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    Turquia emite mandado de prisão contra Netanyahu e aumenta tensão com Israel

    Governo israelense diz que o presidente turco é um

    UOL
    21 de agosto de 2026 às 19:00
    Turquia emite mandado de prisão contra Netanyahu e aumenta tensão com Israel
    Dois homens de terno escuro caminham lado a lado segurando as mãos. À esquerda, bandeiras vermelhas com elementos brancos e verdes estão posicionadas. O ambiente é interno, com fundo escuro. — Foto: UOL

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    Com os Estados Unidos de Donald Trump cada vez mais concentrados em uma forma de se retirar do lamaçal da guerra no Irã , os países do Oriente Médio se movimentam para encontrar um lugar no tabuleiro cada vez mais instável da região.

    O presidente da Turquia, Recep Erdogan (direita), recebe o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em visita oficial em Ancara - Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters · Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters
    O presidente da Turquia, Recep Erdogan (direita), recebe o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em visita oficial em Ancara - Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters · Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nesta sexta-feira (21), dois importantes aliados militares de Washington, Turquia e Israel , aumentaram a tensão da crise diplomática que vivem. Ancara emitiu um novo mandado de prisão contra o premiê israelense, Binyamin Netanyahu , e o governo em Tel Aviv reagiu dizendo que agirá contra "as tentativas da Turquia de desestabilizar a região".

    Não é a primeira vez que o governo turco, sob comando do autocrata Recep Tayyip Erdogan , pede a prisão de Netanyahu. Em novembro de 2025, a Turquia, país de maioria muçulmana, emitiu mandados de prisão para o primeiro-ministro e outras 36 autoridades israelenses, acusando-as de genocídio na Faixa de Gaza .

    Nesta sexta, o mandado se refere às ações das forças de Israe l contra a flotilha humanitária que tentou romper o bloqueio naval imposto por Tel Aviv contra Gaza. Netanyahu e membros de seu governo foram acusados dos crimes de lesão corporal, tortura, destruição de propriedade e roubo de bens, além de sequestro de veículos.

    Manifestações pró palestina pelo mundo
    Manifestações pró palestina pelo mundo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O governo de Israel foi amplamente criticado por diversos países, incluindo o Brasil , pelo tratamento dado aos ativistas interceptados em maio desse ano. Houve uma série de denúncias de maus-tratos e tortura a que os participantes da flotilha teriam sofrido sob custódia israelense .

    Na época, o ministro israelense da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou um vídeo com os membros da flotilha detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão . "Bem-vindos a Israel, é assim que tratamos os apoiadores do terrorismo", dizia a legenda da publicação.

    O chanceler israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir na ocasião de prejudicar a imagem internacional do país, e Netanyahu disse que "a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel".

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O ministro da Justiça da Turquia, Akin Gürlek, disse nesta sexta que seu país não aceitará "que o governo Netanyahu seja intocável e isento de responsabilização". "Continuaremos a permanecer firmes ao lado do povo palestino, dos oprimidos e dos valores humanitários. Tomaremos todos os passos necessários para que aqueles que cometem crimes contra a humanidade prestem contas perante a justiça", concluiu Gürlek.

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    O governo Netanyahu reagiu imediatamente. Em nota, chamou Erdogan de "ditador antissemita" e relembrou as várias prisões de jornalistas e políticos de oposição na Turquia . "Israel continuará a agir de maneira decisiva contra as tentativas [turcas] de desestabilizar a região", diz o comunicado.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No X, a conta oficial do escritório do premiê israelense também publicou um vídeo justificando o ataque que escalou a crise nesta semana. Na terça (18), Israel bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur , no noroeste da Síria , afirmando que a Turquia se preparava para enviar um contingente militar à instalação.

    Um porta-voz de Netanyahu diz no vídeo que a base atacada fica a menos de 290 quilômetros do território israelense e que poderia representar uma ameaça. "Não permitiremos que a Turquia se entrincheire na Síria e se mova cada vez mais ao sul, na direção de Israel", afirmou, acrescentando que Erdogan é um inimigo do Estado judeu.

    A relação bilateral entre os países, cujo território é separado apenas pela Síria, começou a piorar depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. O grupo terrorista Hamas , responsável pelos atentados que mataram 1.200 israelenses, conta com apoio diplomático de Erdogan, que, em 2020, recebeu líderes da facção extremista em visita oficial. A ação foi condenada na época por Israel e pelos EUA.

    Ao longo da guerra na Faixa de Gaza, em que pelo menos 73 mil palestinos foram mortos em ataques israelenses , Erdogan criticou constantemente as ações de Tel Aviv. O presidente turco falou em genocídio e suspendeu todo o comércio e voos com Israel, mas não tomou o passo de romper formalmente as relações diplomáticas.

    A Turquia é um de apenas cinco países no Oriente Médio que reconhecem a existência do Estado de Israel, ao lado de Egito , Jordânia , Emirados Árabes Unidos e Bahrein , o que tornaria qualquer piora mais severa nas relações extremamente danosa para Tel Aviv.

    Soma-se a isso o fato de que a Turquia ocupa uma posição bastante elevada na lista de aliados dos EUA. Ancara é membro da Otan , a aliança militar liderada por Washington, opera mísseis e centenas de aviões de combate de fabricação americana, e é um dos seis países onde o Pentágono armazena armas nucleares. Somente a Alemanha , a Bélgica , a Holanda , a Itália e o Reino Unido também compõem essa lista.

    Também por causa da proximidade entre Erdogan e o Hamas, a Turquia, ao lado do Egito e do Qatar —onde vivem hoje os líderes do grupo—, ajudou a negociar o acordo de paz entre Israel e o grupo terrorista chancelado por Trump com a criação do Conselho da Paz.

    O progresso dos termos da trégua, entretanto, tem sido lento, e nesta quinta (20) Ancara, Doha e Cairo criticaram Israel por repetidos ataques em Gaza apesar do acordo . "A intensificação dos ataques israelenses mina os esforços internacionais em um momento crítico", disseram os países em nota.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/turquia-emite-mandado-de-prisao-contra-netanyahu-e-aumenta-tensao-com-israel.shtml.

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    O presidente da Turquia, Recep Erdogan (direita), recebe o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em visita oficial em Ancara - Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters · Murat Cetinmuhurdar - 12.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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