Brasil

    Uma aposta perdida

    Está saindo do forno uma medida provisória que limita a jogatina liberada pelo governo. Lula gostaria de acabar com ela, mas, como já explicou, não é dono do país. A favor mesmo, só o Ministério da Fazenda . Ele calcula que, se as apostas fossem proibidas, a Viúva deixaria de arrecadar R$ 12 bilhões. Leia mais (09/22/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 02:00
    Uma aposta perdida
    Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    Site de apostas esportivas na tela de celular - Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP · Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP
    Site de apostas esportivas na tela de celular - Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP · Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Está saindo do forno uma medida provisória que limita a jogatina liberada pelo governo. Lula gostaria de acabar com ela, mas, como já explicou, não é dono do país. A favor mesmo, só o Ministério da Fazenda . Ele calcula que, se as apostas fossem proibidas, a Viúva deixaria de arrecadar R$ 12 bilhões.

    A teia de interesses que gravitam em torno da jogatina fortalece-se a cada dia. Basta dizer que os clubes de futebol ameaçam com o fim do esporte no Brasil caso as apostas sejam proibidas. Como o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo sem o patrocínio de casas de apostas, ninguém explica. Também não explicam por que, no ano da Copa das Apostas, a seleção voltou para casa depois das oitavas de final.

    A jogatina foi legalizada com o propósito de bombar a arrecadação e, com esse objetivo, descuidaram-se dos detalhes. Como lembrou Lula , com os celulares, cada sala de jantar virou um cassino. Em 2025, as apostas drenaram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares e o comércio perdeu R$ 134 bilhões em dois anos. Parte desse dinheiro vai-se embora do país.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    (Não se acredite que com um Bolsonaro a coisa melhore, pois Jair prometeu ao rei dos cassinos de Las Vegas abrir as casas de jogo.)

    É improvável, mas era possível, que o Brasil abrisse um mercado de apostas de forma ordenada. Como as tratativas deram-se no escurinho de Brasília, o resultado foi o pior possível. Disso resulta que o governo está tonto, correndo atrás do prejuízo social e sujeito aos mais diversos tipos de pressão.

    A iniciativa que tentou limitar a publicidade durante a Copa do Mundo foi um tiro que saiu pela culatra e permitiu aos interessados atribuir a lambança ao Palácio do Planalto. Produzida no caos, a legislação da jogatina viceja no caos, e, se ninguém se mexer, o caos servirá de justificativa para a desordem que ele mesmo provoca.

    Se o crime organizado consegue se infiltrar em fundos de investimento da Faria Lima, o que ele consegue fazer em casas de apostas? Um ex-funcionário do Banco Master lava dinheiro no jogo do tigrinho. A banda da jogatina tem alguma má consciência. Só isso explica a tentativa de impor cem anos de sigilo nas negociações para autorizar o funcionamento de casas de apostas.

    O ex-ministro da Fazenda e atual candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad , defende que as casas de apostas sejam proibidas. Como? A ver. Seus argumentos são fortes: "Isso não está fazendo bem para ninguém".

    "Não gera emprego, há evasão de divisas —o que vai de dinheiro para fora é uma montanha de dinheiro— e nós podemos estar falando em alguma coisa entre 0,5% e 1% do PIB . É muito dinheiro para uma coisa que está gerando o quê de bem-estar? Não está gerando bem-estar nenhum."

    Cinco capitais e dois estados já criaram regras que restringem a publicidade das apostas

    No mundo digital é impossível acabar com as apostas com uma canetada, como fez o presidente Dutra em 1946, mas pode-se pôr alguma ordem na festa. Se as restrições impostas às apostas seguirem o modelo das que são aplicadas aos cigarros e às bebidas, já é um bom começo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/09/uma-aposta-perdida.shtml.

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    Site de apostas esportivas na tela de celular - Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP · Mauro Pimentel - 2.out.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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