Brasil

    Um mês após revogação de visto, embaixadora do Brasil nos EUA trabalha em Washington fora dos holofotes

    Em paralelo, indicado de Trump se prepara para Brasília sem aval de Lula

    UOL
    5 de setembro de 2026 às 03:00
    Um mês após revogação de visto, embaixadora do Brasil nos EUA trabalha em Washington fora dos holofotes
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    Um mês após ter o visto revogado pelo governo Donald Trump , a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos , Maria Luiza Ribeiro Viotti, continua exercendo normalmente suas funções em Washington , embora tenha reduzido sua exposição pública em meio à crise diplomática entre os dois países .

    A embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em reunião na ONU em novembro de 2022
    A embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em reunião na ONU em novembro de 2022 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Fontes do Itamaraty afirmam que a postura também está relacionada ao período eleitoral brasileiro, quando diplomatas tendem a reduzir suas aparições em eventos públicos para evitar que suas atividades sejam interpretadas como participação na campanha. Ainda assim, interlocutores afirmam que Viotti tem preferido não se expor em algumas ocasiões em que, em circunstâncias normais, compareceria.

    A avaliação é que, desde a medida contra Viotti, Washington não adotou novas ações para aumentar a pressão sobre a diplomata. Tampouco, porém, reverteu a restrição imposta no início de agosto.

    Dentro da diplomacia brasileira , a situação é descrita como um compasso de espera. Há uma percepção de que a relação entre os dois países parou de se deteriorar após a retomada do contato direto entre os presidentes Lula (PT) e Donald Trump por meio de telefonema.

    Lula e Trump na Casa Branca
    Lula e Trump na Casa Branca — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Apesar da sensação de que o cenário parece mais positivo do que há um mês, ainda há um clima a cautela diante da imprevisibilidade da relação com o governo republicano.

    O Departamento de Estado revogou o visto de Viotti no dia 4 de agosto em meio à disputa sobre a concessão do agrément —o aval dado pelo país anfitrião— a Daniel Perez, indicado por Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

    Antes da medida ser anunciada, Viotti teve uma reunião no Departamento do Estado e foi avisada que teria o visto alterado caso o Brasil não concedesse o aval a Perez.

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    No anúncio da revogação, Washington afirmou que a medida era uma ação de reciprocidade diante da demora brasileira para aceitar Perez e da decisão do governo Lula de negar vistos a dois funcionários americanos.

    O Departamento de Estado afirmou ainda que Viotti não havia sido declarada "persona non grata", o que permitiu que ela permanecesse nos Estados Unidos. Na prática, a restrição significa que a embaixadora pode permanecer no país e continuar exercendo suas funções, mas precisará obter um novo visto caso deixe o território americano e queira retornar.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Desde então, segundo integrantes do Itamaraty, a rotina de trabalho de Viotti sofreu poucas alterações. Quando teve o visto revogado, recebeu visitas e gestos de desagravo de diversos setores, incluindo parlamentares republicanos e pessoas ligadas ao Congresso americano.

    A ausência de novos movimentos desde então passou a ser interpretada por integrantes do Itamaraty como um sinal de que, ao menos por enquanto, a crise deixou de escalar. Porém, a cautela permanece, uma vez que os EUA ainda mantém as sanções contra o Brasil, como o tarifaço.

    O futuro de Daniel Perez é outro ponto que continua sendo observado pela diplomacia brasileira. O republicano prestou juramento no fim de agosto e iniciou os preparativos para assumir a missão no Brasil, mas ainda depende do agrément para viajar a Brasília.

    Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirma que os procedimentos tiveram início no dia 25 de agosto, para permitir que Perez esteja preparado para assumir o posto assim que o processo de agrément e credenciamento pelo Brasil for concluído. "Esperamos que o embaixador designado Perez represente o governo Trump e os interesses dos Estados Unidos em Brasília o mais breve possível", diz.

    A expectativa entre integrantes do Itamaraty é que a decisão fique para depois das eleições brasileiras. Embora o aval dependa de Lula, diplomatas consideram hoje mais provável que Perez seja aceito.

    A avaliação sobre o indicado de Trump é menos negativa do que o episódio envolvendo seu agrément pode sugerir, afirmam. Interlocutores brasileiros o descrevem como um republicano próximo ao governo Trump, mas avaliam que ele pode atuar como um "construtor de pontes" entre Brasília e Washington.

    O próprio Perez afirmou recentemente em entrevista que não pretende se envolver nas eleições brasileiras e que trabalhará com quem vencer o pleito. Também reconheceu que existe um "impasse" entre os dois países e disse esperar reduzir a distância entre os governos quando chegar a Brasília.

    "Não haverá nenhum envolvimento da minha parte em relação à eleição no Brasil. Isso [a eleição] é algo para os brasileiros decidirem. Eles têm um processo eleitoral pelo qual têm de passar em outubro, e qualquer um que sair vitorioso do outro lado eu acho que será o líder do Brasil e será com quem eu vou trabalhar", afirmou Perez, em entrevista ao canal Local 10, da Flórida.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/um-mes-apos-revogacao-de-visto-embaixadora-do-brasil-nos-eua-trabalha-em-washington-fora-dos-holofotes.shtml.

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