Turismo de negócios supera R$ 11 bilhões e impacta lotação dos hotéis
Levantamento da Abracorp estima faturamento de R$ 14,3 bilhões em viagens corporativas no país este ano

Entre as diversas modalidades de turismo , uma tendência vem se destacando cada vez mais nos grandes centros do país: o segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions), conhecido nacionalmente como turismo de negócios e eventos.
Essa vertente engloba tanto as viagens corporativas — profissionais que se deslocam para reuniões, prestação de serviços, visitas técnicas, negociações e outras atividades empresariais — quanto os eventos de negócios, como congressos, convenções, feiras e encontros científicos.
De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o setor de viagens corporativas no Brasil movimentou, de janeiro a outubro de 2025, R$ 11,6 bilhões . Ainda de acordo com a entidade, este ano o país deverá somar R$ 14,3 bilhões , um recorde histórico do ramo.

O segmento MICE, além de ser um importante motor econômico para os destinos turísticos, desempenha um papel vital no desenvolvimento urbano e na estruturação de serviços especializados. Nesse contexto, o setor de hotéis tem sido um dos mais impactados, com receita de R$ 321 milhões , segundo dados da Abracorp.
O turismo de negócio gera demanda ao longo de praticamente todo o ano, independentemente dos períodos tradicionais de férias e feriados. Enquanto as viagens corporativas mantêm um fluxo constante de hóspedes, os grandes eventos produzem picos de ocupação em datas específicas, contribuindo para um calendário mais equilibrado.
Enquanto no lazer o viajante é motivado pelo descanso, diversão ou momentos em família e amigos; no turismo de negócios, as viagens são motivadas por conhecimento, conexões estratégicas e oportunidades de negócios.

Henrique explica que esse cliente tem necessidades diferentes, justamente por ter uma agenda mais intensa, com horários menos flexíveis.
“Os participantes de congressos, convenções e outros eventos de negócios valorizam a praticidade durante toda a estadia. Por isso, esse público busca, acima de tudo, eficiência. Internet de alta qualidade, processos ágeis de reserva, check-in e faturamento, ambientes adequados para trabalho, conforto, segurança e alimentação compatível com horários muitas vezes não convencionais”, relatou.
O presidente frisou que o investimento em tecnologia e o atendimento personalizado são indispensáveis.

“Além da conectividade, os espaços precisam ser mais funcionais para reuniões e trabalho. Ao mesmo tempo, o atendimento humano faz toda a diferença diante de qualquer imprevisto. O hóspede corporativo espera respostas rápidas, autonomia para a equipe resolver problemas e uma experiência eficiente do início ao fim da viagem”, complementa.
Os benefícios do turismo de negócios e eventos vão muito além do impacto no setor hoteleiro. Uma vez que visitantes utilizam transporte, frequentam bares e restaurantes, fazem compras, contratam serviços e, muitas vezes, aproveitam parte da permanência para conhecer os atrativos do destino.
Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a indústria de eventos de negócios representa 25% do turismo global e 49% dos visitantes internacionais no Brasil . Outro dado que chama a atenção é que os turistas de negócios gastam até três vezes mais do que os turistas de lazer .
Para o presidente da ABIH-DF, Brasília tem um potencial ainda mais evidente, pela localização estratégica, excelente conectividade aérea, ampla capacidade hoteleira e concentra órgãos públicos, entidades nacionais, embaixadas e instituições de ensino e pesquisa.
Quando a cidade reúne esses fatores, é possível estabelecer um fluxo permanente de viagens corporativas e a realização de eventos de negócios ao longo de todo o ano. O desafio é transformar esse visitante profissional também em consumidor da gastronomia, da cultura, da arquitetura e dos demais atrativos da capital, ampliando os benefícios para toda a cadeia do turismo.
Para além do impacto econômico imediato, o turismo de negócios consolida o posicionamento do Brasil no cenário global. De acordo com o ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), o país ocupa a 13ª posição mundial entre os que mais sediaram eventos internacionais associativos em 2025, com 42 cidades brasileiras anfitriãs .
O ICCA é o principal índice global do setor de eventos, reconhecendo os destinos mais competitivos para congressos e eventos profissionais. Ainda de acordo com o ranking, o Brasil é o único país representante da América Latina entre os 13 primeiros colocados e ocupa o 3º lugar nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá.
O levantamento também aponta que, de 2022 a 2024, o Brasil subiu 10 posições, representando um incremento de 112% nos eventos internacionais promovidos no país. Já o gasto diário do turista de negócios, configura em torno de US$ 418,59.
O gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur, Alexandre Nakagawa, afirma que o público participante desse segmento caracteriza-se, na maioria, por profissionais com maior poder aquisitivo.
“Esse perfil de consumo tem impulsionado uma tendência crescente no setor: o “bleisure”, modalidade que combina viagens corporativas com experiências de lazer. Ao estenderem sua estada no destino, os visitantes ampliam seus gastos e fortalecem a economia local”, ressalta.
Na opinião do gerente, o Brasil possui ampla diversidade de atrativos culturais e naturais, além de capacidade comprovada de sediar eventos de todas as magnitudes, com serviços de excelência e alinhamento com práticas sustentáveis.
“O grande desafio do país é diversificar a atração de eventos dos grandes centros urbanos brasileiros para outras regiões como o Norte e o Nordeste. Dessa forma é possível descentralizar o desenvolvimento por meio do turismo de negócios levando crescimento econômico para todo o país”, destaca.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/turismo/levantamento-da-abracorp-estima-faturamento-de-r-143-bilhoes-em-viagens-corporativas-no-pais-este-ano.

Foto: Pexels — Foto: Metrópoles
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