onde o parque industrial é sediado, como João.

    Primo está foragido, acusado de desviar mais de R$ 8 bilhões de sonegação de impostos e suspeito de ter vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Na junta comercial de São Paulo, a usina está registrada em nome de Walter Martins Ferreira III e do Fundo Celebration, o qual a defesa da usina se recusa a revelar quem são os beneficiários.

    Lucas Takahashi/ Especial para o Metrópoles
    Lucas Takahashi/ Especial para o Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que motivou a nova fase da Carbono Oculto, hoje o fundo Celebration faz parte de uma engrenagem usada para blindar e ocultar o patrimônio do grupo após a liquidação da gestora Reag, em janeiro de 2026.

    A engrenagem é uma tríade composta pela Usina Itajobi, adquirida pelo Celebration, e segundo o TJSP transferida para o grupo Entre Investimentos; o fundo Radford, fundo administrado pelo Banco Genial que tem como cotista único, justamente a Usina Itajobi; e, por fim as sociedades Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda, que estão em nome de um laranja.

    O grupo Itajobi está com uma mediação em andamento no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de São José do Rio Preto para tentar reestruturar uma dívida de R$ 3 bilhões.

    Usina Itajobi
    Usina Itajobi — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Conhecido como Waltinho, Walter Martins Ferreira III, um dos sócios constituídos pela Usina Itajobi, apareceu nas investigações como uma pessoa ligada à Reag, que foi alvo de busca e apreensão em endereços em Barretos, no interior de São Paulo.

    Ele está junto de Primo desde o início da sociedade com Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, que também está foragido. Eles compraram a formuladora Copape e a distribuidora Aster, em 2020, por meio de um fundo de gaveta da Reag, chamado Location.

    O Location, segundo as investigações, pertence a Renato Steinle, que recebeu R$ 45 milhões da esposa de Primo antes de fazer o negócio para adquirir a formuladora e a distribuidora de combustíveis. As empresas representaram um salto na organização criminosa, que passou a se tornar uma dos grupos mais relevantes do país no setor.

    Toda a engenharia dessa compra fraudulenta foi desvendada e denunciada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) , do Ministério Público de São Paulo (MPSP) , no âmbito da Operação Cassiopéia, um dos embriões da Carbono Oculto.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/ramiro-brites/usina-carbono-oculto.

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