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    Um Orçamento irrealista para o início do próximo governo

    Recém-apresentado, o projeto de Orçamento da União para 2027, o primeiro do próximo governo, prevê superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões , sem incluir despesas com juros . Se confirmado, será o primeiro saldo positivo desde 2013, fora o registrado em 2022 sob condições excepcionais. As ressalvas, porém, são muitas. Leia mais (09/06/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 01:00
    Um Orçamento irrealista para o início do próximo governo
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    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) - Ana Volpe/Agência Senado · Ana Volpe/Agência Senado
    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) - Ana Volpe/Agência Senado · Ana Volpe/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Recém-apresentado, o projeto de Orçamento da União para 2027, o primeiro do próximo governo, prevê superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões , sem incluir despesas com juros . Se confirmado, será o primeiro saldo positivo desde 2013, fora o registrado em 2022 sob condições excepcionais. As ressalvas, porém, são muitas.

    O problema principal é o otimismo das projeções que lastreiam a peça, como tem sido hábito neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).

    Para uma despesa primária (não financeira) de R$ 2,83 trilhões, espera-se receita de R$ 2,849 trilhões, ou 19,3% do Produto Interno Bruto. A cifra esperada é um recorde histórico —nos últimos anos, mesmo com alta de impostos, a receita não tem chegado a 18,5% do PIB .

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    Calcula-se, ademais, um crescimento econômico de 2,46%, muito acima das previsões do setor privado coletadas pelo Banco Central , que rondam 1,5%. Com essa estimativa mais conservadora, a arrecadação seria ao menos R$ 16 bilhões menor.

    O esgotamento financeiro de empresas e famílias , com níveis históricos de endividamento, reforça o ceticismo. A inadimplência sobe nos balanços bancários. Programas de crédito subsidiado têm adesão aquém do volume anunciado, sinal de que o limite de alavancagem ou se aproxima ou já foi atingido. Tudo aponta para atividade mais fraca do que a imaginada no Orçamento.

    Outro pilar frágil são os ganhos projetados com a reforma tributária. Estima-se que impostos e contribuições incidentes sobre o consumo renderão 5,1% do PIB, acima dos cerca de 4,6% observados recentemente.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O critério legal de transição para o novo sistema explica o salto, mas há incertezas sobre a base de coleta, sobre regimes especiais e sobre o ritmo de adaptação das empresas. Além disso, as alíquotas da CBS e do Imposto Seletivo ainda serão fixadas pelo Senado após cálculos do Ministério da Fazenda e validação do Tribunal de Contas da União ( TCU ) em outubro.

    Há uma pequena boa notícia, relativa ao acionamento de gatilhos de contenção de gastos fixados nas regras fiscais —como limites para reajustes salariais e benefícios tributários, além de ajuste no cálculo da despesa mínima em saúde. Com isso, acredita-se, devem ser economizados cerca de R$ 20 bilhões em 2027.

    Mesmo assim, permanece a percepção de que está subestimado o crescimento de gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao salário mínimo.

    Se a peça não traz surpresas com novas despesas, tampouco antecipa um ajuste à altura do necessário para conter a escalada da dívida pública, hoje equivalente a alarmantes 82,5% do PIB —com alta de 10,8 pontos percentuais neste mandato e sem perspectiva de alteração da tendência.

    Na ausência de mudanças, os juros se manterão em patamares capazes de agravar a crise no crédito e elevar o risco de recessão.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/um-orcamento-irrealista-para-o-inicio-do-proximo-governo.shtml.

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    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) - Ana Volpe/Agência Senado · Ana Volpe/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo

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