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    UE: 4 países cobram uso de ativos russos congelados para ajudar a Ucrânia

    Quatro países do bloco pressionam pela retomada da discussão sobre utilização dos recursos russos congelados para financiar apoio a Kiev

    Metrópoles
    28 de agosto de 2026 às 10:25
    UE: 4 países cobram uso de ativos russos congelados para ajudar a Ucrânia
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    Quatro países da União Europeia querem reabrir o debate sobre a possibilidade de utilizar os ativos russos congelados no bloco para ampliar o apoio financeiro à Ucrânia . Polônia, Espanha, Suécia e Países Baixos apresentaram uma iniciativa conjunta para pressionar a Comissão Europeia a retomar os estudos sobre como esses recursos poderiam ser utilizados em benefício de Kiev.

    Cerca de € 210 bilhões em ativos do Banco Central da Rússia estão atualmente bloqueados na União Europeia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Desse total, aproximadamente € 185 bilhões estão depositados na Euroclear, uma das principais centrais de custódia de ativos financeiros, sediada em Bruxelas.

    Em uma carta dirigida à alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, e à ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, os quatro países argumentam que o financiamento já aprovado pelo bloco para a Ucrânia pode não ser suficiente diante da continuidade da guerra.

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    No fim do ano passado, os países da União Europeia haviam abandonado uma proposta para utilizar os ativos russos como base de um empréstimo de até € 165 bilhões destinado à Ucrânia. A iniciativa encontrou forte resistência da Bélgica, país onde está concentrada a maior parte dos recursos.

    O governo belga teme assumir sozinho os riscos financeiros e jurídicos decorrentes de eventuais processos movidos pela Rússia. Diante do impasse, os países europeus optaram por outro mecanismo e aprovaram um empréstimo de € 90 bilhões para a Ucrânia, garantido pelo orçamento da União Europeia, para os anos de 2026 e 2027.

    Agora, Polônia, Espanha, Suécia e Países Baixos defendem que a questão volte à mesa. Os países pedem que especialistas da Comissão Europeia estudem novas alternativas jurídicas e técnicas que permitam utilizar os ativos sem concentrar os riscos em apenas um Estado-membro.

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    Imagem colorida de bandeiras azuis com estrelas amarelas da União Europeia, dispostas uma ao lado da outra, tremulando, com um prédio ao fundo - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A Comissão Europeia afirmou que o tema continua em sua agenda e que já existe uma orientação do bloco para avaliar os aspectos legais e técnicos de um eventual mecanismo baseado nos ativos russos imobilizados.

    A maior dificuldade para a proposta está na posição da Bélgica. Como a maior parte dos ativos russos congelados está sob custódia da Euroclear, o país teme que uma utilização direta dos recursos provoque ações judiciais e possíveis retaliações de Moscou.

    O governo belga também considera que os riscos associados à operação deveriam ser distribuídos entre os países da União Europeia, e não ficar concentrados em seu sistema financeiro.

    Por isso, os quatro países que defendem a retomada das discussões propõem justamente que sejam estudados mecanismos capazes de dividir de forma mais equilibrada os eventuais riscos entre os Estados-membros.

    Embora a utilização direta do principal dos ativos continue sendo alvo de disputa, a União Europeia já utiliza os rendimentos gerados pelos recursos russos congelados para apoiar a Ucrânia.

    Em agosto, o bloco recebeu € 1,4 bilhão em lucros extraordinários provenientes dos juros acumulados sobre esses ativos. Desde o início do congelamento, os recursos já haviam gerado cerca de € 8 bilhões em rendimentos, destinados a mecanismos de apoio à Ucrânia.

    A nova proposta, porém, vai além da utilização dos rendimentos e busca encontrar uma forma de mobilizar os próprios ativos como fonte de financiamento.

    Os quatro países querem que o assunto seja discutido na próxima reunião dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, prevista para 1º e 2 de setembro, na Irlanda.

    Os defensores da medida argumentam que a Ucrânia precisa de recursos adicionais tanto para manter sua capacidade de defesa quanto para enfrentar os impactos econômicos provocados pela guerra.

    A Polônia, por exemplo, sustenta que seria mais eficaz utilizar os recursos congelados para ajudar a Ucrânia enquanto o conflito continua, em vez de esperar o fim da guerra para destiná-los à reconstrução.

    Apesar da pressão crescente, ainda não há garantia de que os países do bloco chegarão a um acordo. A Bélgica mantém suas preocupações, e a utilização direta de ativos de um banco central estrangeiro continua envolvendo questões jurídicas, financeiras e políticas de grande complexidade.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/ue-4-paises-cobram-uso-de-ativos-russos-congelados-para-ajudar-a-ucrania.

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