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    'Túmulo dos Vagalumes' volta aos cinemas com retrato sensível da guerra

    Muitos entusiastas do celebrado Studio Ghibli vão comemorar a reestreia, promovida pela rede Cinemark, de "Túmulo dos Vagalumes", de 1988 , um dos clássicos da animação japonesa. Leia mais (08/19/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 07:00
    'Túmulo dos Vagalumes' volta aos cinemas com retrato sensível da guerra
    Ilustração mostra duas crianças sentadas em meio a grama alta à noite, cercadas por vagalumes luminosos. O menino à esquerda está de camiseta branca e olha para a menina à direita, que sorri com as mãos levantadas. Fundo escuro destaca os p — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Cartaz do filme 'Túmulo dos Vagalumes', dirigido por Isao Takahata - Divulgação Cinemark · Divulgação Cinemark
    Cartaz do filme 'Túmulo dos Vagalumes', dirigido por Isao Takahata - Divulgação Cinemark · Divulgação Cinemark — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Muitos entusiastas do celebrado Studio Ghibli vão comemorar a reestreia, promovida pela rede Cinemark, de "Túmulo dos Vagalumes", de 1988 , um dos clássicos da animação japonesa.

    É o primeiro filme de Isao Takahata pela recém-criada companhia sediada na região metropolitana de Tóquio. Pode-se dizer que realizou uma das pérolas que justificam a fama do estúdio.

    Nos anos 1980, o cinema japonês estava num momento crítico. Os mestres que começaram no mudo — Kenji Mizoguchi , Yasujiro Ozu e Mikio Naruse , principalmente— já não existiam mais. Akira Kurosawa e outros modernos estavam com dificuldades de filmar, tendo de buscar recursos no exterior.

    Cenas da animação 'Túmulo dos Vagalumes'
    Cenas da animação 'Túmulo dos Vagalumes' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Novos talentos surgiam, como Kiyoshi Kurosawa , Takeshi Kitano e o bissexto Kohei Oguri , mas em número insuficiente para compensar as perdas.

    Havia ainda algumas obras-primas dos veteranos da chamada "nuberu bagu", o cinema moderno japonês: "Zigeunerweisen", de 1980, e "Kogaro-za", de 1981, de Seijun Suzuki ; "A Balada de Narayama", de 1983, de Shohei Imamura ; ou "Rio dos Vagalumes", de 1987, de Eizo Sugawa . Nas décadas anteriores, contudo, o número de grandes filmes como esses era muito maior, fazendo do cinema japonês um dos mais fortes do mundo.

    Nesse contexto desfavorável, o cinema de animação, que já era forte, se fortaleceu ainda mais com a criação do Studio Ghibli , em 1985. Teve o turbulento "Akira", de 1988, de Katsuhiro Otomo , sucesso também no Brasil. Mas nada se compara, em qualidade, aos filmes de Hayao Miyazaki , um dos fundadores da companhia e o mais prolífico de seus diretores.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O primeiro filme do estúdio foi lançado em 1986, "O Castelo no Céu", justamente de Miyazaki. Dois anos depois, o diretor lançou "Meu Vizinho Totoro" no mesmo dia em que chegou ao público "Túmulo dos Vagalumes".

    Miyazaki, Takahata e o outro fundador, o produtor Toshio Suzuki , começaram nos anos 1960 e já haviam trabalhado juntos anteriormente.

    A trama de "Túmulo dos Vagalumes" é triste como alguns melodramas de Mizoguchi. O adolescente Seita e a pequena e graciosa Setsuko se tornam órfãos após a mãe morrer por causa de um bombardeio na cidade onde moram. Estamos nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial , num país já devastado por outros bombardeios.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O filme mostra, ao mesmo tempo, a estupidez da guerra e a estupidez das pessoas em tempos de guerra. Falta humanidade aos que estão próximos dos órfãos, até mesmo à tia, que faz questão de deixar claro que eles, morando com ela, são um estorvo.

    Por isso a sobrevivência deles se torna cada vez mais difícil. A habitação que improvisam é um abrigo antibombas perto de um rio. Eles dormem vendo o voo dos vagalumes, pequenas luzes que os livram da escuridão da noite. O banheiro é o mato e a comida é roubada ou trocada pelos quimonos da mãe.

    Com o tempo, a alimentação se torna cada vez mais escassa e os problemas de saúde os atingem. A crueldade da guerra faz com que as pessoas se anestesiem e não se importem tanto com o sofrimento das crianças.

    Algumas cenas são tão tocantes que é praticamente impossível conter o choro. Cenas que envolvem a agonia e morte da mãe, por exemplo, ou a tristeza de Setsuko, ou ainda o desespero de Seita com a dificuldade da sobrevivência fora de uma casa e sem alimentação saudável.

    E o que mais impressiona não é a beleza da história, um elogio ao humanismo e um grito antibélico. É o bom gosto de todos os enquadramentos, do uso das cores, dos tempos de corte nas cenas mais sentimentais, até mesmo do uso de uma música que, como sempre na tradição melodramática japonesa, fica muito perto do limite que separa a beleza do exagero.

    Este emocionante longa de Takahata é um dos filmes que, como "Princesa Mononoke", de 1997 , "A Viagem de Chihiro", de 2001 , "O Castelo Animado", de 2004 , e "Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar", de 2008 , todos dirigidos por Miyazaki, fizeram do Studio Ghibli um objeto de adoração, e não só dos amantes de anime.

    As produções de Miyazaki, Takahata e Suzuki fazem com que a velha discussão sobre a animação ser ou não cinema, ou mesmo uma forma de arte , seja supérflua, como já era para todos que viram as estripulias de Tex Avery e Chuck Jones. Ou de Walt Disney. Ou a poesia e o traço de Michaël Dudok de Wit, a simplicidade tocante do brasileiro Alê Abreu, entre muitos outros. "Túmulo dos Vagalumes" está nesse nível altíssimo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/tumulo-dos-vagalumes-volta-aos-cinemas-com-retrato-sensivel-da-guerra.shtml.

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    Cartaz do filme 'Túmulo dos Vagalumes', dirigido por Isao Takahata - Divulgação Cinemark · Divulgação Cinemark — Foto: Folha de S.Paulo

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