Twenty One Pilots levará ao palco do Rock in Rio fúria sonora e intensidade lírica
Poucas bandas conseguiram transformar uma formação tão enxuta em um espetáculo tão grande quanto o Twenty One Pilots . O duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun chega pela primeira vez ao Rock in Rio com a missão de fechar a última noite da edição 2026 do festival, no domingo (13). E encara o desafio com tranquilidade. Leia mais (09/11/2026 - 13h00)

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Poucas bandas conseguiram transformar uma formação tão enxuta em um espetáculo tão grande quanto o Twenty One Pilots . O duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun chega pela primeira vez ao Rock in Rio com a missão de fechar a última noite da edição 2026 do festival, no domingo (13). E encara o desafio com tranquilidade.

A princípio, é difícil saber quantas das dezenas de milhares de pessoas na plateia conhecem bem uma banda de dois integrantes capaz de transitar por rock alternativo, pop , hip-hop, eletrônica e música de arena, sem se acomodar em nenhuma dessas categorias. Tocar num show tão grande é desafiador?
"Claro que existe uma diferença", diz o baterista Josh Dun. "Mas eu gosto de fazer uma associação com o início da banda, quando começamos a fazer shows. Bem, ninguém conhecia a gente, e isso sim era desafiador. Por outro lado, num show da turnê, são os fãs que já conquistamos que compram ingresso para ver a gente tocar, então temos uma grande responsabilidade ao retribuir a eles."
Nos festivais, a prioridade da banda é entreter. "Sejam aqueles que nos conhecem ou aqueles que nunca prestaram atenção na gente. Quem está num show quer entretenimento, quer sentir coisas agradáveis. O bom é fazer com que as pessoas ali tenham vontade de voltar a um show nosso."

No Rio, muitos brasileiros certamente vão voltar para ver a banda. O primeiro encontro aconteceu em 2016, no Lollapalooza Brasil, em São Paulo, seguido por um show carioca. A dupla voltou ao Lollapalooza em 2019. Em 2022, novo show em São Paulo, no Allianz Parque. E retornaram para seu terceiro Lollla no ano seguinte.
A história do Twenty One Pilots é também a história de uma construção de identidade. O sucesso de "Blurryface", de 2015, impulsionado por músicas como "Stressed Out", "Ride" e "Heathens", transformou Joseph e Dun em estrelas globais, mas a dupla nunca abandonou a disposição para experimentar.
Vieram álbuns como "Trench", de 2018, "Scaled and Icy", de 2021, "Clancy", de 2024, e "Breach", do ano passado, que exibe o encerramento de uma longa saga narrativa iniciada em "Blurryface".

É um álbum sobre ciclos, desgaste, amadurecimento e a necessidade de seguir em frente. "Breach" estreou no primeiro lugar da Billboard 200, tornando-se o primeiro álbum do Twenty One Pilots a alcançar o topo da parada americana.
Musicalmente, o disco reúne várias das características que fizeram a dupla se destacar. "City Walls" combina guitarras e bateria pesada, elementos eletrônicos e vocais que alternam canto e rap. "The Contract" investe em uma energia frenética, enquanto "Center Mass" e "Mass" mostram a disposição de Joseph para experimentar ritmos e estruturas.
É um disco que pode ser entendido sem que o ouvinte conheça toda a mitologia por trás dos álbuns da banda, mas que ganha novas camadas para quem acompanha a história desde "Blurryface". "Acho que esta história começou até antes de ‘Blurryface’. Nós queríamos ter uma linha narrativa que pudesse conduzir a banda. Mas às vezes a gente acaba desviando do caminho, aqui e ali", afirma Dun.

"Alguns álbuns não tiveram tanta presença dessa história, mas houve intensidade em muitos momentos. Creio que alguém que escutou um dos nossos discos aleatoriamente ou tenha ido a um ou outro show possa ter se empolgado, mesmo sem entender completamente algumas coisas. Muitas canções falam de outros temas, não queríamos excluir parte do público."
Os shows do Twenty One Pilots são extremamente físicos. Tyler Joseph não se limita a cantar —corre, sobe em estruturas, aparece no meio da plateia, toca diferentes instrumentos e transforma o espaço inteiro em parte da apresentação. Josh Dun, por sua vez, é um baterista de enorme presença cênica. A fúria sonora parece surgir naturalmente no palco, mas também muita coisa vem de ensaio.
"Certamente é um pouco dos dois", afirma Dun. "Eu tenho a bateria perto da cama. Em casa, decidi colocar um grande espelho no quarto. Então passo muito tempo olhando para mim tocando a bateria. E, pode acreditar, esse recurso é muito útil. Fico olhando para a minha performance e consigo descobrir onde posso ser mais intenso, mais rápido, mais pesado."

As letras do Twenty One Pilots têm intensidade e uma ambientação angustiada. Tanto nas que pertencem ao universo da saga de Blurryface quanto nas que falam de temas como ansiedade, insegurança e isolamento. Dun esboça um sorriso diante da ideia de que talvez sua plateia seja composta de garotos problemáticos.
"É bem possível, mas eu também acho que uma coisa boa é que nunca brincamos com isso. Quando era mais jovem, eu também lidava com muitas coisas ruins. Adolescentes e garotos entrando nos 20 anos lidam com ansiedade, com episódios de depressão. Muita coisa ainda é desconhecida, entende?"
Dun acredita que, quando jovens se encontram, é possível que percebam como as perguntas que os incomodam também perturbam outras pessoas. "Você não está mais tão sozinho. Não há respostas, mas saber que você tem com quem compartilhar as perguntas já é algo muito bom."

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/twenty-one-pilots-levara-ao-palco-do-rock-in-rio-furia-sonora-e-intensidade-lirica.shtml.

O duo Twenty Pilots durante show no Lollapalooza - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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