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    Tutelar mulher de direita também é sexismo

    O pleito de 2026 aumentou a presença feminina no Congresso . No Senado, a alta foi puxada pela direita : das 12 novas parlamentares, 7 são desse espectro político. Leia mais (10/11/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de outubro de 2026 às 02:00
    Tutelar mulher de direita também é sexismo
    Mulher sorridente em pé ao lado de cabine de votação da Justiça Eleitoral, vestindo camiseta rosa com nome e números de candidato. Ela faz sinal de vitória com as duas mãos. — Foto: Folha de S.Paulo

    Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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    Michelle Bolsonaro (PL), vota no Distrito Federal neste domingo (4); ex-primeira-dama foi eleita senadora - Diego Herculano -04.out.26/Reuters · Diego Herculano -04.out.26/Reuters
    Michelle Bolsonaro (PL), vota no Distrito Federal neste domingo (4); ex-primeira-dama foi eleita senadora - Diego Herculano -04.out.26/Reuters · Diego Herculano -04.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O pleito de 2026 aumentou a presença feminina no Congresso . No Senado, a alta foi puxada pela direita : das 12 novas parlamentares, 7 são desse espectro político.

    Parte da esquerda não vê com bons olhos essa ascensão —apesar do seu discurso histórico de que é necessário ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder — e trata o fenômeno num tom paternalista que às vezes beira o autoritário.

    Para Erika Hilton e Sâmia Bomfim , deputadas do PSOL , as parlamentares de direita foram eleitas majoritariamente por homens e manifestam contradição porque são antifeministas e contra o voto feminino. Hilton disse, ainda, que seus partidos manipulam a atuação feminina para promover pautas machistas e que essas mulheres são "uma ameaça à sociedade" e a elas mesmas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A primeira afirmação não pode ser verificada pelo TSE porque o órgão não divulga estratificação por sexo dos eleitores. As seguintes põem mulheres em lugar subalterno e tentam tutelar aquilo que elas devem pensar —sem contar que não há registro de que alguma das eleitas para o Senado tenha defendido publicamente a proibição do voto feminino.

    Ora, o feminismo não é um movimento monolítico nem permanece o mesmo desde as sufragistas no começo do século 20. A feminista Camille Paglia, por exemplo, critica problemas graves a partir de 1970: vitimização das mulheres, hostilidade generalizada aos homens, puritanismo sexual, censura e patrulhamento ideológico, negação ou minimização das diferenças biológicas entre os sexos, rejeição da feminilidade tradicional. E várias dessas críticas são compartilhadas por conservadoras.

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    Assim, o discurso que deslegitima —até imputando perigo— a participação política de mulheres que não seguem determinada cartilha feminista é não só intolerante como sexista, já que atribui a todas as mulheres uma mesma visão de mundo.

    Assim como o pobre de direita, a mulher de direita é alvo de menosprezo ou tutela por parte da esquerda que, atônita e soberba, não entende o avanço do conservadorismo nas eleições.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/10/tutelar-mulher-de-direita-tambem-e-sexismo.shtml.

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    Michelle Bolsonaro (PL), vota no Distrito Federal neste domingo (4); ex-primeira-dama foi eleita senadora - Diego Herculano -04.out.26/Reuters · Diego Herculano -04.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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