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    Tung Chee-hwa, 1º líder de Hong Kong sob o domínio chinês, morre aos 89 anos

    "Pela primeira vez na história, nós, o povo de Hong Kong , seremos donos do nosso próprio destino." Em 1º de julho de 1997, Tung Chee-hwa fez seu primeiro discurso como chefe do Executivo do território, após a transferência de Hong Kong do Reino Unido para a China . Leia mais (09/09/2026 - 10h29)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 13:29
    Tung Chee-hwa, 1º líder de Hong Kong sob o domínio chinês, morre aos 89 anos
    Foto: Folha de S.Paulo

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    "Pela primeira vez na história, nós, o povo de Hong Kong , seremos donos do nosso próprio destino." Em 1º de julho de 1997, Tung Chee-hwa fez seu primeiro discurso como chefe do Executivo do território, após a transferência de Hong Kong do Reino Unido para a China .

    O ex-chefe de governo de Hong Kong Tung Chee-hwa - Bobby Yip - 13.out.16/Reuters · Bobby Yip - 13.out.16/Reuters
    O ex-chefe de governo de Hong Kong Tung Chee-hwa - Bobby Yip - 13.out.16/Reuters · Bobby Yip - 13.out.16/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O Governo da Região Administrativa Especial está plenamente comprometido em preservar o modo de vida de Hong Kong, manter seu sistema econômico livre e aberto, defender o Estado de Direito e construir uma sociedade mais democrática", afirmou.

    Seis anos depois, Tung tentou aprovar o Artigo 23. A proposta de lei de segurança, que abrangia crimes como traição e sedição e ampliava os poderes da polícia, foi amplamente vista como uma interferência chinesa nas liberdades dos habitantes de Hong Kong.

    Isso desencadeou um protesto que reuniu meio milhão de pessoas, muitas delas vestindo preto como sinal de luto.

    A última edição do Apple Daily, jornal pró-democracia em Hong Kong
    A última edição do Apple Daily, jornal pró-democracia em Hong Kong — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tung recuou. Mas os acontecimentos de 2003 deram início a um período de tensões crescentes entre os democratas da oposição e Pequim em torno do futuro da cidade. Essas tensões acabaram explodindo em grandes movimentos pró-democracia, que duraram meses, em 2014 e 2019.

    O malfadado projeto de lei de Tung, baseado no Artigo 23, acabou sendo aprovado em março de 2024 por uma legislatura predominantemente pró-Pequim.

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    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional
    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ex-magnata do setor marítimo, Tung Chee-hwa liderou Hong Kong quando o território saiu de mais de 150 anos de domínio colonial britânico e adotou o princípio de "um país, dois sistemas", pelo qual Hong Kong voltou a fazer parte da China, mas recebeu um alto grau de autonomia em relação às autoridades do continente.

    Seu período no cargo também revelou os limites desse princípio.

    Ele morreu na terça-feira (8), aos 89 anos, informou o South China Morning Post, citando um comunicado de seu gabinete. A causa da morte não foi divulgada.

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    Herdeiro da Orient Overseas Container Line, um império internacional de transporte marítimo fundado por seu pai, Tung manteve relações estreitas com os líderes chineses durante a década de 1990, incluindo o então dirigente Jiang Zemin.

    Em dezembro de 1996, Tung foi escolhido por um comitê de 400 pessoas, composto em grande parte por aliados de Pequim, para se tornar o primeiro líder da cidade sob o domínio chinês.

    "Manteremos Hong Kong como uma cidade vibrante e internacional", disse Tung em seu discurso de posse.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas Tung, que não tinha experiência política anterior, logo enfrentou dificuldades com as exigências do cargo público.

    As aspirações dos habitantes de Hong Kong por uma democracia maior entravam em conflito com os movimentos de Pequim para aumentar seu controle sobre o centro financeiro internacional.

    Após a tentativa direta de Tung e de sua secretária de Segurança, Regina Ip, de aprovar o Artigo 23 em 2003, os índices de popularidade do chefe do Executivo despencaram.

    O projeto de lei de segurança nacional foi arquivado. Tung renunciou dois anos depois , no meio de seu segundo mandato, alegando problemas de saúde.

    Aquele protesto tornou-se um ponto de virada nas relações de Hong Kong com a China, enquanto Pequim ficava cada vez mais preocupada com o que considerava forças anti-China tentando minar a soberania nacional.

    Pequim começou a restringir o alcance das reformas democráticas para garantir a continuidade de seu controle.

    Tung Chee-hwa nasceu em Xangai, em julho de 1937, filho do magnata do transporte marítimo Tung Chao-yung e de Koo Lee-ching, que, segundo relatos, era filha de um importante armador. A família mudou-se para Hong Kong quando ele era criança.

    Na vida adulta, passou um período significativo no Ocidente, estudando na Universidade de Liverpool, na Inglaterra, época em que se tornou torcedor do Liverpool Football Club por toda a vida. Nos Estados Unidos, trabalhou para a General Electric e, posteriormente, para a empresa da família.

    Depois de deixar o cargo de líder de Hong Kong, Tung ganhou uma segunda oportunidade de atuação política quando foi nomeado vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo político da China.

    Ele era considerado influente nos bastidores.

    Tung e seu pai eram amigos de longa data do ex-presidente dos Estados Unidos George Bush, e o jovem Tung também desenvolveu uma relação próxima com o presidente George W. Bush.

    Quando Xi Jinping visitou os EUA em 2012, pouco antes de se tornar líder da China, Tung o acompanhou. Em 2015, quando o presidente Xi visitou Washington, Tung também integrou a delegação em caráter não oficial.

    Mas a imagem de Tung como estadista experiente e ponte entre os dois países perdeu força à medida que as relações bilaterais começaram a se deteriorar.

    Sua China-U.S. Exchange Foundation — uma organização sem fins lucrativos sediada em Hong Kong que concedia bolsas a universidades americanas e buscava estabelecer relações com figuras politicamente influentes de Washington — foi criticada por seus vínculos com o governo chinês. Um relatório de 2018 da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China afirmou que a organização tinha "envolvimento em operações de influência".

    Quando grandes protestos pró-democracia eclodiram em Hong Kong em 2019 , Tung tornou-se cada vez mais contundente, descrevendo os manifestantes como "perturbadores anti-China" que haviam colocado a segurança nacional "gravemente" em risco.

    Os manifestantes carregavam guarda-chuvas para se proteger do gás lacrimogêneo e das balas de borracha disparadas pela polícia.

    Tung também defendeu uma ampla lei de segurança nacional imposta pela China a Hong Kong em 2020, que alguns países, incluindo os EUA, descreveram como uma ferramenta draconiana de repressão.

    Nos últimos anos, Tung praticamente desapareceu dos olhos do público.

    Em uma de suas últimas entrevistas, concedida ao jornal People's Daily, alinhado ao Partido Comunista Chinês, ele apoiou uma reforma de 2021 no sistema eleitoral da cidade que, na prática, excluiu os democratas da oposição de futuras eleições.

    "O teste definitivo para qualquer método eleitoral é saber se ele proporciona felicidade e bem-estar ao povo", disse Tung. "Mas restaurar apenas a estabilidade social não é suficiente. Agora precisamos nos empenhar pela prosperidade."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/tung-chee-hwa-1o-lider-de-hong-kong-sob-o-dominio-chines-morre-aos-89-anos.shtml.

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    O ex-chefe de governo de Hong Kong Tung Chee-hwa - Bobby Yip - 13.out.16/Reuters · Bobby Yip - 13.out.16/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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