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    TV 3.0 deve começar a operar em 2027 e promete transformar televisão aberta no Brasil

    Durante a SET Expo 2026, representantes do governo, Anatel e entidades de radiodifusão discutiram implantação da TV 3.0, financiamento, novas tecnologias e o papel da televisão aberta em um cenário cada vez mais conectado O post TV 3.0 deve começar a operar em 2027 e promete transformar televisão aberta no Brasil apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    18 de agosto de 2026 às 18:44
    TV 3.0 deve começar a operar em 2027 e promete transformar televisão aberta no Brasil
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    A televisão aberta brasileira está se preparando para uma das maiores transformações de sua história. Com previsão de início de operação em 2027, a TV 3.0 pretende aproximar a experiência tradicional da radiodifusão dos recursos oferecidos atualmente pela internet e pelas plataformas digitais.

    O tema foi discutido durante o painel “A Revolução da Televisão Aberta no Brasil: O Valor da Televisão em um Mundo Conectado”, realizado na SET Expo 2026 , em São Paulo, hoje (18) .

    O encontro reuniu Wilson Diniz, secretário de Serviços de Radiodifusão; Otávio Penna Pieranti, conselheiro-diretor da Anatel; Cristiano Flores, presidente executivo da ABERT; Samir Nobre, representando Márcio Novaes, presidente da ABRATEL; Gerson Inácio de Castro, presidente da ASTRAL; e Sérgio Santoro, do Fórum SBTVD.

    TV 3.0 no Brasil: nova televisão aberta deve começar a operar em 2027. – Engage XP/ Reprodução
    TV 3.0 no Brasil: nova televisão aberta deve começar a operar em 2027. – Engage XP/ Reprodução — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Entre os principais assuntos estiveram os avanços para implantação da TV 3.0, as mudanças regulatórias do setor, a distribuição da televisão aberta nas plataformas digitais e o papel cultural e social da radiodifusão brasileira.

    Segundo Wilson Diniz, a TV 3.0 já está em fase de experiências e teve seu módulo de transmissão definido com a tecnologia ATSC 3.0.

    Mais de 10 mil conversores já foram vendidos no mercado, enquanto emissoras se mobilizam para iniciar operações em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Salvador e Recife.

    Imagem: Engage XP/ Reprodução
    Imagem: Engage XP/ Reprodução — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Também estão em andamento linhas de crédito subsidiadas que somam R$ 7 bilhões para acelerar a implantação da nova tecnologia. A previsão apresentada durante o painel é que a operação comece no início de 2027.

    A transformação, porém, não envolve apenas a qualidade da transmissão. Um dos desafios apontados é repensar o próprio modelo da televisão linear e aproximá-lo de TV sob demanda, satélite e conectividade em diferentes plataformas.

    Diniz também destacou mudanças regulatórias realizadas nos últimos anos. Entre elas estão a Lei 14.812, que aumentou o limite de outorgas por grupo, e a Lei 15.182, responsável por uma ampla desregulamentação do setor e pela eliminação de aproximadamente 4 mil a 5 mil processos.

    SET EXPO 2026
    SET EXPO 2026 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A transformação da maneira como o público acessa conteúdo também apareceu como um dos principais desafios para o setor.

    Otávio Penna Pieranti, da Anatel, destacou que a televisão ainda é assistida por mais de cinco horas diariamente no Brasil. Ao mesmo tempo, fabricantes de televisores teriam criado barreiras para o acesso aos canais abertos, favorecendo serviços distribuídos pela internet por meio de acordos comerciais.

    Nesse cenário, a TV 3.0 aparece como uma possibilidade de recuperar parte do protagonismo da radiodifusão dentro das próprias televisões conectadas.

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    Pieranti também chamou atenção para as consequências da ausência de emissoras locais. Segundo ele, regiões sem essas operações perdem não apenas informação, mas também empregos e espaços para o debate cultural.

    O representante da Anatel afirmou ainda que a regulamentação não deverá atrasar a implantação da TV 3.0.

    Para Cristiano Flores, presidente executivo da ABERT, o debate também precisa considerar a relação entre televisão, internet e acesso à informação.

    Rachele Victoria
    Rachele Victoria — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Segundo os dados apresentados por Flores durante o painel, o brasileiro passa aproximadamente nove horas por dia conectado à internet, ao mesmo tempo em que o país apresenta baixos níveis de alfabetismo digital.

    Nesse ambiente, o executivo defendeu que a televisão aberta possui papel relevante no enfrentamento da desinformação produzida em escala industrial.

    Flores apontou três eixos considerados fundamentais para o futuro do setor: liberdade de expressão e fortalecimento do jornalismo, incluindo a proteção de conteúdos diante da inteligência artificial; regras claras e não discriminatórias para distribuição em plataformas digitais e televisões conectadas; e o pleno desenvolvimento da TV 3.0.

    Bruno Capozzi
    Bruno Capozzi — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O presidente da ABERT também defendeu que a comunicação brasileira seja reconhecida como uma “Indústria Nacional Estratégica”.

    Outro problema apontado foi a fragmentação das políticas digitais entre mais de seis secretarias do governo, cenário que, segundo Flores, dificulta a criação de uma política de Estado centralizada para o setor.

    Samir Nobre, representante da ABRATEL, destacou que a televisão aberta já passou por diferentes transformações ao longo das últimas décadas, incluindo o surgimento da TV por assinatura, das plataformas de streaming e das redes sociais.

    TV 3.0 no Brasil: nova televisão aberta deve começar a operar em 2027. – Engage XP/ Reprodução
    TV 3.0 no Brasil: nova televisão aberta deve começar a operar em 2027. – Engage XP/ Reprodução — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Nesse processo, as próprias emissoras ampliaram suas operações para além da transmissão tradicional, com plataformas digitais como Globoplay, Record Play e SBT Play.

    A avaliação apresentada durante o painel é que a televisão aberta continua participando do debate político e social mesmo quando o conteúdo passa a ser consumido em outros canais digitais.

    Como exemplo da relevância da TV, Nobre citou a propaganda eleitoral gratuita e provocou a plateia ao questionar se algum partido político apoiaria seu fim.

    O papel da televisão brasileira como patrimônio cultural foi outro ponto levantado no encontro.

    Gerson Castro, presidente da ASTRAL, argumentou que a televisão aberta não deve ser compreendida somente como produtora e distribuidora de conteúdo, mas também como um elemento responsável pela formação cultural de diferentes gerações.

    Dentro dessa perspectiva, Castro defendeu que a TV 3.0 seja tratada como patrimônio cultural do país.

    O representante também chamou atenção para as TVs universitárias, que mantêm acervos históricos únicos e, segundo ele, precisam de políticas públicas de financiamento para preservação e continuidade de suas atividades.

    A inteligência artificial também apareceu nessa discussão. Castro alertou para o uso da tecnologia na produção de vinhetas e outros materiais, apontando o risco de descaracterização da identidade construída pelas emissoras.

    No campo técnico, Sérgio Santoro apresentou o trabalho realizado pelo Fórum SBTVD, que completa 20 anos em 2026.

    O processo de desenvolvimento da TV 3.0 começou com uma chamada de propostas iniciada em 2019 e, segundo Santoro, recebeu reconhecimento internacional pela maneira como foi conduzido.

    Durante a SET Expo, o Fórum SBTVD também assinou um memorando de entendimento (MoU) com ATC e TTA, da Coreia, voltado à convergência de padrões.

    A intenção é aumentar a escala global das tecnologias adotadas e, consequentemente, ajudar a reduzir o preço dos equipamentos necessários para recepção. Os resultados dessa aproximação, entretanto, são esperados para os próximos anos e não de maneira imediata.

    Santoro também destacou uma diferença entre os ambientes nos quais a televisão aberta e as plataformas digitais operam: enquanto a radiodifusão brasileira é altamente regulada, as plataformas digitais estão submetidas a regras diferentes.

    As apresentações realizadas durante o painel indicaram que a chegada da TV 3.0 não representa apenas uma atualização técnica do sinal de televisão.

    A discussão envolve também como os canais serão encontrados em televisores conectados, de que maneira o conteúdo brasileiro será distribuído nas plataformas digitais e qual será o papel da televisão aberta em um ambiente no qual streaming, internet e radiodifusão estão cada vez mais próximos.

    Com as primeiras operações previstas para 2027 e emissoras se preparando em diferentes capitais brasileiras, a próxima etapa da televisão aberta deverá depender tanto da implantação tecnológica quanto da construção de regras para esse novo cenário conectado.

    Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.

    Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/18/pro/tv-3-0-no-brasil/.

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