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    Um ano após cessar-fogo, mortes continuam em Gaza, e impasse trava pós-guerra

    Há um ano, Donald Trump anunciou que a guerra na Faixa de Gaza havia acabado. Doze meses depois, o cessar-fogo segue formalmente de pé, mas ataques aéreos e operações militares de Israel continuam a provocar mortes no território palestino . Leia mais (10/06/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 02:00
    Um ano após cessar-fogo, mortes continuam em Gaza, e impasse trava pós-guerra
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Há um ano, Donald Trump anunciou que a guerra na Faixa de Gaza havia acabado. Doze meses depois, o cessar-fogo segue formalmente de pé, mas ataques aéreos e operações militares de Israel continuam a provocar mortes no território palestino .

    Palestinos caminham ao largo de edifícios destruídos no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza - Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP · Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP
    Palestinos caminham ao largo de edifícios destruídos no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza - Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP · Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em relatório divulgado no domingo (5), o Ocha, escritório de assuntos humanitários da ONU, afirmou que o Ministério da Saúde de Gaza, ligado às autoridades locais, contabilizou pelo menos 1.431 mortos e 5.026 feridos desde o anúncio oficial do cessar-fogo, em 10 de outubro do ano passado.

    O balanço inclui pessoas que morreram em decorrência de ferimentos e corpos recuperados dos escombros. Além dos palestinos, quatro soldados israelenses foram mortos em ações do grupo terrorista Hamas no mesmo período, segundo o Exército de Israel.

    Durante este período de cessar-fogo, segundo o Acled (Banco de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados), "a violência caiu 61% em comparação com o segundo ano da guerra". A iniciativa monitora conflitos ao redor do mundo a partir do cruzamento de relatos locais e oficiais. Segundo os dados contabilizados, 1.915 palestinos foram mortos em Gaza no último ano, além de 165 no território da Cisjordânia.

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    Nasser Khdour, analista de Oriente Médio do Acled, afirma que, em paralelo ao arrefecimento em Gaza, "no Líbano, por outro lado, a violência atingiu seu nível mais alto ". Em comum, afirma o especialista, "Israel tem se baseado no controle territorial para pressionar o Hamas e o Hezbollah a se desarmar" —o grupo extremista libanês se juntou ao conflito em apoio ao Hamas após o início da guerra em Gaza.

    As Forças Armadas israelenses afirmam repetidamente que suas operações, em ambos os casos, seguem tendo como objetivo atingir membros e estruturas das facções. Em Gaza, Tel Aviv e Hamas se acusam mutuamente de descumprir múltiplas vezes o acordo.

    O cessar-fogo anunciado em outubro previa inicialmente a permanência das forças israelenses em cerca de 53% de Gaza, seguida de uma retirada gradual. Em maio, porém, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou que Israel já controlava 60% do território e que havia determinado às Forças Armadas chegar a 70%. Esse território é delimitado pela "linha amarela" estabelecida pelo Exército israelense .

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com um relatório do Ocha publicado no início deste mês, atualmente "além das restrições em vigor à entrada de suprimentos e equipamentos essenciais, as restrições de acesso a 65% do território de Gaza continuam sendo um obstáculo [para a reconstrução], visto que os 35% restantes já estão superlotados".

    Khdour, do Acled, afirma que "Israel tem procurado pressionar a população em geral por meio de ordens de retirada, ataques contínuos, destruição de infraestrutura e controle territorial", uma vez que mantém a militarização em torno da linha amarela. Organizações humanitárias e a ONU dizem que as limitações dificultam reparos de infraestrutura e ampliam a precariedade enfrentada pela população civil.

    O governo israelense, por sua vez, afirma que os avanços militares ocorrem em resposta a ataques do Hamas e a violações da trégua . Diz ainda que algumas das restrições à entrada de materiais são necessárias por razões de segurança, diante da possibilidade de que itens sejam usados para reconstruir a capacidade militar do grupo terrorista.

    A maioria dos cerca de 2,1 milhões de habitantes de Gaza continua deslocada. De acordo com o Ocha, "as necessidades humanitárias continuam avassaladoras, em meio a ataques e outras atividades militares em curso". Segundo o último levantamento, 94% da população local necessita urgentemente de auxílio para moradia e itens domésticos básicos, e 65% das famílias vivem em tendas ou abrigos improvisados.

    A destruição tampouco parou com a assinatura do acordo, há um ano. Uma análise do Unosat, centro de satélites da ONU, estimou com imagens de junho que 82% das estruturas de Gaza haviam sofrido algum tipo de dano —o que representa mais de 200 mil construções. Cerca de dois terços delas foram classificadas como destruídas . O número de estruturas com essa classificação, completamente destruídas, cresceu 9% desde a declaração do cessar-fogo, segundo o órgão.

    O tamanho da devastação é um dos elementos que ajuda a explicar por que a reconstrução prevista no acordo ainda pouco avançou. Em abril, uma avaliação conjunta da ONU, da União Europeia e do Banco Mundial calculou em US$ 71,4 bilhões (R$ 354,8 bi) o custo para recuperar e reconstruir Gaza na próxima década —US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bi) seriam necessários apenas nos primeiros 18 meses. O relatório estima que o território tenha sofrido um retrocesso de 77 anos no desenvolvimento humano local.

    Mesmo com a acentuada queda no número de operações militares —resultado também do cessar-fogo—, as questões deixadas para depois se mostraram mais difíceis. A segunda fase do plano apresentado pelos EUA prevê a criação de uma administração palestina tecnocrática, a retirada progressiva das tropas israelenses e o desarmamento do Hamas.

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    Em janeiro, Trump anunciou a criação do Conselho da Paz , presidido por ele próprio, para supervisionar a implementação do plano. Em julho, o grupo terrorista anunciou a dissolução do órgão por meio do qual administrava os ministérios de Gaza e disse que entregaria as funções civis ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos. Israel classificou o anúncio como um "truque" enquanto a facção não entregasse suas armas e manteve bloqueada a entrada dos integrantes da nova administração.

    O impasse, desde então, se concentra na ordem dos próximos passos. Um plano de 15 pontos apoiado por Trump prevê que o Hamas se desmilitarize gradualmente enquanto Israel retira suas forças, também de maneira progressiva. Em agosto, Netanyahu rejeitou a proposta e afirmou que não haverá nenhuma retirada antes que o Hamas se desarme . A facção, por outro lado, afirma que Tel Aviv deve primeiro cumprir compromissos previstos no acordo, sobretudo a retirada de suas tropas.

    No último domingo (5), Netanyahu voltou a indicar que as operações continuarão. "Não haverá governo do Hamas em Gaza", afirmou durante uma cerimônia oficial. Dias antes, ele e o ministro da Defesa, Israel Katz, disseram que perseguirão integrantes da facção "até que o Hamas não exista mais".

    O que foi o 7 de Outubro, maior ataque terrorista da história de Israel

    Na manhã do dia 7 de outubro de 2023, integrantes do Hamas e outros grupos terroristas palestinos entraram armados em território de Israel e assassinaram mais de 1.200 pessoas. O ataque foi o maior da história do Estado judeu e amplamente considerado o pior massacre de judeus desde o Holocausto.

    Foram atacados kibutzim, comunidades, estradas e eventos que ocorriam próximos à fronteira. Entre os vários locais atacados, em ação que durou horas e cuja resposta inicial do governo de Binyamin Netanyahu foi criticada pela demora, o evento de música eletrônica próximo do kibutz Re'im teve o maior número de mortos: 378.

    Além de massacrar civis, policiais e militares, os terroristas sequestraram 251 pessoas em território israelense que foram levadas para Gaza. Entre elas havia 44 pessoas já mortas.

    A resposta israelense em larga escala reduziu a maior parte da Faixa de Gaza a ruínas, provocou uma crise humanitária sem precedentes e matou mais de 73 mil pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O órgão está sob autoridade do Hamas e seus números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/um-ano-apos-cessar-fogo-mortes-continuam-em-gaza-e-impasse-trava-pos-guerra.shtml.

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    Palestinos caminham ao largo de edifícios destruídos no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza - Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP · Bashar Tabeb - 5.out.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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