Brasil

    Ucrânia quer driblar veto de Lula para comprar caça da Embraer

    O governo da Ucrânia retomou as negociações para tentar adquirir caças de ataque leve Super Tucano da fabricante brasileira Embraer . Desta vez, tenta driblar o veto do governo Lula (PT) ao fornecimento de equipamento militar ao país em guerra com a Rússia . Leia mais (09/21/2026 - 18h57)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 21:57
    Ucrânia quer driblar veto de Lula para comprar caça da Embraer
    Três homens sentados ao redor de uma mesa branca em sala de reunião. Dois homens à esquerda, um deles fala ao telefone e o outro gesticula com as mãos. Homem à direita observa atentamente. Ao fundo, quadro com imagens de aviões e bandeiras, — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O governo da Ucrânia retomou as negociações para tentar adquirir caças de ataque leve Super Tucano da fabricante brasileira Embraer . Desta vez, tenta driblar o veto do governo Lula (PT) ao fornecimento de equipamento militar ao país em guerra com a Rússia .

    O ex-presidente Porochenko (dir.) durante reunião no estande da Embraer em feira na Polônia, em data não divulgada - Divulgação/Solidariedade Europeia · Divulgação/Solidariedade Europeia
    O ex-presidente Porochenko (dir.) durante reunião no estande da Embraer em feira na Polônia, em data não divulgada - Divulgação/Solidariedade Europeia · Divulgação/Solidariedade Europeia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2022, Kiev buscou adquirir o avião e também ouviu um não, devido à relação comercial entre Brasília e Moscou. Lula também não aceitou reabrir a negociação em 2023. Agora, a situação é mais intrincada.

    A nova rodada de conversas foi anunciada pelo ex-presidente ucraniano Petro Porochenko, que perdeu a reeleição em 2019 para o então comediante televisivo Volodimir Zelenski , mas ainda mantém influência em negócios no país.

    Segundo ele, durante negociações na feira aeroespacial MSPO-2026, realizada de 8 a 11 deste mês na Polônia , "nós chegamos a um acordo com a fabricante brasileira Embraer e selecionamos uma frota de 24 Super Tucano capazes de interceptar e destruir drones".

    Avião Super Tucano da Embraer
    Avião Super Tucano da Embraer — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No sábado (19), a agência ucraniana Interfax reproduziu foto do site da agremiação na qual Porochenko conversava com representantes da Embraer não identificados no estande da empresa.

    O político discutiu posteriormente o caso em reunião com o ministro da Defesa ucraniano, Iehvenni Khmara. Porochenko afirmou que "vamos negociar com um dos países da Otan que tem contratos com o Brasil".

    A reportagem procurou a Embraer para tentar esclarecer a natureza da conversa com Porochenko, mas ainda não recebeu uma resposta. Por evidente, o ex-presidente pode estar apenas especulando o negócio, sem ter recebido nenhuma promessa dos brasileiros, mas não houve negativa em Kiev.

    Rússia faz mega-ataque contra a Ucrânia
    Rússia faz mega-ataque contra a Ucrânia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O político destacou as características do Super Tucano como "matador de drone", configuração que passou a ser vendida ao mercado exterior no ano passado pela Embraer. Como é um turboélice avançado, é mais eficaz para interceptar drones que voam a velocidades menores do que caças a jato.

    Na Otan europeia, apenas Portugal opera o avião, com 5 das 12 unidades encomendadas já a seu serviço. O modelo, dominante no mercado de ataque leve e treinamento no mundo há duas décadas, foi adaptado para todos os padrões da aliança, inclusive de comunicação e uso comunal de armamentos.

    A Polônia também tem demonstrado interesse na aeronave por suas características ante a ameaça percebida que os drones russos provocam, mas ainda não anunciou nenhum contrato.

    Jair Bolsonaro em viagem à Rússia
    Jair Bolsonaro em viagem à Rússia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já os EUA têm talvez 3 caças que sobreviveram à retirada desastrada do Afeganistão, para onde haviam sido enviados para equipar a Força Aérea até a volta do Talibã ao poder, em 2021. Mas são modelos mais antigos, sem o chamado padrão Otan.

    No mais, a Embraer também tem contratos importantes com cinco países da Otan que encomendaram seu avião de transporte multimissão KC-390 Millennium, inclusive Portugal, o maior operador com uma frota futura de seis cargueiros.

    Os problemas da empreitada anunciada por Porochenko começam na legislação brasileira, que não permite a reexportação de produtos de defesa do país sem autorização explícita de Brasília, registrada em contrato.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É uma praxe mundial. Para ficar no caso do Super Tucano, é famoso o episódio em que os Estados Unidos vedaram sua exportação para a Venezuela sob Hugo Chávez, já que o avião é coalhado de peças americanas, a começar pelo seu motor.

    Segundo a Folha ouviu de integrantes do governo brasileiro, nenhum pedido nesse sentido chegou ao Itamaraty e, se chegar, o veto ao fornecimento militar à Ucrânia segue valendo.

    As divergências de interesses brasileiros e ucranianos já geraram bastante atrito entre os países. Fundador do grupo Brics ao lado da Rússia, o Brasil condenou a invasão de 2022, mas se recusou a integrar sanções contra Moscou.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além de fertilizantes, há a questão do diesel. Até meados deste ano, quando foi obrigada a vetar a exportação do derivado devido à crise provocada por ataques ucranianos a suas refinarias, a Rússia havia virado a principal fornecedora do combustível no mercado externo para o Brasil.

    Essa relação fez com que Bolsonaro não autorizasse a venda de blindados Guarani, modelo da italiana Leonardo (ex-Iveco) feito sob licença no Brasil. Além disso, ele também vetou o fornecimento de munição para blindados de defesa antiaérea alemães Gepard, que Berlim queria comprar para dar a Zelenski.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    Já Lula proibiu no primeiro mês do mandato o repasse de munição de tanques alemães Leopard-1 do Exército que os germânicos também tentaram adquirir para enviar a Kiev.

    Por causa disso, a Alemanha retaliou e vetou a venda de 28 Guarani brasileiros equipados com câmbio do país europeu para as Filipinas . Ao fim, os veículos foram exportados com transmissão brasileira. Lula ainda vetaria uma nova tentativa de comprar Guarani, desta vez alegadamente na função ambulância.

    Além do mal-estar com os alemães, Zelenski criticou a posição brasileira, cobrando o petista em diversas ocasiões. O russo Vladimir Putin , por sua vez , já agradeceu Lula várias vezes pela neutralidade adotada.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/ucrania-quer-driblar-veto-de-lula-para-comprar-caca-da-embraer.shtml.

    Imagem 1
    1 / 6

    O ex-presidente Porochenko (dir.) durante reunião no estande da Embraer em feira na Polônia, em data não divulgada - Divulgação/Solidariedade Europeia · Divulgação/Solidariedade Europeia — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)