Um coquetel para a estátua da libido
Na capa do " Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band ", ela aparece entre o bruxo Aleister Crowley e o comediante Lenny Bruce. Quando os Beatles pediram permissão para usar sua imagem, ela respondeu, incrédula: "Eu numa banda de corações solitários?" Nunca faltou companhia para a atriz e cantora Mae West -bastava estalar os dedos que os homens apareciam. Ela foi o maior sex symbol dos EUA nos anos 1930 e 1940. Leia mais (08/11/2026 - 16h23)

Coluna é assinada pelo jornalista e tradutor Daniel de Mesquita Benevides
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Na capa do " Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band ", ela aparece entre o bruxo Aleister Crowley e o comediante Lenny Bruce. Quando os Beatles pediram permissão para usar sua imagem, ela respondeu, incrédula: "Eu numa banda de corações solitários?" Nunca faltou companhia para a atriz e cantora Mae West —bastava estalar os dedos que os homens apareciam. Ela foi o maior sex symbol dos EUA nos anos 1930 e 1940.
Era brilhante e maliciosa, como sua contemporânea Dorothy Parker . Não à toa, as frases das duas são sempre confundidas. West também escrevia, às vezes no camarim, em pedaços de papel. Assinou algumas das peças em que atuava, como "Sex" (1926), que a levou à cadeia por obscenidade (grande perigo para a sociedade, foi solta por bom comportamento).
Em Hollywood , onde entrou com estardalhaço pela porta da frente, aos 38 anos, sempre mudava suas falas. Ninguém reclamava: ficavam muito melhores. "Isso é uma pistola em seu bolso ou só está feliz em me ver?" é uma das mais famosas. Está em "Uma Loira para Três", em que contracena com Cary Grant, então um jovem ator que ela indicou.

Gostava de brincar, provocar, insinuar e seduzir —o que fazia com 100% de sucesso. "Geralmente evito a tentação, a menos que não consiga resistir a ela"; "Amai o próximo. Se ele for alto, charmoso e irresistível, fica mais fácil"; "Quando sou boa, sou muito boa. Quando sou má, sou melhor."
Com tantas credenciais, era de se esperar um coquetel com seu nome. Um mês antes do fim da Lei Seca , em 1933, o Mae West apareceu em "Hollywood Cocktails", livro quase todo plagiado do influente "The Savoy Cocktail Book", de Harry Craddock, lançado três anos antes.
George Buzza, o autor, era malandro: além de copiar as criações servidas no famoso hotel londrino, rebatizou algumas das 222 receitas com nomes de astros do cinema , para justificar o título. Vendia ficção líquida. O Mae West, por exemplo, corresponde ao original thunder & lightning.

West não tem nada a ver com isso, claro. Todos queriam uma casquinha da sua imagem, dos Beatles (ela mesma chegou a gravar dois discos de rock) e Cole Porter (vide "Anything Goes") a Salvador Dali , que pintou o rosto da Estátua da Libido, uma de suas alcunhas, como se fosse a sala de um apartamento.
A estilista Elsa Schiaparelli também se inspirou nela para o perfume Shocking, cujo frasco copia suas curvas voluptuosas. Outros bartenders ao longo dos anos deram seu nome a criações etílicas, cujas receitas são bem diferentes umas das outras.
Inebriante, ela mesma não bebia muito. Apesar da fama de farrista, Mae West dormia cedo, fazia exercícios todo dia e adotava uma dieta saudável. Existia languidamente, despertando as fantasias que realizava longe dos olhos do público. "Você só vive uma vez, mas se vive direito, uma vez é suficiente."
Bata os ingredientes sem gelo e repita a operação com gelo. Coe para uma taça coupe e polvilhe pimenta caiena por cima.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/daniel-de-mesquita-benevides/2026/08/um-coquetel-para-a-estatua-da-libido.shtml.

Mae West em 'Santa Não Sou', de 1933 - Divulgação Filme · Divulgação Filme — Foto: Folha de S.Paulo
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