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    Último morador do Moinho a receber casa de Lula e Tarcísio vive isolado na favela demolida em SP

    Depois de uma madrugada trabalhando em um edifício no centro de São Paulo , o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, 53, havia acabado de acordar quando recebeu a Folha no início da tarde da última segunda-feira (17). "Minha vida é aqui", disse, ao subir pela escada sem corrimão para mostrar por dentro a casa que ele construiu e reformou ao longo dos últimos 20 anos na favela do Moinho , também na região central da cidade. Leia mais (08/25/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    25 de agosto de 2026 às 15:00
    Último morador do Moinho a receber casa de Lula e Tarcísio vive isolado na favela demolida em SP
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Depois de uma madrugada trabalhando em um edifício no centro de São Paulo , o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, 53, havia acabado de acordar quando recebeu a Folha no início da tarde da última segunda-feira (17). "Minha vida é aqui", disse, ao subir pela escada sem corrimão para mostrar por dentro a casa que ele construiu e reformou ao longo dos últimos 20 anos na favela do Moinho , também na região central da cidade.

    Manuel Severino dos Santos, 53, diante das construções parcialmente demolidas entre as quais está a sua casa, na favela do Moinho, na região central de São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress
    Manuel Severino dos Santos, 53, diante das construções parcialmente demolidas entre as quais está a sua casa, na favela do Moinho, na região central de São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Do lado de fora, uma escavadeira com uma tesoura pulverizadora de concreto acoplada ao seu braço metálico retorcia vergalhões e mastigava os restos dos silos de 30 metros que eram o símbolo da comunidade. Os estrondos provocados pela máquina entram pela janela do segundo pavimento do sobrado, um cômodo de 20 m² que conjuga quarto e cozinha. À direita ficam a cama e uma televisão grande presa na parede. À esquerda, a geladeira, a pia, o fogão e um pequeno banheiro. O piso térreo não chegou a ser concluído para que se tornasse habitável.

    Assim como as torres do moinho de farinha abandonadas, centenas de casas da vizinhança foram demolidas após o início da remoção conduzida desde abril do ano passado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas ( Republicanos ). A residência de Santos é uma das duas últimas que restam inteiras no terreno repleto de entulho. "Estou morando no meio dos escombros, mas fazer o quê? É só isso o que restou da minha casa. Não tem outra opção, não tem para onde ir", diz o porteiro.

    Até a data em que a reportagem esteve no local, 850 famílias tinham sido incluídas em um plano de reassentamento acordado entre as gestões de Tarcísio e do presidente Lula ( PT ). O programa ofereceu moradias 100% subsidiadas aos que deixassem a área. A União era a proprietária do terreno —agora cedido ao estado para a criação de um parque público —, enquanto o governo paulista é o responsável pelas ferrovias de trens metropolitanos que cercam o lugar.

    Manoel dos Santos, o último morador da favela do Moinho a ter direito a moradia 100% subsidiada
    Manoel dos Santos, o último morador da favela do Moinho a ter direito a moradia 100% subsidiada — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Santos ficou de fora. A carta de crédito não havia sido aprovada porque a análise inicial da sua renda somou ao salário de R$ 2.480 o adicional noturno, horas extras e o auxílio para alimentação. Isso o desenquadrou do patamar máximo de R$ 4.700 estabelecido pelo governo federal.

    Em uma discussão no Judiciário, a gestão Tarcísio obteve o direito de derrubar as construções vazias sob a justificativa de evitar a reocupação. Os vizinhos foram saindo aos poucos até que a rua onde Santos mora, a principal do Moinho, se tornasse um caminho deserto.

    "Aqui era o bar", diz, apontando para os restos de uma construção sem porta nem telhado. "Era bom demais. A turma se reunia, conversava, fazia churrasco, tomava cerveja. Eu vivi aqui dentro, todo mundo era unido, de bom humor, sossegado. Na verdade, eu queria ficar", lamenta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascido em Bom Jardim (PE), divorciado e pai de um filho já adulto, Santos chegou ao Moinho quando "era tudo barraco de madeira", diz. "Construí tijolo por tijolo. Todo mundo fez isso. Aí começaram a demolir, casa por casa, todo mundo saindo fora. Agora, você acorda, não tem ninguém. Só terreno vazio."

    O fim da favela do Moinho ocorre em meio a um amplo plano de requalificação urbana da região central paulistana. A um quilômetro do local, a gestão Tarcísio construirá a sua nova sede, ao custo de aproximadamente R$ 30 bilhões para erguer e manter as futuras torres de escritórios por três décadas.

    Para seguir com a proposta, a equipe do governador afirmou que era preciso retirar a comunidade que, segundo investigação do Ministério Público, abrigava uma célula da facção criminosa PCC . A remoção iniciada há pouco mais de um ano coincide com o desmonte da cracolândia , uma concentração de milhares de usuários de crack que, por três décadas, ocupou diversos pontos na região.

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    Operações das forças de segurança do governo paulista na comunidade, porém, resultaram em confrontos com moradores. Muitos rejeitavam a ideia de deixar a favela para assumirem dívidas do financiamento imobiliário subsidiado pela CDHU, a companhia habitacional estadual.

    A pacificação ocorreu em meados de 2025, quando as gestões Lula e Tarcísio fecharam um acordo para reassentar os moradores em imóveis totalmente subsidiados. O valor total oferecido foi de R$ 250 mil, sendo R$ 180 mil bancados pela União e R$ 70 mil pelo estado. Quem optou por sair para apartamentos que ainda não estavam prontos recebeu auxílio-moradia de R$ 1.200 mensais durante a espera.

    Dezesseis meses após o acordo, há pouca coisa em pé no terreno. O caminho que vai se afunilando ao longo de meio quilômetro entre as ferrovias também preserva, além da casa de Santos, a cruz com cerca de dez metros de altura da fachada da igreja católica que existia no local, chamada pelos antigos moradores de Nossa Senhora do Moinho. Alguns metros à frente fica a residência onde Artur Ribeiro, 19, mora com a esposa e os dois filhos do casal, um de 11 meses e outro de 5 anos.

    Ribeiro e sua família preenchem os requisitos para receber a moradia subsidiada. Mas o imóvel escolhido pela família não havia sido aprovado na vistoria até a data em que a reportagem esteve no local. Ele se recusa a aceitar o auxílio-aluguel por temer ser excluído do programa habitacional, caso saia antes de receber a carta de crédito para a compra da moradia definitiva.

    "Se a gente sair daqui para ir para o aluguel, já sabe como é que funciona. De um mês para o outro, eles cortam o aluguel e a gente fica com uma mão na frente e outra atrás", disse, demonstrando a mesma desconfiança que fez muitos dos seus vizinhos adiarem a mudança.

    Na última sexta-feira (21), a CDHU informou ter concluído a reavaliação dos casos de Santos e de Ribeiro. Ambos tiveram suas cartas de crédito aprovadas. O governo paulista informou que espera encerrar o processo nos próximos dias.

    De acordo com o balanço da companhia, com a definição da situação dos últimos ocupantes da área, 851 famílias foram atendidas. Desse total, além de Santos e Ribeiro, 644 estão em unidades definitivas e 205 recebem auxílio-moradia temporário enquanto aguardam a construção de suas casas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/ultimo-morador-do-moinho-a-receber-casa-de-lula-e-tarcisio-vive-isolado-na-favela-demolida-em-sp.shtml.

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    Manuel Severino dos Santos, 53, diante das construções parcialmente demolidas entre as quais está a sua casa, na favela do Moinho, na região central de São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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