Urna eletrônica, 30 anos: por dentro da 'máquina de escolher o futuro'
Se você estivesse passeando por uma praça ou por um shopping há exatos 30 anos, talvez se deparasse com um aparelho até então desconhecido pela grande maioria dos brasileiros: a urna eletrônica . Leia mais (09/25/2026 - 23h00)

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Se você estivesse passeando por uma praça ou por um shopping há exatos 30 anos, talvez se deparasse com um aparelho até então desconhecido pela grande maioria dos brasileiros: a urna eletrônica .

O Brasil usou o dispositivo pela primeira vez em larga escala nas eleições municipais de 1996. E a Justiça Eleitoral se preocupou em apresentar a máquina de votar aos eleitores, com demonstrações em locais públicos para que eles se acostumassem com a ideia.
Naquele ano, 32 milhões de pessoas em 57 cidades escolheram seus prefeitos e vereadores apertando as teclas numéricas, depois o botão verde e ouvindo o "pi-li-lim" no final. Já na eleição de 2000, o país todo votou assim.
Mas você sabe como a urna funciona? O que tem dentro dessa máquina que usamos para escolher nosso futuro? O que a torna segura? Qual é o problema com o voto de papel ?

Lacração : Antes da eleição, a urna recebe as informações dos candidatos (como nome, número, partido e foto) e é fechada com lacre. Isso acontece em um evento público . Na hora de votar, a urna funciona sozinha, sem internet, como uma máquina de contar;
Votação : Antes de começar, a urna imprime a zerésima, um papel indicando que ainda não há nenhum voto depositado . Com a seção aberta, o mesário confere quem é cada eleitor, checando o nome e a impressão digital, para garantir que cada pessoa vote só uma vez, e que ninguém vote no lugar de ninguém. O voto é secreto, e não é permitido filmar ou fotografar;
Apuração : Dentro da urna, um cartão de memória guarda todos os votos de um jeito secreto, como um quebra-cabeça. O nome disso é criptografia . Quando a votação acaba, os votos são enviados ao TSE por uma rede privada, e não pela internet. O processo é rápido, e a gente vai dormir já sabendo quem foi eleito;

Auditoria : Quando a votação termina, a urna imprime cinco boletins, que são extratos em papel com o total de votos depositados —sim, a urna eletrônica também imprime. Uma cópia é colada na porta da seção eleitoral e as outras são distribuídas à Justiça Eleitoral e aos fiscais dos partidos, para que todos chequem os números.
Principalmente a partir das eleições de 2022, a urna começou a ser colocada sob suspeita, e tudo indica que certos ataques devem se repetir neste ano. Alguns políticos e partidos afirmam (sem conseguir provar) que o sistema eletrônico de votação não é seguro . Há também quem defenda que o país volte a usar o voto impresso.
Até hoje, o sistema eletrônico não registrou nenhuma falha que comprometesse o sigilo do voto ou a apuração. O voto em papel, por sua vez, sim. O ministro Carlos Velloso, que era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quando a urna passou a ser usada, já disse que as suspeitas de fraudes na eleições municipais no Rio de Janeiro, em 1992, levaram o órgão a entender que "era preciso afastar a mão humana da apuração dos votos".
Criticar a urna eletrônica não é inédito, mas o movimento ganhou mais força no contexto das eleições de 2022, que terminaram com a derrota de Jair Bolsonaro (PL) . Em julho daquele ano, o então presidente reuniu embaixadores de vários países no Palácio da Alvorada e lançou suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral. Por esse encontro, ele acabou declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Quando o STF julgou a tentativa de golpe de Estado perpetrada por Bolsonaro e membros do seu governo, a tentativa de descrédito das urnas voltou a ser analisada. A acusação defendeu que o PL, o partido dele, sabia da integridade das urnas e só divulgou um relatório com supostas fraudes com a intenção de descredibilizar as instituições, aumentar a tensão e preparar o terreno para os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A urna passa desde 2009 por teste público, em que peritos tentam invadi-la propositalmente para apontar eventuais falhas. Em 2025, foram 38 planos de ataque que não comprometeram voto ou resultado. O código-fonte também é aberto a fiscalizadores e partidos políticos. Em 2022, nove organismos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), atestaram a segurança e, em 2026, a União Europeia fará sua primeira missão no país.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2026/09/urna-eletronica-30-anos-por-dentro-da-maquina-de-escolher-o-futuro.shtml.

João Montanaro · João Montanaro — Foto: Folha de S.Paulo
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