Tutelar mulher de direita também é sexismo
O pleito de 2026 aumentou a presença feminina no Congresso . No Senado, a alta foi puxada pela direita : das 12 novas parlamentares, 7 são desse espectro político. Leia mais (10/11/2026 - 23h00)

Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP
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O pleito de 2026 aumentou a presença feminina no Congresso . No Senado, a alta foi puxada pela direita : das 12 novas parlamentares, 7 são desse espectro político.
Parte da esquerda não vê com bons olhos essa ascensão —apesar do seu discurso histórico de que é necessário ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder — e trata o fenômeno num tom paternalista que às vezes beira o autoritário.
Para Erika Hilton e Sâmia Bomfim , deputadas do PSOL , as parlamentares de direita foram eleitas majoritariamente por homens e manifestam contradição porque são antifeministas e contra o voto feminino. Hilton disse, ainda, que seus partidos manipulam a atuação feminina para promover pautas machistas e que essas mulheres são "uma ameaça à sociedade" e a elas mesmas.

A primeira afirmação não pode ser verificada pelo TSE porque o órgão não divulga estratificação por sexo dos eleitores. As seguintes põem mulheres em lugar subalterno e tentam tutelar aquilo que elas devem pensar —sem contar que não há registro de que alguma das eleitas para o Senado tenha defendido publicamente a proibição do voto feminino.
Ora, o feminismo não é um movimento monolítico nem permanece o mesmo desde as sufragistas no começo do século 20. A feminista Camille Paglia, por exemplo, critica problemas graves a partir de 1970: vitimização das mulheres, hostilidade generalizada aos homens, puritanismo sexual, censura e patrulhamento ideológico, negação ou minimização das diferenças biológicas entre os sexos, rejeição da feminilidade tradicional. E várias dessas críticas são compartilhadas por conservadoras.
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Assim, o discurso que deslegitima —até imputando perigo— a participação política de mulheres que não seguem determinada cartilha feminista é não só intolerante como sexista, já que atribui a todas as mulheres uma mesma visão de mundo.
Assim como o pobre de direita, a mulher de direita é alvo de menosprezo ou tutela por parte da esquerda que, atônita e soberba, não entende o avanço do conservadorismo nas eleições.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/10/tutelar-mulher-de-direita-tambem-e-sexismo.shtml.

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